O comércio varejista encerrou 2014 com retração de 2,8% no faturamento real na comparação com 2013, alcançando R$ 530,6 bilhões em vendas totais, em São Paulo. Os maiores resultados negativos do ano ficaram por conta das atividades que comercializam bens duráveis, que dependem de crédito. Os segmentos que apresentaram os piores resultados foram as concessionárias de veículos e as lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, com retrações anuais de acima de 16%.
Os melhores desempenhos no ano foram registrados nos setores ligados aos bens essenciais, como farmácias e perfumarias (6,5%), combustíveis (dentro do segmento outras atividades, com alta de 4,3%) e supermercados (2,2%).
Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) a partir de informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz).
Na análise da receita apurada somente em dezembro do ano passado, as vendas do varejo paulista registraram queda de 4,6% no comparativo com o mesmo mês de 2013, somando um valor de R$ 52,9 bilhões. No mês, oito das dez atividades pesquisadas registraram queda nas vendas na comparação com dezembro de 2013. Os maiores destaques negativos foram vistos nos setores de lojas de vestuário, tecidos e calçados (-14,3%); de móveis e decoração (-9,6%); e concessionárias de veículos (-9,2%). Essas três atividades, juntas, contribuíram com 3,3 pontos porcentuais para a queda do varejo total, de 4,6% no mês.
De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, a inflação crescente e concentrada em alimentos e serviços essenciais, em um cenário econômico com crescimento cada vez menos promissor, vem minando a confiança do consumidor e de empresários desde o final de 2013. Com isso, as famílias reduziram o consumo de bens que dependem de crédito por não se sentirem seguras em relação à renda e emprego.
Diante desse cenário, não é possível prever o início de uma recuperação do consumo nos próximos meses. As estimativas da instituição indicam, no momento, que o comércio tende a mostrar nova retração de vendas em 2015, com taxa de queda em torno de 2%.
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