A Meta está prestes a dar um novo passo em sua estratégia de realidade aumentada. A empresa de Mark Zuckerberg deve revelar em setembro, durante a conferência Meta Connect, seus primeiros óculos inteligentes equipados com display. Trata-se de um avanço significativo em relação às versões anteriores da linha Ray-Ban Meta, que não possuíam telas.
O modelo, batizado internamente de Hypernova, promete oferecer uma experiência híbrida entre os wearables atuais e os futuros óculos de realidade aumentada completa que a companhia vem desenvolvendo. As informações foram reveladas pela CNBC.
Um dispositivo pensado para o consumidor
O Hypernova virá acompanhado de uma pulseira inteligente baseada em tecnologia neural, fruto da aquisição da startup CTRL Labs pela Meta em 2019. Essa pulseira permitirá controlar funções dos óculos por meio de gestos e sinais elétricos dos músculos do braço e da mão, dispensando câmeras externas para rastrear movimentos, como ocorre no Apple Vision Pro.
O visor embutido no lado direito da lente exibirá informações básicas, como mensagens de texto, notificações e miniaplicativos. Além disso, o display terá um campo de visão limitado, em torno de 20 graus, funcionando como uma pequena janela fixa no canto do olhar. Ainda assim, será o primeiro dispositivo da Meta a levar uma tela diretamente às lentes de óculos inteligentes prontos para consumo.
O produto deve chegar ao mercado por cerca de US$ 800. Estimativas anteriores apontavam preços na casa dos US$ 1.400, mas a Meta decidiu reduzir margens de lucro para priorizar volume de vendas.
Parceria com a Luxottica e marcas de prestígio
Assim como nas gerações anteriores, a Meta desenvolve os novos óculos em parceria com a EssilorLuxottica, dona de marcas como Ray-Ban e Oakley, e licenciada de grifes como Prada. Ainda não está definido qual marca estampará o Hypernova, mas há indícios de que a Prada pode estar envolvida, já que sua estética de armações mais robustas se adequaria ao design exigido pelo novo hardware.
A colaboração entre Meta e Luxottica começou em 2021, com o lançamento dos Ray-Ban Stories, primeiros óculos da linha capazes de tirar fotos e gravar vídeos por comando de voz. Em 2023, a segunda geração ganhou recursos de Inteligência Artificial (IA) e vendeu mais de 2 milhões de unidades. Além disso, a parceria foi reforçada em julho de 2025, quando a Meta adquiriu cerca de 3% de participação na Luxottica. Assim, a big tech garantiu acesso exclusivo às marcas do grupo para o desenvolvimento de novos dispositivos vestíveis.
Recursos e limitações
Embora o Hypernova seja visto como um marco para a Meta, as expectativas de vendas não são altas. Fontes disseram à CNBC que os óculos tendem a ser um pouco mais pesados e espessos que os modelos atuais, devido aos componentes adicionais. Além disso, a tela monocular oferece funcionalidades limitadas em comparação com protótipos de realidade aumentada completa, como o Orion, apresentado por Zuckerberg em edições anteriores do Connect.
Ainda assim, a integração com IA pode ser um diferencial. O dispositivo permitirá tirar fotos, gravar vídeos, fazer chamadas, enviar mensagens e interagir com um assistente de IA por voz, gestos ou pela própria tela. O objetivo é reduzir a dependência do smartphone e transferir parte da interação digital para um acessório mais natural e discreto.
A pulseira neural é outro destaque. Baseada em sensores sEMG, capazes de interpretar sinais elétricos dos músculos, ela traduz movimentos mínimos em comandos digitais. Esse tipo de tecnologia é apontado como crucial para os futuros óculos de realidade aumentada da Meta, que devem substituir a tela monocular por visores completos em ambas as lentes. A empresa acredita que os dados coletados agora ajudarão a aprimorar as próximas gerações do acessório.
A corrida da realidade aumentada
O lançamento ocorre em um momento de intensa disputa no setor. Além da Apple, que já prepara uma nova geração do Vision Pro com chip M5 e atualizações de software como o visionOS 2.6, empresas como a Samsung também trabalham em óculos inteligentes com Inteligência Artificial previstos para 2026.
Para Zuckerberg, os óculos inteligentes representam o futuro pós-smartphone. A Meta já investiu dezenas de bilhões de dólares em sua divisão Reality Labs, mesmo acumulando prejuízos de quase US$ 70 bilhões desde 2020, segundo a CNBC.
Além disso, analistas do setor acreditam que o preço inicial de US$ 800 é apenas a base, já que versões personalizadas com lentes de grau ou design premium podem ultrapassar os US$ 1.000. Ainda assim, a proposta é mais acessível que as soluções rivais. O evento Meta Connect deve trazer mais detalhes sobre bateria, autonomia, design e integração com o ecossistema da empresa. Além do Hypernova e da pulseira, a Meta deve anunciar também a terceira geração de óculos de voz em parceria com a Luxottica.
*Foto: Algi Febri Sugita / Shutterstock.com






