Ricardo Dias é um dos principais nomes da nova geração de marketing e referência em projetos que unem marcas, tecnologia e influência digital. Cofundador da Adventures, que conecta marcas a celebridades e creators para desenvolver projetos e produtos com forte apelo digital e engajamento em redes sociais, Ricardo consolidou-se como referência na chamada creator economy.
Diante de um mercado impulsionado pela cultura digital, novas tecnologias e datacanalidade, Ricardo percebe que, apesar de vivermos um novo momento para o marketing, as estratégias de sucesso versam ainda sobre conceitos intransponíveis como propósito, tangibilidade e cocriação. Tudo, claro, potencializado pelas novas tecnologias.
Analisando os novos desafios e as oportunidades dessa nova jornada do marketing na construção de marcas, Ricardo traz uma visão provocadora e construtiva para quem deseja impactar clientes com sucesso. Veja a seguir, as análises do especialista sobre questões pontuais como emoção, dados e o futuro do marketing.
A “nova” fronteira da conexão emocional
“Marketing sempre foi sobre emoção, afinal, marcas não vendem produtos – vendem significado. O que mudou é a física do jogo: hoje esse significado é amplificado em tempo real por dados, IA generativa e plataformas que permitem personalizar mensagens para milhões de consumidores ao mesmo tempo.
Antes bastava um filme de 30 segundos; agora você precisa de uma narrativa viva, conversacional, que se adapta ao contexto do feed, do app de delivery e até da assistente de voz. A competitividade emocional atualmente é sobre marcas que transformam dados em histórias relevantes na velocidade do scroll.”
Recorrência vs. conversão
“O consumidor atual não é infiel; ele é pragmático. Quando tudo parece igual, o critério vira preço. Marcas que equilibram ticket e lealdade fazem três coisas: criam rituais proprietários que elevam o valor percebido; premiam comportamentos, não apenas compras; e redefinem o produto como serviço, com assinatura, reposição automática e comunidades.”
Dados, personalização e a dureza da cultura interna
“Ferramenta não resolve cultura. Vejo muita empresa com CDP (Customer Data Platform) de ponta e mentalidade da década passada. Os erros nascem de três gaps:
- Governança: Dados em silos, métricas conflitantes, pouca confiança nos insights.
- Talento híbrido: Martech sem gente que traduza números em narrativa gera dashboards estéreis.
- Coragem criativa: Machine Learning entrega probabilidade, não inevitabilidade. Falta quem assuma risco calculado.”
Por que ainda insistimos em erros básicos?
“Porque é mais barato disparar banner do que reformular uma promessa de marca. Também porque boa parte dos incentivos está em métricas de vaidade de curto prazo. Enquanto KPI de campanha for ‘custo por clique’, veremos criativos genéricos e retargeting invasivo. Resolver isso exige ajustar o altímetro: trocar frequência bruta por useful reach, ou seja, quantas vezes fui genuinamente útil àquela pessoa.”
A IA está matando a intuição do marketing?
“Pelo contrário. A IA mata a adivinhação, não a intuição. Dados retiram atrito de coleta, liberando tempo para o ser humano fazer o que a máquina ainda não domina – dar sentido cultural. Com isso, a intuição ganha superpoderes e insights que são validados em minutos, prototipados em horas, escalados em dias.”
Como diferenciar sem cair no “algoritmo de mesmice”?
“Procure posicionamento com ponto de vista, escolha uma tensão cultural (sustentabilidade, inclusão, performance) e seja radicalmente claro sobre como a marca se posiciona. Tenha ativos distintivos consistentes: cor da tampa, trilha sonora, mascote e outros elementos que o algoritmo não pode copiar. Além disso, pratique cocriação real. Abra o backstage, convide creators e comunidades a participar – isso adiciona um sotaque local que a análise estatística não prevê.”
O ponto central da conexão emocional hoje é…
“Entregar uma transformação percebida. ‘Com esta marca eu me sinto/pareço/sou’. Isso nasce da interseção de três círculos: propósito autêntico (o ‘porquê’ que move a companhia); prova tangível (produto + serviço que cumprem a promessa); e participação contínua (experiência em que o cliente é coautor).
Essa é a lente que levo para qualquer debate sobre emoção, dados e o futuro do marketing: tecnologia é só a engrenagem; o motor continua sendo a nossa capacidade de criar significado que reverbera o coração (e o bolso) das pessoas”, finaliza Ricardo.






