Com um valor de US$ 10 bilhões ao final de 2025, o Brasil representa o segundo maior mercado de luxo da América Latina. Fflur Roberts, Head of Luxury na Euromonitor International, empresa responsável pelo estudo, afirma que o mercado brasileiro é um verdadeiro “outlier”, ou seja, um ponto fora da curva.
Segundo a pesquisadora, apesar dos desafios macroeconômicos globais, o Brasil deve registrar um crescimento real de 6% já no próximo ano, com uma projeção de expansão de 24% nos próximos cinco anos. O que injetará mais de US$2 bilhões na economia nacional do setor.
A mentalidade do consumidor mudou
Segundo a pesquisadora, essa robustez financeira é acompanhada por uma transição profunda na mentalidade do consumidor, que migra aceleradamente do materialismo para o que Fflur define como “experiencialismo“.
Ela destaca que o luxo moderno no Brasil não se trata apenas de vender mais, mas de criar valor real através da experiência. “As pessoas agora buscam experiências que sejam apoiadas pela qualidade e que gerem memórias positivas profundamente ligadas ao bem-estar”, afirma.
A Euromonitor aponta que o status do consumidor agora é medido de forma crescente pelo estilo de vida e pela busca por propósitos claros nas marcas consumidas. Essa mudança reflete uma nova prioridade: quase metade dos consumidores brasileiros (42%) afirma que agora compra menos, mas compra melhor. Priorizando, assim, valor, durabilidade e o conceito de “luxo silencioso” em detrimento do consumo desenfreado.
A tendência de “terceiros espaços”
Para Fflur Roberts, esse novo capítulo da economia da experiência no luxo também exige que as marcas evoluam para além da boutique tradicional, explorando o conceito de “terceiros espaços” que integrem arte, gastronomia e vivências imersivas.
Um exemplo emblemático citado por ela é a pop-up Blue Box Café, da Tiffany & Co., realizada no Shopping Iguatemi São Paulo. A iniciativa transformou a joalheria em um destino de estilo de vida, unindo design e hospitalidade para celebrar a identidade da marca de forma interativa.
Da mesma forma, o próprio Rosewood São Paulo é destacado pela executiva como um hub cultural de sucesso, utilizando sua curadoria de arte local para criar conexões emocionais profundas que fidelizam o cliente moderno através de experiências 360 graus.
Para Thaya Marcondes, CEO do LuxuryLab Global Brasil, fórum de inteligência de mercado e tendências do setor de luxo na América Latina, a presença de dados tão robustos sobre o Brasil no estudo da Euromonitor reafirma a importância de São Paulo como o epicentro da inteligência estratégica desse mercado de luxo na região. “É a confirmação de que o Brasil não é apenas um mercado consumidor, mas o motor que define os próximos passos do setor de luxo na América Latina”, frisa Thayna.
São dados e análises que evidenciam o potencial do luxo no Brasil, e como a inovação e o alto padrão do setor seguem antecipando tendências em CX e inspirando outros mercados.





