Os pagamentos entre empresas ainda têm espaço para avançar na digitalização no Brasil. É nesse movimento que a Mastercard quer ganhar terreno, ampliando a oferta de soluções B2B que incluem cartões virtuais, pagamentos internacionais e ferramentas para gestão das operações.
Segundo Marcelo Tangioni, CEO da Mastercard Brasil, a indústria de cartões movimentou R$ 4,5 trilhões no País no fim do ano passado, mas apenas cerca de 9% desse volume corresponde a transações realizadas por pessoas jurídicas. Para a empresa, é justamente nesse espaço que está uma das principais fronteiras de crescimento dos próximos anos.
“O mercado de pessoa física já é muito grande” e tem forte penetração de meios eletrônicos, afirma Tangioni, em evento exclusivo para a imprensa. No B2B, por outro lado, ainda há um espaço para a digitalização. A estimativa da Mastercard é de que entre US$ 700 bilhões e US$ 750 bilhões em fluxos de pagamentos corporativos tenham potencial para migrar para os trilhos dos cartões.
“O Brasil é um dos países mais avançados do mundo em termos de meios de pagamento eletrônico. Muito em breve, o país vai se tornar o que a gente chama de cashless society. Dentro das grandes economias mundiais, talvez seja o primeiro país, quando a gente olha para as dez maiores economias em termos de tamanho”, afirma Tangioni.
Pequenas empresas no centro da estratégia
Para Walter Pimenta, vice-presidente executivo de B2B e novos fluxos de pagamentos da Mastercard na América Latina, a transformação dos pagamentos corporativos passa, em primeiro lugar, pelas pequenas e médias empresas.
Segundo dados apresentados pelo executivo, elas representam 95% das empresas brasileiras, respondem por 80% das vagas formais de trabalho e contribuem com quase 30% do PIB nacional.
A digitalização, no entanto, também aumenta a complexidade da gestão desses negócios. Empresas precisam vender em diferentes canais, lidar com novas demandas de estoque e logística, reforçar a segurança digital e, muitas vezes, organizar melhor a separação entre as finanças pessoais dos sócios e as contas da própria empresa.
“O grande catalisador dessa mudança, é o consumidor. Somos todos nós, que compramos de maneira digital, que compramos online, que fazemos com que essas empresas tenham que estar preparadas para vender online, para vender de maneira digital e nos pontos de venda”, destaca Walter.
A companhia também vê espaço para o crescimento dos pagamentos B2B no comércio eletrônico. A expectativa apresentada pela Mastercard é de uma expansão de cerca de 23% ao ano desse segmento nos próximos seis anos na América Latina, impulsionada, entre outros fatores, pelo aumento das compras internacionais realizadas por empresas.
“Pequenas e médias empresas que compravam de fornecedores domésticos, passaram a usar o comércio eletrônico como uma maneira de comprar de fornecedores que estão em outros países. Então, a gente tem hoje um fluxo muito grande de lojistas brasileiros que compram da China e dos Estados Unidos. E essa tendência faz com que as empresas tenham um novo tipo de transação”, diz Walter.
Entre as soluções anunciadas está o Mastercard Move, plataforma que permite a bancos e fintechs oferecer pagamentos internacionais diretamente em seus próprios canais. A proposta é simplificar transações cross-border para empresas, sem a necessidade de o cliente recorrer a diferentes plataformas para concluir a operação.
Outro ponto destacado por Pimenta é o acesso ao crédito por parte das PMEs. O executivo vê um crescimento bastante acentuado dos cartões de crédito. “As pequenas e médias empresas passam a ver os 30 dias de liquidação da fatura, literalmente, como acesso a capital de giro. Isso tem crescido e se tornado uma tendência bastante interessante no Brasil, ainda que o acesso ao crédito seja um desafio”, observa.

Cartões virtuais para automatizar o B2B
Para as grandes corporações, a principal aposta está nos cartões virtuais. Atualmente, processos de pagamento entre empresas ainda envolvem boletos, transferências bancárias e etapas manuais de reconciliação entre contas a pagar e a receber. Segundo Pimenta, essa operação pode gerar custos, ineficiências e riscos de fraude.
O cartão virtual B2B funciona de forma diferente de um cartão tradicional: cada credencial é gerada especificamente para uma única transação e para um determinado recebedor. Com isso, a Mastercard permitirá que as empresas identifiquem automaticamente, em tempo real, a origem e o destino de cada pagamento, ampliando o controle sobre as transações e melhorando a eficiência operacional e a gestão do fluxo de caixa.
A tecnologia ainda está em fase inicial no Brasil. A Mastercard informou que conta atualmente com sete emissores de cartões virtuais no país, enquanto globalmente são cerca de 90 instituições utilizando esse tipo de solução.
Turismo é uma das primeiras frentes
Um dos primeiros segmentos em que a Mastercard espera acelerar a adoção dos cartões virtuais é o B2B Travel. Nesse mercado, uma única compra de viagem pode gerar uma cadeia de pagamentos entre empresas, envolvendo companhias aéreas, hotéis, locadoras e outros fornecedores.
Para atender esse fluxo, a companhia anunciou uma parceria com o Citi no Brasil, lançando uma solução baseada em números de cartões virtuais, ou VCNs, especificamente voltada à indústria de viagens. A tecnologia cria uma credencial única para cada transação, buscando reduzir processos manuais, ampliar a segurança e facilitar a reconciliação dos pagamentos entre os diferentes participantes da cadeia.
A estratégia da Mastercard, portanto, vai além de aumentar a participação dos cartões nas transações corporativas. A empresa vê na digitalização dos pagamentos B2B como uma forma de resolver desafios ligados a segurança, gestão financeira, automação e acesso a soluções mais integradas.
“Para as grandes empresas, o foco é na questão do VCN, do cartão virtual, que é por transação”, resume Pimenta. A expectativa é que a tecnologia ajude empresas a ganhar mais controle, automatizar processos e melhorar a gestão do fluxo de caixa.





