Além de ser um símbolo da identidade nacional brasileira, o futebol também movimenta cifras expressivas nos orçamentos pessoais. Um levantamento da Serasa em parceria com o Opinion Box, realizado com 2.940 entrevistados em junho de 2025, mostra como a paixão pelo esporte influencia não apenas o humor e o lazer, mas também os gastos dos torcedores. Muitos deles se planejam financeiramente para acompanhar seus times e participar de grandes eventos.
Segundo o estudo, 61% dos brasileiros afirmam gastar com produtos e serviços relacionados ao futebol. A lista de itens mais comprados é liderada pelas camisas de time (71%), seguidas por produtos licenciados (35%), ingressos para jogos (34%) e assinaturas de streaming ou pay-per-view (32%). Há ainda quem invista em ingressos para eventos esportivos (19%), videogames (15%) e até programas de sócio-torcedor (15%).
“É um mercado e gira a economia. As pessoas compram para si, mas também para companheiros, amigos ou familiares. Ou seja, é um mercado que movimenta muitas frentes quando falamos em consumo como um todo”, comenta Felipe Schepers, COO e Co-Founder da Opinion Box.
Mais que emoção, investimento
Apesar da variedade, o valor médio desembolsado mensalmente ainda é relativamente modesto: 45% gastam até R$100 por mês com futebol, o que representa até 5% da renda mensal de 65% desses consumidores. Ao todo, 81% afirmam ter gastos regulares relacionados ao esporte.
“Os torcedores estão consumindo mais o futebol feminino. Falamos também das camisetas, que por muito tempo não existia modelo feminino. Muita gente queria, mas não encontrava. Hoje, com as marcas esportivas se unindo aos clubes, temos camisas modernas, femininas, e isso também é um ato de consumo, de inclusão”, pontua Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol Feminino. “É importante que a namorada, a esposa, a amiga também se sintam representadas na arquibancada, com uma camisa feita para elas.”
Planejamento entra em campo
O planejamento financeiro tem sido essencial para quem pretende acompanhar o esporte de perto. Dos entrevistados, 53% afirmam já estar se organizando financeiramente para participar de campeonatos até 2027. Desses, mais da metade pretende gastar até R$ 1.000 com eventos esportivos. Outros 8% pretendem gastar acima de R$ 5.000.
“Quando falamos em pessoas que vão a eventos como a Copa do Mundo, metade já está se planejando financeiramente. Outra metade, ainda não se planejou. O brasileiro também precisa criar essa cultura de planejamento. Futebol é uma paixão, mas envolve investimento financeiro. Se você não se organizar, vai acabar desequilibrando o orçamento em algum momento”, destaca Felipe.
Além disso, a maioria (61%) dos ouvidos pelo estudo diz que toparia ir com mais frequência a esses eventos se eles fossem mais baratos, e a mesma proporção acredita que os valores cobrados atualmente não são acessíveis ao público em geral. Ainda assim, 65% têm a intenção de comparecer presencialmente a jogos ou campeonatos profissionais nos próximos dois anos, com destaque para os torneios nacionais: 41% querem ir ao Brasileirão, 38% à Copa do Brasil e 25% à Libertadores.
Estádio ou sofá?
Embora o consumo pela TV ainda seja o principal canal de contato com o futebol, 75% assistem em TV aberta e 55% em TV fechada, plataformas digitais como YouTube (42%) e serviços de streaming (31%) já ocupam posição relevante. A ida aos estádios também é frequente (23%). Além disso, 55% dos entrevistados disseram ter assistido a pelo menos uma partida ao vivo no último ano.
Entre os que nunca foram a um estádio (38%), as barreiras parecem ser mais práticas do que emocionais. Afinal, 64% das pessoas dizem se sentir parte da torcida mesmo quando assistem aos jogos de casa. E entre os que já viveram essa experiência, há uma presença mais significativa da Geração Z (61%), o que sugere que os estádios também são espaço de socialização para as novas gerações.
Futebol, emoção, identidade e papel social
O levantamento mostra ainda que a relação do brasileiro com o futebol é marcada por uma forte carga emocional. Para 66%, o esporte influencia diretamente o humor no dia a dia, com impacto ainda maior entre homens (74%) e pessoas de renda média e baixa (68% e 65%, respectivamente). Além disso, 49% dizem se sentir mais próximos da família e dos amigos quando assistem a jogos juntos, reforçando o papel do futebol como ferramenta de conexão social.
A maioria (67%) também acredita que o esporte tem um papel social importante no Brasil, indo além do entretenimento e funcionando como espaço de pertencimento, representatividade e até de ascensão social. Não à toa, 3 em cada 4 brasileiros concordam que o futebol é “a cara do Brasil”.
Loucuras pelo time
A devoção pelo futebol leva muitos torcedores a atitudes inusitadas. Entre os entrevistados, 60% disseram já ter feito alguma “loucura” pelo seu time ou pela seleção. As mais comuns incluem chorar por causa de uma derrota ou vitória (24%), assistir a jogo escondido no trabalho ou escola (18%) e fazer promessas ou superstições para o time ganhar (15%). Há também quem tenha deixado de sair ou viajar para não perder uma partida (13%), brigado com alguém por causa de futebol (11%) ou até viajado para outro estado ou país para assistir a jogos (11%).
Ainda segundo o estudo, 32% estariam dispostos a pagar mais caro por uma experiência exclusiva com o seu time, e 31% considerariam viajar para qualquer lugar do mundo para vê-lo jogar.
Apesar de toda a devoção, sete em cada 10 brasileiros acreditam que o futebol perdeu parte de sua magia nos últimos anos. A percepção é mais forte entre pessoas com mais de 40 anos, de renda alta e homens. Ainda assim, há sinais de renovação no público: 40% afirmam acompanhar mais futebol agora do que nos anos anteriores, especialmente entre os mais jovens (faixa etária de 18 a 29 anos) e nas classes média e baixa.
“O futebol entrou no bolso do brasileiro e se tornou um gasto que faz parte da cesta. Ele vai além do esporte e tem um papel social, além do financeiro”, finaliza Felipe.





