A Inteligência Artificial deixou de ocupar apenas o campo das promessas e projeções para se tornar parte prática da rotina das empresas. Mais do que automatizar processos, ela está assumindo um papel estratégico: transformar dados complexos em decisões ágeis e assertivas. Essa mudança de paradigma já impacta setores tão diversos quanto o varejo, a saúde, os serviços financeiros e a indústria, mostrando que a tecnologia, quando aplicada de forma direcionada, gera valor real e tangível.
O desafio, no entanto, não está apenas em adotar ferramentas de IA, mas em garantir que sua aplicação esteja alinhada aos objetivos de negócio. Isso envolve conectar tecnologia a estratégias bem definidas, estabelecer governança sólida e priorizar a eficiência. Ao fazer essa ponte entre análise e ação, líderes de diferentes áreas mostram que a Inteligência Artificial já não é um diferencial do futuro, mas um recurso indispensável para competir e inovar no presente.
No CONAREC 2025, especialistas de grandes empresas mostraram como a IA está deixando de ser tendência e se consolidando como ferramenta prática para transformar dados em decisões de negócio.
No painel Da análise à ação: como a IA transforma dados em decisões reais, mediado por Fabrício Fudissaku, CEO da Data-Makers, líderes de diferentes setores discutiram como a Inteligência Artificial está sendo aplicada para gerar valor tangível em suas empresas.
Participaram do debate Flávia Barros, diretora de Marketing da Leroy Merlin, Mauro Gomide, vice-presidente de TI e Inovação da Bulla, e César Galeazzi Priolo, director de Analytics & Data Science do BTG Pactual.
IA aplicada a decisões reais
Fabrício destaca que a Inteligência Artificial já faz parte da rotina dos CMOs. E a questão não é mais usar ou não, mas como aplicar. Para Flávia Barros, da Leroy Merlin, a eficácia está justamente em conectar tecnologia a objetivos concretos: “Quando aplicamos IA diretamente aos negócios, ela funciona, gera impacto e acelera resultados.”
César Galeazzi, do BTG Pactual, trouxe o exemplo do setor médico, no qual a IA tem sido usada para prever diagnósticos e apoiar tratamentos. Já Mauro Gomide explicou que, no caso da Bulla, a prioridade é usar a tecnologia de forma estratégica: “Sempre pensamos em IA ligada à tomada de decisão e à entrega de valor, nunca como fim em si mesma.”
Governança e estratégia no centro da transformação
Apesar do entusiasmo, os convidados ressaltaram que não basta adotar a tecnologia sem uma base sólida. Mauro enfatizou a importância da governança: decisões de IA precisam seguir direcionadores claros da empresa, evitando riscos e garantindo consistência.
César complementou que, no BTG, a estratégia foi organizada em duas frentes: explorar o potencial da IA generativa e, ao mesmo tempo, avançar em modelos analíticos mais tradicionais para suportar áreas críticas do banco.
Conhecer o cliente como prioridade
O painel também abordou como a IA pode ajudar a entender melhor os consumidores. Segundo Flávia, a Leroy Merlin tem apostado em CRM e marketing preditivo para personalizar jornadas: quem é o cliente, quando abordá-lo e com qual oferta. Fabrício resumiu com uma provocação: gerar valor, nesse cenário, é também abrir mão do que não precisa ser feito, um convite à eficiência estratégica.
Mais do que buzzword, a mensagem do painel foi clara: a Inteligência Artificial já é um diferencial competitivo e, quando aplicada com foco e governança, transforma dados dispersos em decisões que realmente movem os negócios.





