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Mobilidade urbana pós-pandemia: desafios e expectativas

Mobilidade urbana pós-pandemia: desafios e expectativas

Foco na experiência das pessoas no ambiente urbano direciona as inovações nas soluções de transporte

Os novos hábitos de consumo impostos pela pandemia de covid-19 vieram para ficar e obrigam comércios e serviços a se adaptarem às novas demandas da população. Uma dessas demandas é relativa à mobilidade urbana, uma vez que o transporte foi um dos setores que passaram por transformações nos últimos dois anos.

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Levantamento realizado pelo Centro de Excelência BRT+ em parceria com o WRI Brasil em nove cidades latino-americanas mostrou que a maioria das pessoas passou a usar menos o transporte público durante a pandemia. Exceto nas cidades brasileiras e em Santiago, nas outras cidades latino-americanas houve aumentos superiores a 30% nos deslocamentos a pé ou por bicicleta, o que, segundo o estudo, pode estar relacionado ao incentivo que algumas cidades deram a esses modos de transporte.

Assim, mesmo com a rotina da população retomando a normalidade aos poucos, os novos hábitos das populações em relação ao deslocamento trazem a necessidade de repensar a mobilidade urbana, especialmente de grandes cidades.

A mobilidade urbana deve priorizar pessoas

“Quando redescobrimos a cidade com a redução da quarentena, descobrimos que a experiência que tínhamos antes não era tão legal assim. E agora começamos a pensar qual é a cidade em que queremos viver. Nesse contexto, a mobilidade precisa ser cada vez mais para as pessoas e centralizada na experiência de como elas vivem a cidade”, diz o CEO da Quicko, Pedro Somma.

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A Quicko, startup brasileira de mobilidade, foi uma das startups convidadas pelo Conarec 2021 para o painel “Repensando a Mobilidade Urbana Pós Pandemia”, junto com a Tembici e a Moovit, empresas que inovaram trazendo soluções e mobilidade mesmo antes de a pandemia expor essa necessidade.

Para Tomás Petti Martins, CEO da Tembici, aplicativo que gerencia as bicicletas do Itaú, a tendência é que as pessoas experimentem outros modais, pois elas já não querem mais perder 45 minutos ou mais em um automóvel parado.

“As pessoas estão procurando uma forma mais rápida e eficiente de fazer um trajeto. Já não importa tanto como se vai fazer. Então, não teremos uma solução única, teremos que aprender a integrar soluções diferentes”.

A expectativa é que, nos próximos 5 ou 10 anos, a forma de se locomover pelas cidades evolua muito mais do que nos últimos 50 anos, em que as cidades foram projetadas para priorizar os carros. “O desafio é: qual é a cidade em que queremos viver? Uma cidade em que pedestres não têm espaço, com ciclovias apertadas, ou em uma cidade que convide as pessoas a caminhar, a conseguir usar uma bicicleta?”, questiona o CEO da Quicko.

Desafios na transformação do transporte urbano

Ainda segundo o estudo do Centro de Excelência BRT+ e WRI Brasil, menos de 5% dos entrevistados que começaram a trabalhar de casa na pandemia voltariam ao trabalho totalmente presencial se pudessem escolher.

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Mais de 30% gostariam de trabalhar 3 dias em casa e quase 25% trabalhariam totalmente remoto. A adaptação ao home office, somada à preferência pelo negócio local (lojas do bairro, por exemplo), é um dos motivos que vão colaborar com a inovação na mobilidade urbana. Entre as tendências e necessidades destacadas no painel do Conarec 2021 estão:

Sustentabilidade

Na cidade de São Paulo, mais de 70% da emissão de CO2 vem dos veículos. Pensar em meios de transporte que causem menos danos ao meio ambiente se tornou imprescindível para manter o mundo um lugar ainda habitável e agradável. “Se teve algo que a pandemia mostrou é o quanto a gente ‘machuca’ as nossas cidades pela forma como nos locomovemos. A Grã-Bretanha bateu a meta de redução de CO2 no ano com as pessoas ficando em casa. O impacto ficou claro”, destaca o CEO da Tembici, Tomás Petti Martins.

Além das bicicletas, os patinetes, carros e ônibus elétricos e, é claro, a caminhada, entram em destaque no novo modelo de mobilidade urbana. Para o country manager Brasil da Moovit, Pedro Palhares, pensar as micromobilidades é uma das necessidades que a pandemia trouxe. “Bicicletas contribuem para a redução da emissão de CO2 e para a saúde das pessoas, então é preciso criar infraestrutura para receber o ciclista”, destaca.

Transporte híbrido

Combinar diferentes meios de transporte é uma tendência que facilita o dia a dia dos cidadãos, como pegar a bicicleta para ir até o metrô e poder deixá-la em segurança em algum lugar; sair do metrô e não esperar tanto para pegar um trem. Aplicativos como o Quicko e o Moovit, portanto, ajudam o usuário a fazer um planejamento prático para chegar ao destino desejado de forma mais confortável e rápida.

Atuação dos governos

Enquanto as startups aceleram a digitalização, ajudam a trazer soluções de integração dos meios de transporte e estimulam o uso de opções mais sustentáveis, é papel do governo oferecer uma infraestrutura que comporte esses hábitos.

“O governo deve ser um agente facilitador. Sabemos que a capacidade técnica do governo é diferente de uma startup, então precisa ser uma construção conjunta. Em São Paulo, por exemplo, já temos dados de transporte público abertos”, pontua Pedro Somma. A disponibilização de dados permite o desenvolvimento de soluções que resolvam as maiores dores do cidadão quanto à mobilidade urbana. Trabalhando em conjunto, governos e empresas podem melhorar a experiência do usuário.

Transporte de pequenas cargas

A nova mobilidade vai além do transporte de passageiros. “Tem muita gente utilizando bicicleta para realização de entregas e isso adiciona mais uma camada de complexidade na ciclologística”, aponta Tomás Petti Martins. Os pequenos bens deixam de ser transportados em carros ou caminhões para serem entregues por bicicleta ou motocicleta, usando aplicativos próprios para isso. Assim, as políticas públicas devem envolver também a melhoria no cenário de entregas no ambiente urbano, promovendo uma maior segurança.

Quais as expectativas para o futuro da mobilidade urbana?

Tecnologia, integração, sustentabilidade e mais tempo para o lazer são as características citadas pelos três participantes do Conarec 2021 quando questionados sobre como veem a mobilidade urbana daqui a 30 anos. “Imagino muita gente na rua. Andando a pé, de bicicleta, de ônibus com tecnologias sustentáveis. Zonas mistas funcionando, muito verde e principalmente muita informação”, responde o CEO da Quicko.

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Para o CEO da Tembici, em 2050 a expectativa é que a lógica do transporte urbano já esteja invertida, com infraestrutura dedicada às pessoas, e não aos carros. “Se há uma imagem que gostaria de ver nos próximos 15 ou 30 anos é a de mais faixas para ciclovia e menos para automóveis, e mais calçadas”.

Já o country manager da Moovit destaca o avanço da tecnologia. “Vejo veículos movendo a hidrogênio, bicicletas elétricas, veículos voadores. Tudo conectado. As pessoas com mais tempo para si mesmas, para família, lazer, esporte e educação”.

CEOs
Foto: Grupo Padrão / Conarec 2021

 


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