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Black Friday será um motor de mudança nas favelas

Black Friday será um motor de mudança nas favelas

A Black Friday 2025 é mais do que descontos. É uma oportunidade única para transformar o consumo nas favelas e valorizar o que é local.
A Black Friday 2025 é mais do que descontos. É uma oportunidade única para transformar o consumo nas favelas e valorizar o que é local.
Foto: Shutterstock.
A data se firmou como um verdadeiro fenômeno de consumo no nosso comércio. As favelas, com seus 16,4 milhões de habitantes, também entram nessa conversa! Para muitos, a Black Friday representa uma oportunidade de comprar o que antes parecia inalcançável. Vamos falar sobre essa inclusão?

Este ano de 2025, estamos celebrando 15 anos da Black Friday no Brasil. Uma data que, sem dúvida, se tornou um verdadeiro marco no comércio varejista nacional. As expectativas sempre são altas. E, mesmo dois meses antes, consumidores de todas as partes do País estão ansiosos por aproveitar as ofertas e descontos que aparecem em uma ampla gama de produtos. E isso inclui os consumidores das favelas.

É importante destacar que as favelas do Brasil, que abrigam cerca de 16,4 milhões de pessoas, também fazem parte desse cenário. E a Black Friday, para muitos que vivem nessas comunidades, é uma oportunidade única de adquirir produtos que, muitas vezes, estão fora de alcance em outras épocas do ano. A data oferece uma chance de compra que pode impactar positivamente a vida de muitas famílias, permitindo que elas adquiram itens essenciais ou desejados com preços mais acessíveis.

Favelas de 2010 a 2025

É importante salientar que, desde o censo do IBGE 2010, o número de favelas mais que dobrou. E hoje há cerca de 6.329 favelas. Comparando o número de pessoas de 2010 a 2022, houve um aumento de aproximadamente 5 milhões.

Nesse contexto, um estudo da NÓS-Inteligência e Inovação Social revelou que as favelas podem ser peças-chave para as empresas que buscam aumentar seus resultados. Segundo eles, graças aos cerca de 17 milhões de consumidores nessas comunidades, o potencial de compra é de impressionantes R$ 167 bilhões. No que tange ao alcance, a pesquisa aponta mais de 260 comércios diretamente envolvidos (mapeados através do CNPJ) e mais de 12 milhões de consumidores.

Emília Rabello, fundadora e CEO da NÓS.

Os bons ventos se dão porque, nos últimos dois anos, o comportamento de compra nas favelas passou por uma transformação. A digitalização, impulsionada por maior acesso à internet móvel, aplicativos e formas de pagamento como o Pix, colocou os
moradores das comunidades no centro das estratégias de grandes marcas e marketplaces.

Isso mostra que as marcas não podem ignorar esse mercado emergente. “Para conquistar esses consumidores, é essencial que as marcas estejam bem posicionadas no ambiente digital.” Quem explica melhor é Emília Rabello, fundadora e CEO da NÓS.

Ela também ressalta a importância de ter um espaço aberto para avaliações de clientes em marketplaces. A confiança é fundamental, especialmente em comunidades onde o boca a boca e as experiências de outros consumidores influenciam fortemente as decisões de compra. Portanto, construir uma reputação sólida online é um passo crucial.

Presencial ou digital?

A pesquisa também indica que as marcas não devem se limitar ao mundo digital. Isso porque a presença física nas favelas ainda é muito relevante. Realizar eventos e patrocinar iniciativas locais ajuda a aumentar o reconhecimento da marca e a criar uma conexão mais forte com os consumidores. Além disso, a agilidade na resolução de problemas é fundamental. Se um cliente tiver uma experiência negativa e a marca responder rapidamente, isso pode gerar recomendações positivas e fortalecer a confiança.

E o que os consumidores das favelas estão buscando nesta Black Friday? As marcas que já perceberam essa oportunidade incluem Mercado Livre, Shein e Shopee, que lideram em notoriedade e intenção de compra. De acordo com a pesquisa, os moradores buscam produtos em diversas categorias, como eletrodomésticos, eletrônicos, moda, beleza e alimentação, com tickets médios que variam entre R$ 180,00 e R$ 450,00 dependendo da categoria.

Sobre as marcas preferidas dos consumidores que residem nas favelas, destaque para Shopee e Mercado Livre, refletindo o crescimento do e-commerce acessível e variado. Plataformas como Amazon, Magalu, Americanas e AliExpress também se consolidam, enquanto redes de varejo tradicionais como Casas Bahia, Carrefour e Assaí Atacadista mantêm relevância.

O que os consumidores esperam?

Heloisa Santana, presidente da AMPRO.

Outra dica valiosa é investir em promoções que tragam não apenas preços competitivos, mas também benefícios como frete grátis e cashback. “Os consumidores valorizam marcas que entendem suas realidades e que oferecem vantagens concretas. Além disso, a reputação é um fator decisivo para as compras, e marcas que se destacam em confiança, qualidade e transparência são as mais lembradas”, afirma Emília Rabello.

No parecer da Associação de Marketing Promocional (AMPRO), toda essa movimentação reflete a prioridade do mercado por experiências que vão além dos descontos convencionais. “Os consumidores buscam ativações presenciais, interações digitais e campanhas integradas que proporcionem boas experiências. Ou seja, é importante que as empresas desenvolvam ações capazes de criar memórias, estabelecer conexões emocionais e estimular a recorrência de compras e produtos relacionados após o evento”, destaca Heloisa Santana, presidente executiva da instituição.

Intenção de Compra na Black Friday 2025

Pesquisadores realizaram um estudo para entender as expectativas do comportamento consumidor na Black Friday 2025. A pesquisa, que conta com uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais e um intervalo de confiança de 95%, traz à tona informações valiosas sobre o perfil do consumidor, suas preferências e preocupações.

Um dos dados mais interessantes é que a Black Friday deixou de ser um evento de compras impulsivas. Agora, muitos consumidores se preparam com antecedência, sendo que metade dos entrevistados começa a pesquisar os produtos mais de um mês antes da data. Além disso, quase 70% deles planejam financeiramente suas compras, o que indica um comportamento cada vez mais consciente e estratégico.

Quando o assunto é onde comprar, o celular se destaca como o principal dispositivo para compras online. Sites e aplicativos de lojas são os canais preferidos, mas marketplaces, como Amazon, Mercado Livre e Shopee, também têm grande relevância. Essa transição entre múltiplos pontos de contato mostra que os consumidores estão se tornando cada vez mais omnichannel, e as empresas que adotarem estratégias que integrem esses canais podem maximizar seu alcance e conversão.

Veja abaixo outros destaques:

Lojas físicas e Inteligência Artificial

Ainda assim, a experiência física não pode ser ignorada. Muitos consumidores valorizam ver, tocar e experimentar os produtos antes de decidir a compra. Fatores práticos, como pronta entrega e frete grátis, reforçam a vantagem das lojas físicas, evidenciando que a combinação de uma experiência sensorial com a conveniência é essencial na hora da escolha.

Outro ponto interessante é a crescente curiosidade em relação ao uso de Inteligência Artificial nas decisões de compra. Embora apenas 14% dos entrevistados usem IA com frequência, 37% nunca experimentaram, mas estão interessados em fazê-lo. Isso revela uma oportunidade para as empresas que buscam engajar esse público, oferecendo soluções que simplifiquem comparações e recomendações personalizadas.

Um aspecto que merece destaque é que, mesmo durante grandes promoções, a decisão de compra vai além do desconto. A confiança e a transparência são fatores cruciais. Muitos consumidores desistem de compras quando se deparam com fretes altos ou avaliações negativas. Portanto, oferecer frete grátis e opções diversificadas de entrega pode ser um diferencial significativo para aumentar a conversão e a fidelização.

Reputação e boca a boca

Por fim, a pesquisa realizada pela Tray, Bling, Octadesk, Opinion Box e Vindi destaca que a reputação digital e o boca a boca têm um papel fundamental na decisão de compra. Os consumidores valorizam experiências reais e próximas, colocando mais peso nas avaliações online do que em narrativas patrocinadas.

A Black Friday de 2025 promete ser um evento que vai muito além de simples promoções. Com consumidores mais informados e exigentes, as empresas precisam se adaptar e oferecer não apenas produtos, mas uma experiência de compra completa e satisfatória.

Novembro de Black Friday… E do Dia da Favela

O Dia da Favela é celebrado em 4 de novembro, uma data que não está vinculada a um local específico, mas que é reconhecida por meio de legislações estaduais e municipais, além de ser comemorada em âmbito nacional. Essa data foi criada para homenagear a história e a cultura das favelas, sendo escolhida em função do registro do termo “favela” em um documento oficial datado de 4 de novembro de 1900.

No Rio de Janeiro, o Dia da Favela é uma lei estadual desde 2019, conforme a Lei nº 8.489/19, que oficializa a data no calendário do estado. No município, a data já é reconhecida desde 2006, de acordo com a lei local. Em São Paulo, a celebração foi incorporada ao calendário oficial da cidade em 2015, através da inclusão na Lei 14.485 de 2007. Já em Minas Gerais, o Dia da Favela foi oficializado pela Lei 20.808, de 2013, que declara o dia 4 de novembro como o Dia Estadual da Favela.

O termo “favela” foi documentado oficialmente pela primeira vez em 4 de novembro de 1900, referindo-se ao Morro da Providência, no Rio de Janeiro, que é considerado a primeira favela do Brasil. Em síntese, o nome da planta “faveleira” deu origem ao nome dos morros da Guerra de Canudos. Os soldados que voltaram da guerra para o Rio de Janeiro se estabeleceram em um desses morros, que passou a ser conhecido como “Morro da Favela”.

Em suma, o Dia da Favela foi estabelecido para homenagear a resistência, a cultura e a força das comunidades de favela no Brasil. Esta data também propicia uma reflexão sobre os desafios enfrentados por essas comunidades e sobre a relevância de sua contribuição para a história e identidade do País.

Origem da Black Friday no Brasil

A primeira Black Friday no Brasil ocorreu em 28 de novembro de 2010 e foi realizada completamente de forma online. Nesse dia, mais de 50 lojas do varejo nacional participaram. Em 2013, a Black Friday no Brasil estabeleceu um recorde, gerando R$770 milhões em vendas no comércio eletrônico. Os produtos mais desejados foram os televisores e os smartphones.

De acordo com a consultoria E-Bit, em 2014, a data alcançou R$1,2 bilhão em vendas exclusivamente pela internet, o que representa 3,5% do faturamento anual. Desde então, a Black Friday está consolidada como a data mais relevantes para o comércio online.

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