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Metaverso: a fome insaciável por dados dos óculos de realidade virtual

Metaverso: a fome insaciável por dados dos óculos de realidade virtual

Um recente estudo aponta que óculos de realidade virtual são capazes de capturar 90 dados por segundo. E o Facebook está de olho nesse mercado
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Um recente estudo produzido por dois pesquisadores australianos mostra que os mais recentes óculos de realidade virtual (RV) teriam a capacidade de coletar cerca de 2 milhões de informações relacionadas a movimentos corporais (movimentos de olhos, batimentos cardíacos e muito mais) em um intervalo de apenas 20 minutos. Hoje, dispositivos de RV é um dos principais meios de acesso aos metaversos – e também um dos pilares dos novos e bilionários investimentos de empresas como a Meta, dona do Facebook, Instagram e outras marcas.

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Os resultados da pesquisa estão em um artigo científico escrito por Bem Egliston, da Universidade de Tecnologia de Queensland, e Marcus Carter, da Universidade de Sidney. Em linhas gerais, o objetivo foi analisar o dispositivo de realidade virtual do Facebook, o Oculus, e como isso poderá impacta em temas como dados, o metaverso e outros assuntos.

90 movimentos por segundo

Segundo os pesquisadores, as tecnologias imersivas possuem uma elevada e automatizada capacidade de coletar informações corporais – algo que alguns países classificam em suas leis como dados sensíveis, o mais protegido dentro de legislações sobr o tema. Ou seja, estamos diante de um poderoso sensor.

“Em 2018, os sistemas comerciais (de RV) rastreavam os movimentos do corpo 90 vezes por segundo para exibir uma cena de forma adequada, e os sistemas de ponta registram 18 tipos de movimentos na cabeça e nas mãos. Consequentemente, gastar 20 minutos em uma simulação de RV deixa pouco menos de 2 milhões de gravações únicas de linguagem corporal”, afirma os estudiosos no artigo.

Dados anônimos ou identificáveis?

Ainda no levantamento, os pesquisadores analisaram a licença de uso de dados do óculos de RV da Meta, documento que valida o uso das informações pessoais coletadas no dispositivo. Uma das conclusões é que o “aceite” do usuário não é muito diferente do que já acontece nas redes sociais do grupo Meta.

A licença da Oculus, assim como outros documentos de software, utilizam um contrato do tipo “clickwrap”, um mecanismo para mover rapidamente os usuários para o consumo. “(o documento) é, muitas vezes, vaga na especificação de usos de dados”, afirmam os pesquisadores, que completam. “Embora o Facebook saiba que os produtos Oculus têm o potencial de rastrear dados biométricos  ou outras formas de dados espaciais (por exemplo, dimensões da sala), o que falta é uma declaração clara sobre usos atuais e potenciais futuros.”, concluem.

Hoje, segundo os pesquisadores, os dados coletados pelo Facebook por meio de RVs seriam anonimizados, mas isso não significa que o cenário poderia mudar no futuro.

“Formas de técnicas de identificação biométrica física ou fisiológica que poderiam teoricamente se estender da RV incluem análise do olhar, reconhecimento de voz e reconhecimento facial. Embora os dados gerados por dispositivos de RV sejam frequentemente enquadrados como anônimos, estudos recentes em ciência da computação e interação humano-computador sugeriram que, sob certas condições de aprendizado de máquina, esses dados são reidentificáveis”.

Investimentos

O metaverso e os óculos de realidade virtual representam o futuro da Meta.

Além do investimento de US$ 4 bilhões para comprar a Rift, desenvolvedora do Oculus, a empresa faz investimentos pesados nessa área.

Em 2020, durante a pandemia, o Facebook lançou o Facebook Reality Labs, grupo de pesquisa e desenvolvimento de realidade mista, no qual a empresa teria investido US$ 10 bilhões somente em 2021. Para especialistas, o valor é similar aos investimentos que indústrias de smartphones gastam por ano no desenvolvimento de atualizações e novos produtos.

Além disso, o próprio nome mudou. Em 2021, o Facebook fez um rebrand da marca da holding para Meta.

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