/
/
CM Entrevista: O algoritmo está limitando a experiência do cliente?

CM Entrevista: O algoritmo está limitando a experiência do cliente?

Executivos discutem como combinar dados, curadoria humana e IA para preservar a espontaneidade e o encantamento na experiência do cliente.
Executivos discutem como combinar dados, curadoria humana e IA para preservar a espontaneidade e o encantamento na experiência do cliente.
Foto: Shutterstock.
Empresas e especialistas discutem o papel da IA na experiência do cliente, destacando que a tecnologia deve ser aliada, não substituta, da empatia humana. Para Accenture, TIM, Magalu e NVIDIA, o desafio é equilibrar automação e encantamento, garantindo personalização sem limitar a espontaneidade. O uso estratégico da IA em CX exige integração, curadoria humana e foco no cliente como centro das decisões.

Evidente que empresas e clientes convivem em um momento revolucionário da experiência, das interfaces entre usuários, e de produtos e serviços potencializados pela Inteligência Artificial (IA).

Desde o impacto causado pelo lançamento do ChatGPT, no final de 2022, a relação entre clientes e marcas tem convivido com novas tecnologias e termos como Conversational-first ou Generative-first, que passaram a moldar decisões para uma nova abordagem em Customer Experience (CX).

Mas confiar uma estratégia puramente baseada em IA muitas vezes pode comprometer o sucesso da experiência do cliente com uma marca. Segundo, Monica Puoli, diretora de Design da Accenture Song, o antigo sonho da hiperpersonalização está mais próximo, mas, alerta: “a expectativa é a mãe da frustração”.

“Vale lembrar que a adoção de novas tecnologias depende de múltiplos fatores: cultura, comportamento, infraestrutura, entre outros. Já observamos o surgimento de medos, dúvidas éticas e riscos sociais com IA, e que impactam diretamente a forma como interagimos com produtos e serviços”, pontua a especialista.

Algoritmo vs. Encantamento

Apesar de todo avanço, Monica diz que estamos apenas começando a explorar as diferentes interfaces de interação com IA generativa, que são – ou serão – possíveis e socialmente aceitas num futuro próximo. “Apesar das incertezas, é razoável afirmar que veremos, nos próximos anos, movimentos claros com impacto direto em CX. Entre eles, a capilarização das interfaces de interação, a hiperpersonalização de produtos e serviços e, paradoxalmente, a valorização do contato humano e de métodos artesanais”, avalia.

Sobre a linha tênue entre tecnologia preditiva e encantamento humano, até que ponto uma arquitetura de dados e personalização das experiências permitem, de fato, que o consumidor descubra novos produtos e serviços espontaneamente? Ou seja, uma vez que o algoritmo condiciona o consumidor para aquilo que interessa à marca e ao negócio, isso não estaria limitando a “magia” da experiência?

O equilíbrio entre automação e experiência humana

Para Ricardo Garrido, diretor-executivo de Marketplace do Magalu, “nenhum algoritmo é perfeito e o melhor algoritmo hoje estará obsoleto amanhã”. “A barra do cliente está sempre subindo e seria um grande erro pensar que o algoritmo condiciona o consumidor, e não o contrário. O que interessa ao negócio é remover fricção e se manter estável e ágil frente às expectativas do cliente”, aponta.

Ana Cristina de Oliveira, VP de Customer Experience & Ouvidoria da TIM, entende que a personalização é importante, mas, para preservar a espontaneidade e o encantamento é preciso combinar curadoria humana com insights de dados. “Na TIM identificamos padrões, mas deixamos espaço para iniciativas criativas que surpreendem o cliente. Acreditamos que é importante respeitar a autonomia: a personalização deve empoderar, não restringir”, pontua.

Monica Puoli (Accenture Song) Marcio Aguiar (NVIDIA) e Ricardo Garrido (Magalu).

IA estratégica: como obter mais valor em CX

Nessa jornada, na qual empresas são pressionadas a adotar tecnologias surpreendentes e eficientes diante do comportamento digital do consumidor, as marcas precisam olhar com mais atenção para a obtenção de valor com a IA no CX. Esse ponto é levantado pelo diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina, Marcio Aguiar, como fundamental para entendermos como dados e empatia humana se complementam em CX.

“Vemos muitas empresas adotarem soluções pontuais desconexas, que não conversam entre si. E também múltiplas IAs que fragmentam e comprometem a experiência. As organizações então perdem oportunidades importantes de atender bem e de engajar seus clientes. Isso pode resultar em menor satisfação e fidelidade, já que as expectativas crescentes dos consumidores por experiências integradas e significativas deixam de ser atendidas”, diz Marcio.

Para ele, estes são desafios que estão na base da experiência do cliente, e que precisam ser superados para uma jornada realmente integrada, consistente e fluida com IA. “Quando bem treinada e estruturada, uma IA atua como facilitadora de jornadas mais personalizadas, empáticas e relevantes, que identifica e vai além de uma abordagem tradicional. A chave está em manter o cliente no centro de cada decisão tecnológica. Uma IA eficaz não é um chatbot genérico: é uma solução inteligente que aprende, se adapta e contribui para experiências mais significativas”, conclui.

Em tempos de consumidores mais informados, interessados nas facilidades da IA e de mercados mais dinâmicos, apostar na empatia e conhecimento prévio do cliente através de dados, e no apoio de novas tecnologias, como a IA, passou a ser uma estratégia complexa para as organizações. Mas, decisiva para aquelas que almejam a evolução e a excelência da experiência como motor central de seus negócios.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Emília Rabello, da NÓS, revela como impacto social e lucro podem caminhar juntos — e por que o consumo das favelas não deve ser ignorado.
Boteco da CM: Por que o mercado ainda insiste em ignorar o consumo das favelas?
Emília Rabello, fundadora da NÓS, revela como impacto social e lucro podem caminhar juntos – e por que a economia da proximidade é a próxima fronteira do consumo.
Novas lideranças e reposicionamentos estratégicos reforçam foco em inovação, expansão e transformação digital.
Conheça as novas lideranças do Grupo Bimbo, PepsiCo, Ferrero e Eletromidia
Contratações e reposicionamentos estratégicos reforçam foco em inovação, expansão e transformação digital.
Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A..
5 perguntas para Alexandre Afrange, CEO da Veste S.A.
CEO da Veste S.A. revela os bastidores do crescimento da empresa, as estratégias phygital para 2026 e como competir com o fast fashion no mercado premium.
Entre previsões de desaceleração e um calendário repleto de pausas, como a Copa do Mundo e eleições, o mercado mostra que o ritmo dos negócios já não segue os feriados.
O ano dos feriados, da Copa e das eleições em que ninguém, de fato, parou
Entre previsões de desaceleração e um calendário repleto de pausas, como a Copa do Mundo e eleições, o mercado mostra que o ritmo dos negócios já não segue os feriados.
SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]