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Nobel de Economia chama atenção para gender gap e mulheres no mercado de trabalho

Nobel de Economia chama atenção para gender gap e mulheres no mercado de trabalho

Após Claudia Goldin ganhar o Nobel da Economia, a discussão sobre as disparidades de gênero no mercado de trabalho voltou com tudo

É a terceira vez na história que uma mulher ganha o Nobel de Economia: a norte-americana Claudia Goldin foi laureada em em 2023. A professora e pesquisadora de Harvard fez uma pesquisa abrangente que analisa a disparidade de gênero entre homens e mulheres e a participação feminina no mercado de trabalho ao longo de séculos.

Claudia mostra que mulheres são obrigadas a fazer escolhas importantes mais cedo do que os homens – seja no âmbito profissional ou no pessoal, como a maternidade. Essa é inclusive, a razão que mais faz mulheres com diplomas universitários ganharem bem menos do que homens, que são pais, e têm o mesmo nível de escolaridade.

Pela perspectiva brasileira, uma pesquisa feita pela W.Lab, uma parceria dos institutos Locomotiva e IDEIA, mostra que as mulheres detêm apenas 37% da renda gerada no mercado de trabalho, mas são responsáveis por 52% das horas trabalhadas. Ou seja: trabalhamos mais, para recebermos menos do que homens nas mesmas posições. A disparidade salarial entre gêneros, conhecida como gender gap, foi o tema do estudo de Goldin que motivou a premiação da academia sueca.

Claudia Goldin foi laureada com o prêmio Nobel de Economia por sua pesquisa sobre as mulheres no mercado de trabalho
Claudia Goldin foi laureada com o prêmio Nobel de Economia por sua pesquisa sobre as mulheres no mercado de trabalho

Além disso, o estudo aponta que 92% dos brasileiros acham que as profissionais sofrem mais situações de constrangimento e assédio que os homens no ambiente profissional, e 68% das mulheres afirmam que falta tempo no seu dia para outras atividades. Pensando nisso, foi sancionada em julho deste ano a Lei da Igualdade Salarial (1085/2023), fundamental para combater a discrepância de remuneração entre os gêneros. 

“Os números mostram uma contradição muito representativa das desigualdades de gênero no país, que se acentuam ainda quando consideramos os recortes de classe. Nas classes D e E, por exemplo, 57% dos lares são chefiados por mulheres. Mesmo sendo as responsáveis financeiras da casa, elas seguem acumulando a maior parte do trabalho doméstico, fruto de uma cultura que precisa ser debatida com urgência”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Os índices são piores para mulheres de classes mais baixas que são chefes de família: na classe C o percentual é de 51%, enquanto para as mais abastadas, os números chegam a 43%. Para mulheres pretas a situação chega a ser ainda mais triste no mercado de trabalho. Elas ainda ocupam proporcionalmente menos vagas de trabalho formais, com carteira assinada, do que homens, e recebem 54% menos que homens brancos mesmo possuindo o mesmo nível de escolaridade.

Leia mais: Remessa Conforme: o que muda para a empresas e para o consumidor?

A dupla jornada de trabalho também afeta mais mulheres do que homens, principalmente para as mais pobres. “Importante lembrar também que grande parte delas assume esse papel simplesmente por serem deixadas sozinhas com os filhos, fenômeno mais comum nas classes mais baixas”, finaliza Cila Schulman, CEO do Instituto de Pesquisa IDEIA

Áreas mais ocupadas por mulheres no mercado de trabalho e por quê

Marilane Teixeira, economista, professora e pesquisadora da UNICAMP na área de trabalho, relações de trabalho e gênero, explica que essa condescendência com a capacidade das mulheres no mercado de trabalho vem de um pensamento muito antigo. “Como fomos sempre vistas como donas de casa, mães, esposas, em que o saber foi construído no ambiente doméstico, que é saber cuidar de uma casa. È explícito que a linha de pensamento é que somos ótimas para sermos trabalhadoras domésticas, boas cuidadoras, educadoras”, aponta. 

Assim, grande parte das mulheres acaba indo para essas áreas – da educação, da saúde, dos cuidados, e da assistência. “Mas são profissões, ocupações, que são muito pouco valorizadas socialmente”, continua, “será porque são ocupadas por mulheres que são pouco valorizadas, ou porque têm uma naturalização de considerar que são habilidades que mulheres adquirem quase que inercialmente?”, questiona Marilane. Ou seja, quando entram no mercado de trabalho, grande parte das mulheres acaba enveredando para áreas estereotipadas. E, novamente, isso recai pesadamente sobre aquelas que são chefes de família. “Nós temos uma sociedade em que as mulheres são, em grande medida, chefes de família. Somos as principais responsáveis pelo sustento da casa”, continua.

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Segundo Marilane, hoje, a taxa de desemprego entre as mulheres jovens é de 30%. Entre as que estão empregadas, um terço possui ensino superior completo, enquanto apenas 16% dos homens em cargos de gerência têm algum diploma universitário.

“Um número bem expressivo, talvez em torno de 20% das mulheres que abandonam a busca pelo trabalho, são motivadas por gravidez”, acrescenta Marilane. Muitas empresas evitam contratar mulheres justamente pela possibilidade de gestação, já que os benefícios trabalhistas como licença-maternidade são muitas vezes considerados encargos a mais para o empregador. “O número de mulheres que abandonam o trabalho depois da gravidez porque não tem como lidar com o problema da ausência de políticas públicas, a ausência de creches no Brasil, é imenso. Isso é uma deficiência que precisa ser enfrentada com certa urgência”, finaliza.



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