/
/
Como a IA está recalibrando o papel do Product Manager

Como a IA está recalibrando o papel do Product Manager

Longe de substituir o Product Manager, a IA reposiciona o profissional: menos backlog, mais empatia com o consumidor e decisões de impacto.
Longe de substituir o Product Manager, a IA reposiciona o profissional: menos backlog, mais empatia com o consumidor e decisões de impacto.
Foto: Shutterstock.
A IA está redefinindo o papel do Product Manager: tarefas operacionais cedem espaço à estratégia, e profissionais que souberem integrar IA ao seu fluxo de trabalho sairão na frente. Personalização, velocidade e foco na experiência do usuário são as novas fronteiras competitivas. Entenda tudo isso nas análises de especialistas do Nubank, ClickBus, Itaú BBA, ElevenLabs e Afya.

A IA já não é apenas uma ferramenta de produtividade. É um agente de mudança estrutural na forma como Product Managers e empresas operam no mercado.

Acelerar a inovação, transformar dados em informações estratégicas, construir processos mais ágeis e eficientes e até apoiar decisões complexas sobre criação de produtos, serviços e modelos de negócio. Tudo isso já está ao alcance das organizações que enxergam a IA não como um recurso isolado, mas como parte integrada ao seu ecossistema de trabalho.

Nesse cenário, atividades tradicionalmente operacionais dos Product Managers, como documentação, organização de backlog, síntese de reuniões e priorização inicial, tendem a ser cada vez mais automatizadas. Com isso, o foco desses profissionais migra para competências mais estratégicas: visão de mercado, entendimento profundo do consumidor e tomada de decisão baseada em contexto.

A IA na aceleração do ciclo de inovação

Um dos impactos mais concretos da IA nas organizações é a capacidade de comprimir o ciclo de inovação de produtos. Ferramentas de IA generativa já permitem criar protótipos funcionais em poucas horas, reduzindo drasticamente o tempo entre ideia, validação e lançamento. Na prática, isso torna os testes mais baratos, acelera o aprendizado e permite que empresas experimentem soluções com muito menos esforço técnico inicial.

Soma-se a isso a capacidade de análise comportamental do consumidor. Plataformas inteligentes conseguem consolidar grandes volumes de dados e feedbacks de usuários para identificar padrões, dores recorrentes e oportunidades de melhoria com uma velocidade antes inviável.

Cinthia Scarlatti, Lead Product Manager de Growth US do Nubank, resume bem esse momento. “Anos atrás, levaríamos horas para organizar documentos, criar reports de reuniões, analisar dados, testar novos produtos. Hoje, com os diversos modelos de IA – utilizados em conjunto –, você pode reduzir esse trabalho a minutos”, afirma durante o PM3 Summit, realizado em São Paulo.

A executiva vai além e oferece uma orientação prática. “Tentem extrair o máximo das ferramentas de IA que você já possui. Não existe uma fórmula mágica para um prompt – e a própria IA pode te ajudar nisso. É desse uso e dessa relação com a tecnologia que você evolui. E os recursos deixam o profissional focado naquilo que importa: o cliente.”

O impacto no usuário

A IA também já transformou a forma como as pessoas interagem com produtos digitais. Mas, nem toda mudança representa uma ruptura real. Separando o que de fato está evoluindo do que ainda é hype, as empresas mais atentas estão avançando em quatro frentes: personalização, velocidade, comunicação e segurança.

Ana Zucato, fundadora e CEO da Noh, fintech brasileira de finanças pessoais, defende que a comunicação humanizada –conduzida pelos próprios membros da equipe – é mais eficaz do que os canais tradicionais de marca. “Comunicar o valor do produto com uma abordagem ‘humano em primeiro lugar’ e omnicanal tornou-se tão crucial quanto o próprio desenvolvimento da funcionalidade”, afirma.

Da mesma forma, a hiperpersonalização e a linguagem natural passaram a ser determinantes na relação produto/usuário. “A eficiência e a remoção de atritos são mais importantes para o usuário do que a sofisticação tecnológica. A IA de voz pode ser uma camada estratégica para melhorar a conexão com o cliente por meio da personalização”, explica Larissa Balakdjian, responsável pelo GTM da ElevenLabs. Para ela, o Brasil tem uma vantagem competitiva relevante: é criativo e early adopter, o que cria uma grande janela de oportunidade de mercado.

IA: do hype à commodity

Ainda, conforme a Inteligência Artificial passa da fase de experimentação, o diferencial deixa de ser a adoção da tecnologia e passa a ser a eficácia da experiência do usuário.

“A IA deve ser integrada proativamente na jornada do usuário para demonstrar seu valor e impulsionar a adoção. As pessoas usam uma IA preferida para tomar decisões e depois vão aos produtos para confirmar – o que afeta diretamente métricas de busca e engajamento. As empresas que não perceberem a relevância desse comportamento, dessa experiência, perderão clientes rapidamente”, alerta Felipe Bede, AI & ML Product Lead/Staff na Afya.

Larissa Menezes, Product Manager de Digital Assets no Itaú BBA, reforça que os profissionais de produto precisam ir além do lançamento de funcionalidades. “É preciso comunicar claramente a proposta de valor, integrando a comunicação desde o início do desenvolvimento”, frisa.

Foco como arma estratégica

A IA generativa não está apenas acelerando o desenvolvimento de produtos, como também está colapsando o modelo tradicional de organização e operação. Caio Tozzini, Sr. Director of Product da ClickBus, aponta durante o evento um diferencial que se revelou central na transformação vivida pela empresa: a capacidade de escolher o que vale a pena construir. “O foco se torna uma arma estratégica”, resume.

Caio observa que o modelo das empresas que buscam ser AI-first também está se transformando. Historicamente, as organizações eram fechadas sobre suas intenções e, principalmente, sobre suas dores. Hoje, os times precisam ter clareza sobre o ambiente em que atuam para criar soluções reais para cada desafio e cada oportunidade. “Os líderes devem repensar o modelo operacional – não apenas a adoção de ferramentas. E todos os profissionais precisam se adaptar proativamente a essa nova realidade, mesmo que precisem buscar esse desenvolvimento fora das empresas”, pontua.

O executivo também alerta para uma reconfiguração nas competências valorizadas: as hard skills perdem espaço – já que boa parte delas a IA veio substituir e acelerar –, enquanto as soft skills ganham protagonismo. Visão estratégica de negócio, capacidade de adaptação e habilidade para desbloquear a evolução do time tornam-se os ativos mais preciosos.

IA não elimina o Product Manager

Em síntese, a IA não chega para eliminar o Product Manager. Ela redefine quais habilidades serão mais valiosas agora e no futuro. Em um cenário de automação crescente, ganham relevância os profissionais capazes de interpretar sinais de mercado, compreender profundamente o consumidor e transformar insights em estratégias de negócio concretas.

E, com a IA permitindo avanços cada vez mais rápidos, toda liderança precisa estar mais atenta ao que realmente importa. Evitando, assim, a proliferação de produtos que elevam complexidade e custos e, no médio prazo, desaceleram a empresa.

Como bem sintetiza Caio Tozzini: “O lançamento é o começo. É preciso sustentação, vendas, manutenção, monitoramento e otimização.”

*As análises e perspectivas apresentadas foram realizadas durante o PM3 Summit 2026, em São Paulo.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

CM Innovation Summit chega à segunda edição e, dessa vez, o futuro não pode esperar 
De 10 a 13 de novembro, grandes executivos brasileiros se reúnem em Orlando para uma imersão que transforma urgência em estratégia.
Marília Zanotti, Head de CX Latam da TotalPass, conta como transformou uma operação reativa numa máquina de resolução e por que o colaborador que treina às 5h da manhã é o seu maior ativo estratégico.
De 15 horas para 6 minutos: a virada do atendimento da TotalPass 
Marília Zanotti, Head de CX Latam da TotalPass, conta como transformou uma operação reativa numa máquina de resolução e por que o colaborador que treina às 5h da manhã é o seu maior ativo estratégico.
Parceria estratégica combina tecnologia com expertise operacional global para entregar experiências mais inteligentes e personalizadas.
NiCE e Konecta unem forças para impulsionar o CX com IA agêntica
Parceria estratégica combina tecnologia com expertise operacional global para entregar experiências mais inteligentes e personalizadas.
A collab entre Swatch e Audemars Piguet virou febre global, mas também abriu um debate sobre os limites do marketing baseado em hype.
Royal Pop: quando o hype vira caos nas portas das lojas
A collab entre Swatch e Audemars Piguet virou febre global, mas também abriu um debate sobre os limites do marketing baseado em hype.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.