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Para idosos, preço é critério mais importante na escolha da farmácia

Para idosos, preço é critério mais importante na escolha da farmácia

O Estudo do Mercado Sênior, realizado pelo Instituto Febrafar, evidencia a crescente importância de atender às necessidades dos idosos.
O Estudo do Mercado Sênior, realizado pelo Instituto Febrafar, evidencia a crescente importância de atender às necessidades dos idosos.
O Estudo do Mercado Sênior, realizado pelo Instituto Febrafar, evidencia a crescente importância de atender às necessidades dos idosos.
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A expectativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que o número de idosos no Brasil dobre em 30 anos. Como resultado, se em 2023, os idosos representavam 15,6% da população brasileira, em 2070, a projeção é que 38% da população brasileira tenha 60 anos ou mais. Dessa forma, o mercado direcionado aos consumidores idosos vem se tornando cada vez mais importante em diversos setores da economia.

No setor farmacêutico, isso se traduz em um aumento na demanda por medicamentos que tratem doenças crônicas comuns nos idosos, como hipertensão e diabetes. Dessa forma, o critério mais importante para 91% dos entrevistados ao escolher uma farmácia é o preço dos produtos. Isso demonstra a sensibilidade dos idosos em relação aos custos, especialmente considerando que muitos têm a aposentadoria como a principal fonte de renda. O dado está no Estudo do Mercado Sênior, realizado Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa – Ifepec em parceria com o Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (Neit) da Unicamp.

A pesquisa, que está em sua 24ª edição, revelou novos insights sobre os hábitos de compra dos consumidores com 50 anos ou mais em farmácias. Foram entrevistados com 2.200 consumidores e 300 cuidadores de idosos de todas as regiões do Brasil.

Idosos, maior preocupação com dinheiro

O estudo revela que 36,9% dos consumidores com mais de 50 anos dependem da aposentadoria. Enquanto isso, 21,1% estão envolvidos em atividades informais remuneradas e 19,3% são funcionários do setor privado. Portanto, a preocupação com os preços é justificável, uma vez que 67,7% dos entrevistados relatam pagar por seus próprios medicamentos, enquanto 28,1% dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) ou do Programa Farmácia Popular para comprar remédios.

Os gastos com medicamentos se tornam ainda mais significativos ao considerar que 73,3% dessa população convive com pelo menos uma doença crônica. Entre elas, hipertensão (54,1%), diabetes (24,2%) ou colesterol alto (19,3%). Embora 85,8% dos entrevistados digam que pesquisam preços em outras farmácias, a fidelidade aos estabelecimentos preferidos permanece forte. A pesquisa indicou que 61,4% dos consumidores costumam comprar medicamentos quase sempre na mesma farmácia, enquanto 30% afirmam que compram sempre no mesmo local.

Localização e estoque

Além do preço, outros fatores também influenciam a escolha da farmácia. A localização, para 60,1% dos entrevistados, se destaca como o fator mais relevante, indicando que a conveniência de acesso é fundamental para a maioria dos idosos. Em áreas urbanas, onde o tempo e a mobilidade são fatores cruciais, a proximidade pode ser decisiva para a escolha de onde comprar.

A disponibilidade de estoque (54,4%) também é uma prioridade, pois os clientes buscam garantir que o medicamento necessário estará à disposição quando precisarem. Farmácias com um bom gerenciamento de estoque e que conseguem evitar faltas tendem a criar uma imagem positiva junto aos consumidores.

O estacionamento (52,9%) é outro elemento considerado por muitos idosos. A oferta de vagas seguras e acessíveis pode influenciar a decisão de onde realizar as compras, especialmente em regiões com alta densidade de veículos. Isso mostra que apenas a disponibilidade dos produtos não é suficiente; a experiência de compra deve ser confortável e prática.

Programas sociais

Edison Tamascia, presidente da Febrafar.

A participação no programa Farmácia Popular também é um ponto relevante, alcançado por 43,6% dos respondentes. Consumidores que dependem desse programa valorizam farmácias que se adequam a ele, pois isso pode resultar em economia significativa nas despesas relacionadas à saúde.

Por fim, a qualidade do atendimento (39,2%), embora apareça por último na lista de prioridades, não deve ser subestimada. Um atendimento cordial e eficiente pode fidelizar clientes, que valorizam o cuidado e a atenção recebidos. A interação humana ainda exerce um papel importante na experiência de compra, tornando-a mais agradável e confiável.

Edison Tamascia, presidente da Febrafar, comenta o aumento dos consumidores idosos em farmácias. “Esse público, além de crescer em número, está consumindo cada vez mais nas farmácias. Estas, por sua vez, devem se adaptar para atender esse público, o que impacta diretamente nas estratégias de venda”.

Desafios na gestão

Uma informação alarmante revelada pela pesquisa é que 48,1% dos participantes relataram dificuldades na administração de seus medicamentos. Entre os principais obstáculos estão: a leitura das embalagens (25,3%), o cumprimento dos horários (17,3%) e a necessidade de partir comprimidos (14,9%).

Os resultados indicam que a falta de clareza nas informações das embalagens é uma barreira significativa para muitos pacientes. Isso pode se traduzir em ações inadequadas, como dosagens incorretas ou até mesmo a interrupção do tratamento.

A pesquisa também revelou que 45% dos entrevistados afirmam praticar alguma forma de atividade física, sendo a caminhada a mais citada. Esse dado indica uma maior conscientização sobre a importância da saúde e da prevenção, mesmo que a maioria dos participantes já lide com doenças crônicas.

Mudanças nos hábitos de consumo

No que tange aos hábitos de consumo, o estudo revela que, embora a maioria dos consumidores (86,6%) prefira as compras presenciais, há uma leve movimentação em direção ao ambiente digital: cerca de 17,5% dos entrevistados mencionaram utilizar o WhatsApp para fazer pedidos e 8,7% fazem uso de aplicativos de farmácias.

Esse crescimento, ainda que modesto, sinaliza uma mudança comportamental se comparado aos dados de 2020, quando o uso de plataformas digitais para compras era inferior.

A pesquisa mostra ainda que o índice de entrevistados que pesquisam preços em outras farmácias antes de comprar foi de 73% na pesquisa de 2020 para 85,8% atualmente. E, geralmente, a pesquisa é feita presencialmente para 56,5% das pessoas. Somente 16,8% dos consumidores fazem pesquisa de preço pelo WhatsApp; e 7,5% no aplicativo. Por telefone, a taxa cai para 3,6% e no que tange à comparação de preços em sites da internet, o percentual é de 1,6%. Entretanto, quando questionados se pesquisaram preços na última compra, a maioria (67,2%) disse “não”.

Os dados da pesquisa destacam que o público acima de 50 anos representa uma parcela significativa e estratégica do mercado farmacêutico brasileiro. “Com uma população em envelhecimento e uma demanda crescente por medicamentos e serviços de saúde, as farmácias precisam estar cada vez mais preparadas para atender as necessidades desse grupo. Com a expectativa de que o número de idosos no Brasil continue a aumentar, a adaptação do setor às demandas e comportamentos desse público será crucial para garantir a sustentabilidade e o sucesso das farmácias no futuro”, analisa Edison Tamascia.

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