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Em plena expansão, mercado vegano pode ser aposta de restaurantes para retomada da pandemia

Em plena expansão, mercado vegano pode ser aposta de restaurantes para retomada da pandemia

Estudo aponta que mais de 30% dos consumidores escolhem opção vegana em restaurantes e quase a metade opta por não comer carne pelo menos um dia na semana

O mercado vegano está em plena expansão no Brasil, puxado pelo aumento no número de vegetarianos, veganos e adeptos da redução do consumo de carne.

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Para os restaurantes, que sofreram com as restrições de funcionamento provocadas pela pandemia de covid-19, isso representa, mais do que estatísticas, uma grande oportunidade para a retomada das atividades do setor.

Isso porque, ao oferecer opções veganas os estabelecimentos atraem, além dos consumidores que optam por produtos que não tenham ingredientes de origem animal, seus acompanhantes – inclusive, quem consome carne.

Mercado vegano: um panorama das oportunidades para o setor de foodservice

‘Como você consegue viver sem carne?’
‘Você só como salada?’
Mas peixe você come, né?’

Se essas perguntas fizessem parte de um bingo, certamente, quem é vegano ou vegetariano seria contemplado com cartela cheia. Pelo menos até alguns anos atrás, quando a opção de uma alimentação sem carne – ou sem produtos com ingrediente de origem animal – ainda causava estranhamento em grande parte da população.

Nos últimos anos, isso tem mudado. Um levantamento realizado em 2018 pelo Ibope Inteligência a pedido da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) identificou que 14% dos brasileiros se declaravam vegetarianos – número que, na época, correspondia a 30 milhões de pessoas. Dentre eles, estima-se que cerca de 7 milhões seriam veganos.

Apesar de não haver números atualizados sobre a quantidade de vegetarianos e veganos no Brasil, uma pesquisa realizada pela consultoria Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC – antigo Ibope Inteligência), encomendada pela SVB, constatou que 46% dos brasileiros já deixam de comer carne por vontade própria pelo menos uma vez na semana e mais de 30% escolhem opções veganas em restaurantes quando essa informação é destacada no cardápio.

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“O que acontece é que, além da parcela vegetariana da população, cresce muito rapidamente a parcela que procura reduzir o seu consumo de carnes e derivados. Em um, dois, três ou vários dias por semana, os brasileiros têm optado por fazer refeições vegetarianas ou veganas”, observa Ricardo Laurino, presidente da SVB.

Parte desse público, segundo ele, são os milhões de adeptos do movimento Segunda Sem Carne, que estimula as pessoas a, pelo menos uma vez na semana, trocar a proteína animal pela proteína vegetal.

O movimento é conhecido mundialmente pelo seu embaixador Paul McCartney, mas, segunda a SVB, o Brasil é reconhecido por ter a maior Segunda Sem Carne do mundo, presente em refeitórios corporativos, escolas particulares e públicas, restaurantes e outras organizações, contabilizando mais de 300 milhões de refeições servidas com fontes vegetais de proteína desde o seu lançamento, em 2009.

Para a publicitária Kamila Feldenheimer, idealizadora da Happig, loja de produtos veganos, a pandemia também contribuiu para a expansão do mercado vegano.

“O fato de a pandemia ser uma consequência da exploração animal mexeu muito com a relação das pessoas com o que elas consomem. A tendência é cada vez mais pessoas buscarem por refeições veganas e vegetarianas, não necessariamente aderindo a isso no dia a dia, mas procurando sempre consumir em locais que tenham opções para todos os momentos”, avalia.

No mercado desde 2014 à frente da Happig, Kamila Feldenheimer acompanhou de perto a transformação do setor e a ampliação do mercado vegano. Ovolactovegetariana, ela conta que sempre teve dificuldade em encontrar alimentos práticos e gostosos para consumo próprio e, por isso, decidiu criar a empresa, na intenção de atender pessoas como ela própria.

“Felizmente, mais pessoas aderem a cada ano, seja o veganismo político como é em sua essência, seja dietas com menor consumo de carnes e outros derivados de animais. A demanda da Happig cresceu demais: no começo eu cuidava sozinha da cozinha, hoje conto com minha sócia Beatriz”, conta.

Outra transformação sentida pela empreendedora é relacionada ao aumento da procura pelos produtos por parte de estabelecimentos comerciais, como restaurantes e lanchonetes, por exemplo.

“Houve uma transformação linda. Nós oferecemos, além de produtos, serviços de consultoria para estabelecimentos, em que compartilhamos conhecimento para que os locais estejam cada dia mais preparados para nos atender da melhor forma. No começo houve muita prospecção da nossa parte. Com o tempo, mais locais começaram a buscar alternativas com a gente”, explica.

Essa transformação no perfil de consumo de alimentos do brasileiro também se reflete no agronegócio, que já produz anualmente 250 milhões de toneladas de grãos, e na indústria, que tem transformado parte dessa produção em alimentos plant-based, como é o caso da Seara, que em 2019 lançou a linha Incrível, com produtos feitos 100% de vegetais. A criação foi desenvolvida por um hub de inovação da empresa focado em meatless e precisou de dois anos de estudos para ficar pronta.

experiência-do-cliente

Tem opção para vegetariano e vegano, sim!

Para os restaurantes e lanchonetes, incluir no cardápio opções para o público vegano e vegetariano é uma excelente estratégia para a retomada do crescimento das atividades no pós-pandemia.

Além de possibilitar atrair mais clientes, incluir pratos veganos no cardápio não é uma missão que demanda grandes investimentos nem técnicas diferenciadas. Combinações simples e tradicionais, mas feitas com cuidado e carinho são bem efetivas neste sentido.

Rodrigo Peters, chef parrillero e sócio-proprietário do Bença Parrilla, sempre teve consciência da importância de contemplar esse segmento do público e, sete anos depois de inaugurar sua lanchonete, colhe os frutos deste posicionamento.

“Desde o início do Bença, em 2014, quando recebíamos as pessoas no nosso quintal, poder oferecer opções vegetarianas era um objetivo para poder incluir todo mundo. Cada vez mais o vegetarianismo e veganismo vem crescendo e não é porque trabalhamos com carne que devemos excluir pessoas que têm outras escolhas. Muitas vezes recebemos famílias, grupos, casais em que parte do grupo come carne e outra parte não. Desta maneira, conseguimos atender e incluir a todos”, explica o chef parrillero.

Uma das estratégias adotadas por Rodrigo Peters é a aposta na diversidade de cardápio, que é igualmente atrativo ao menu de carnes.

“Sempre que criamos pratos, menus ou sanduíches especiais, as versões vegetarianas e veganas são incluídas também. Demanda um pouco mais de atenção para cada um, para pensar como será cada adaptação, mas queremos fugir de alternativas fáceis e muitas vezes não tão saborosas. A ideia é que todos possam comer nossa comida feita com todo cuidado e carinho, independentemente da escolha alimentar”, pontua.

O resultado deste empenho tem reflexo nos números do restaurante: atualmente, os itens veganos e vegetarianos do cardápio respondem por uma fatia de 5% a 8% das vendas diretas.

“Mas é preciso considerar a venda de bebidas consumidas por essas pessoas e também os pedidos feitos por mesas mistas, onde nem todos estão consumindo itens vegetarianos ou veganos. Porque acreditamos que, sem essas opções, um grupo misto talvez procurasse outro lugar para comer e aí perderíamos a venda completa. Assim, acreditamos que, indiretamente, gire entre 15% a 20%”, calcula.

Para incentivar a exploração deste nicho, a SVB criou um mapa que mostra milhares de endereços que já oferecem boas opções veganas – algumas, inclusive, com descontos para os adeptos da Segunda Sem Carne. Batizado de Onde Tem Opção Vegana, o recurso rende mais de 3,2 mil estabelecimentos no Brasil, incluindo desde pequenos negócios, e-commerces e lojas de franquia.

A importância da reavaliação dos hábitos de consumo para o CX

É quase como uma boa receita. Manter os dados atualizados sobre o perfil do consumidor é um dos passos para o preparo perfeito de uma boa experiência do cliente. E muitas marcas reconhecem a importância de conhecer os seus clientes. No entanto, nem todas fazem a manutenção da construção desse perfil, que pode sofrer alterações no ciclo de vida.

Entre as mudança no comportamento da população, o vegetarianismo ou veganismo é uma das tendências em 2021 – vale ressaltar que nos últimos sete anos a população vegetariana dobrou, atingindo o marco de 29 milhões de brasileiros, de acordo com uma pesquisa realizada pelo IBOPE. Mas há também preocupação em relação a embalagens e respeito ao meio ambiente e novos hábitos de consumo e estilo de vida a partir do contexto da pandemia estão sendo determinantes.

Um bom aliado para a atualização comportamental do consumidor é o uso da IA. No varejo, por exemplo, a utilização de inteligência artificial tem transformado o setor a partir de seis etapas. Uma delas é com a previsão do comportamento do cliente. A partir de uma análise preditiva as necessidades dos consumidores são antecipadas.  O que possibilita ações mais efetivas que conquistam o público.


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