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Manufatura acelera investimentos em IA e entra na era dos agentes autônomos

Manufatura acelera investimentos em IA e entra na era dos agentes autônomos

Indústria acelera a adoção de agentes de IA, amplia retorno sobre investimentos e reforça segurança e apoio executivo para escalar a transformação digital em processos críticos, da fábrica à cadeia de suprimentos.
Manufatura acelera investimentos em IA e entra na era dos agentes autônomos
Foto: Shutterstock.com
A indústria intensifica investimentos em IA em 2025, com forte adoção de agentes autônomos conectados a sistemas críticos e já entregando ROI em áreas como qualidade, produção e logística. Executivos direcionam mais da metade do orçamento futuro exclusivamente para esses agentes, impulsionados por ganhos operacionais e apoio da alta liderança. Segurança e governança tornam-se prioridade na escolha de fornecedores, diante de riscos crescentes relacionados ao uso avançado de IA.

O setor manufatureiro iniciou 2025 com uma onda de investimentos ainda mais intensa em Inteligência Artificial (IA). Após consolidar a IA generativa em 2024, as empresas agora avançam para uma fase marcada pela adoção de agentes de IA mais sofisticados, capazes de realizar tarefas com maior autonomia e de se conectar a sistemas corporativos críticos.

O movimento aparece com clareza no segundo relatório anual sobre retorno do investimento em IA na manufatura, encomendado pelo Google Cloud e conduzido pelo National Research Group.

O estudo confirma que a aposta na tecnologia não apenas se manteve, como ganhou velocidade.

“Os fabricantes estão investindo pesado em IA, à medida que as organizações continuam a aumentar seus investimentos e retornos, impulsionados pelo surgimento de agentes de IA”, afirma Praveen Rao, diretor global de Manufatura do Google Cloud. Para ele, o próximo ano será marcado pela capacidade de transformar o impulso conquistado em 2024 em ganhos ainda mais expressivos.

A pesquisa reúne respostas de 517 líderes globais que já implementaram IA generativa em suas operações, como executivos de TI, marketing, inovação e altos cargos operacionais. Entre esses profissionais, 78% afirmam que suas empresas já enxergam retorno com o uso de tecnologias de IA de última geração. Ou seja, a fase experimental ficou para trás.

Agentes de IA se tornam o divisor de águas

O relatório aponta para uma mudança de paradigma com a chegada da chamada “IA ativa”. Ela é caracterizada por sistemas multiagentes que conseguem planejar, raciocinar e agir em nome do usuário sob supervisão.

De acordo com o levantamento, 56% das organizações já utilizam agentes de IA. Dentro desse grupo, 37% adotaram mais de dez agentes diferentes para otimizar seus processos.

A presença dessa tecnologia se expandiu de forma acelerada em áreas essenciais, como controle de qualidade (54%), planejamento de produção (48%), cadeia de suprimentos e logística (47%), fábrica e produção (46%).

A relevância desse movimento fica evidente quando se observa que 55% dos executivos planejam direcionar metade ou mais de todo o orçamento futuro de IA exclusivamente para agentes de IA.

ROI avança e muda a rota dos investimentos

A aceleração da adoção de agentes de IA já se traduz em ganhos palpáveis. O relatório mostra que áreas como marketing (40%), atendimento e Experiência do Cliente (38%) e produtividade e pesquisa (36%) figuram entre as primeiras a apresentar retornos significativos.

No entanto, as maiores oportunidades de ROI estão nos processos essenciais de manufatura, como controle de qualidade (35%), fábrica e produção (32%) e cadeia de suprimentos e logística (31%). O valor dessas áreas essenciais decorre de seu impacto direto na geração de receita, mitigação de riscos, eficiência e capacidade de competir.

Os exemplos operacionais reforçam a amplitude desses impactos. Agentes inteligentes já conseguem:

  • Ajustar automaticamente o funcionamento de máquinas para evitar defeitos em tempo real;
  • Analisar a planta fabril para identificar gargalos;
  • Automatizar verificações de qualidade;
  • Otimizar fluxos de produção;
  • Apoiar pesquisa e desenvolvimento na criação de materiais ou no desenho de novos produtos;
  • Treinar funcionários ou auxiliar equipes técnicas na resolução de problemas complexos.

A força do apoio executivo na escala da IA

A consolidação da IA nas operações depende, sobretudo, de alinhamento estratégico. O relatório mostra que empresas com forte apoio da alta administração têm 84% de probabilidade de obter retorno sobre seus investimentos. Em contraste, o número cai para 75% entre organizações que não contam com esse nível de patrocínio.

Assim, a participação direta das lideranças é determinante para que iniciativas de IA se espalhem da fábrica para áreas como marketing, vendas e finanças, pois permite que a tecnologia alcance impacto organizacional mais amplo.

Os dados revelam efeitos concretos dessa maturidade. Em produtividade, 75% dos executivos afirmam que a IA resultou em aumentos mensuráveis e 65% destacam melhorias significativas em processos não relacionados à TI. Além do avanço geral na eficiência das equipes, um salto expressivo em relação ao registrado no ano anterior, quando o indicador era de 56%.

Na Experiência do Cliente, 64% afirmam ter observado evolução e 86% relatam ganhos superiores a 6%, um número acima do registrado em 2024, quando essa proporção era de 81%.

A geração de negócios também foi beneficiada: 60% das empresas perceberam crescimento impulsionado pela IA e, entre elas, 89% estimam que esse avanço ultrapassou a marca de 6%.

Os efeitos positivos ainda se estendem a marketing, área em que 58% dos executivos identificaram impactos relevantes, e à segurança, que registrou melhorias na capacidade de integrar inteligência e resposta, identificar ameaças e reduzir tempos de resolução.

Segurança e governança ditam fornecedores

Para Rao, esses resultados reforçam que “o sucesso da IA depende de uma profunda colaboração interfuncional, mas é o apoio da alta administração que realmente impulsionará os resultados”. Isso não apenas ao viabilizar investimentos, mas também ao orientar decisões estratégicas sobre o papel da tecnologia.

Conforme os agentes de IA se tornam parte integrante da operação, cresce também a preocupação das empresas com riscos amplificados pela própria Inteligência Artificial, como acesso indevido a informações, alucinações geradas por modelos, envenenamento de dados e novos tipos de ataques promovidos por agentes maliciosos.

A pesquisa mostra que a principal prioridade dos executivos ao avaliar fornecedores de modelos de linguagem é a segurança e a privacidade dos dados, que aparece à frente de critérios como integração, escalabilidade ou desempenho técnico. Para uma indústria altamente dependente de propriedade intelectual, proteger ativos sensíveis é condição para avançar.

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