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Inovação para o varejo: um investimento na mira de venture capitals

Inovação para o varejo: um investimento na mira de venture capitals

Como os investidores de risco pretendem investir em inovação no varejo? Como avaliam o cenário e que oportunidades enxergam? O Shoptalk trouxe investidores de risco para revelarem seus planos para o varejo global
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Há liquidez de sobra no mundo para captação de investimentos. Mas boas ideias e negócios consistentes, com boas perspectivas de futuro não existem na mesma proporção. Os investidores de risco estão a procura de tecnologias de comércio eletrônico, novos modelos de negócios a tecnologias em evolução como IA, robótica, blockchain e seus desdobramentos. A partir dessas premissas, investidores da Union Square Ventures, Cowboy Ventures e Lightspeed Ventures Partners debateram no Shoptalk sobre suas preferências e como identificam boas oportunidades de negócio, no painel “Perspectivas de inovação no varejo para empresas de venture capital”.

Ken Fanyo, líder de mercados de consumo da McKinsey, Rebecca Kaden, Sócia executiva da Union Squares Ventures, Aileen Lee, fundadora e sócia executiva da Cowboy Ventures e Nicole Quinn, sócia da Lightspeed Venture Partners falaram no Shotptalk sobre as mudanças que eles vislumbram no comportamento dos consumidores, como eles descobrem, escolhem e compram. Também discutiram como identificam os negócios que definirão a próxima geração de comércio, tanto em lojas quanto on-line.

A Union Square Ventures é uma empresa de capital de risco sediada em Nova York que administra mais de US $ 1 bilhão em sete fundos. Investe em negócios que ampliam o acesso ao conhecimento, capital e bem-estar. Seu portfólio inclui a ShopShops, uma rede interativa de comércio global, e a Day & Co, uma plataforma de comércio para mulheres de grande porte. Segundo Rebecca Kaden, Managing Partner da empresa, ela e sua equipe determinam quais empresas apresentam as melhores oportunidades para a USV e como a tese de investimento da empresa evoluiu com o tempo. Para a Union Square, o foco de investimentos está em companhias orientadas a plataforma, capazes de criar conexões, engajamento e vínculos emocionais com seus clientes. Empresas focadas apenas em transações não têm capacidade de criar grandes comunidades e são desinteressantes.

O varejo tradicional continua interessante?

O Cowboy Ventures é um fundo focado no cenário de investimentos iniciais que apóia os fundadores que estão construindo produtos que reinventam o trabalho e a vida pessoal em mercados grandes e em crescimento. Os investimentos de Cowboy incluem o Dollar Shave Club, Brandless, Memebox, Brava e NuORDER. A fundadora e sócio-gerente, da empresa, Aileen Lee, que cunhou o termo “unicórnio” em um artigo do TechCrunch em 2013, falou sobre como vê os investimentos de capital de risco mudando tanto na tecnologia de comércio quanto nas startups direcionadas ao consumidor. Isso inclui os formatos de negócio que a Cowboy planeja investir com seu novo fundo de US$ 95 milhões, anunciado em agosto de 2018.

A Cowboy está sempre à procura de boons negócios, não importa que estejam localizados em startups ou empresas tradicionais, desde que tenham boas tecnologias. Ela diz que empresas que vendem diretamente para consumidores estão na mira mas precisam ser analisadas com cuidado.

A Lightspeed Venture Partners é uma empresa de capital de risco em estágio inicial, focada na aceleração de inovações e tendências disruptivas nos setores de consumo e empresarial. Nas últimas duas décadas, a equipe da Lightspeed apoiou centenas de empreendedores e ajudou a construir mais de 300 empresas globalmente, incluindo Snap, Stitch Fix, GIPHY, Nest, AppDynamics e GrubHub. Atualmente, a empresa administra mais de US$ 4 bilhões em capital comprometido e investe nos EUA e no exterior. Nicole Quinn sócia da Lightspeed comentou sobre a posição dos investimentos em capital de risco nos EUA e na Europa, e como procura descobrir as plataformas, mercados, empresas de mídia e comércio eletrônico de amanhã. Para Nicole, o foco está em empresas que possam estar associadas à celebridades, personalidades capazes de reduzir os custos de aquisição dos clientes e gerar maiores margens e crescimento acelerado.

A alta moda acessível

Aileen questiona Nicole sobre a orientação da Lightspeed de buscar negócios associados a celebridades. Até que ponto esse tipo de empresa é sustentável? A executiva da Lightspeed enfatiza que marcas com propósitos reais como de Gwyneth Paltrow, Lady Gaga e Jessica Alba mostram a validade da estratégia. Claro que há uma inclinação para marcas e empresas voltadas para moda e beleza, mais suscetíveis a ação de influenciadores. Rebecca afirma que a estratégia é válida porque consumidores não se apaixonam por modelos de negócio, mas sim por propósitos, ideias que façam sentido para eles. Para a executiva da Cowboy Ventures, o conceito de varejo de moda está em transformação. “No futuro, as mulheres não irão consumir, comprar produtos de alta moda. O que terá validade real é o acesso e dessa forma, plataformas que ofereçam acesso são mais atraentes”.

O horizonte traz também oportunidades para novas marcas emergentes, aquelas que conseguem transmitir autenticidade, que geram engajamento sólido e genuíno. As investidoras veem com bons olhos marcas pequenas, saudáveis que capturam os corações e mentes dos clientes. Aileen afirma que há muitas categorias a espera de inovações que agreguem valor a produtos adormecidos. A inspiração, segundo ela, deve ser sempre a Starbucks, que incentivou milhões de consumidores a pagar US$ 5-US$ 6 por um copo de café. Negócios que sejam desenhados de forma super-acessível, que sejam viciantes, que permitam aos consumidores terem sempre motivos para comprarem são os ideais para receberem investimentos e aportes.

A loja física tem que sair do lugar comum

E o varejo físico, entra nessa equação ou não está no radar dos venture capitals, questiona Ken Fanyo. Na visão de fundos de investimento, modelos que combinam a aquisição de cientes através de múltiplos canais são interessantes – Warby Parker e Bonobos são bons exemplos. O desafio é encontrar negócios que tenham lojas físicas e sejam realmente rentáveis. O varejo físico precisa ser versátil e não vinculado a pontos extremamente custosos, fixos. Quiosques, pop up stores, formatos móveis, dentro de uma visão que proporcione experiências diferentes e acompanhem o cliente em suas jornadas propõem uma nova prática para o varejo.

A loja física precisa assumir um papel de complementar e acelerar o engajamento dos clientes, e ousar novas formas de gerar experiências mais interativas e ricas para o cliente. Lojas físicas precisam “instagramáveis“, trazer experiências físicas, integradas a um design que seja excitante e inspirador. As lojas devem ser como telas em branco para a criação de impressões sensoriais. Uma loja simplesmente transacional que não ofereçam experiências definitivamente personalizadas não fazem mais sentido. Até mesmo o pagamento pode ser um momento mágico, estimulantes, descontraído e criativo.

A tendência de grandes redes varejistas adquirirem startups para buscar inovação faz sentido? Claro, marcas emergentes sabem como identificar insights que melhorem o relacionamento com o consumidor, uma fragilidade das empresas incumbentes, que têm dificuldades em adaptar sua cultura para pensar realmente em formas de engajar o cliente. O modelo da Unilever, que adquiriu o Dollar Shave Club é o ideal. Trazer alguém capaz de provocar e inocular irreverência e coragem para inovar é positivo, mas é fundamental manter a independência da startups para que ela continue a inovar e a crescer.

Um ponto polêmico explorado pelas investidoras é o fato de que varejistas não podem considerar que a Amazon é uma amiga. Para elas, Nicole em especial, a Amazon pode parecer conveniente para impulsionar seu negócio, mas na verdade ela está assimilando seus dados, compreendendo quem são os seus clientes e incorporando esse conhecimento para canalizar mais vendas para si mesma no futuro. As empresas precisam aprender a trilhar seu próprio caminho e encontrar formas de enfrentarem essa competição.

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