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Por que estamos amedrontados com a inteligência artificial?

Por que estamos amedrontados com a inteligência artificial?

Muitos temem a extinção de milhões de empregos e o início de uma era com vários desocupados. Mas ainda é muito cedo para fazer essa previsão
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Há uma proliferação de estudos mostrando que a tecnologia, em especial a inteligência artificial, irá dizimar os empregos no futuro. Em fevereiro, o indiano Sundar Pichai, CEO do Google, afirmou categoricamente que a IA é mais importante que a eletricidade e o fogo. De acordo com Pichai, vai ter o maior impacto no mundo do que outras inovações na história.

É bem verdade que a inteligência artificial vem evoluindo. Um estudo recente realizado por chineses mostrou que a assistente digital do Google teve um salto de QI de 26,5 para 47,28 em dois anos – o dobro da Siri. É um avanço considerável. Ao mesmo tempo, no entanto, é uma inteligência equivalente à uma criança de seis anos de idade.

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“É estranho imaginar que a inteligência artificial será mais importante que a eletricidade, pois a primeira precisa da segunda para existir”, afirmou Fernando Bação, subdiretor e professor da Universidade NOVA de Lisboa, durante o Techno Business 2018. “É claro que a IA vai evoluir cada vez mais rápido, mas ainda há muita limitação nesse tecnologia.”

Um exemplo é a partida de xadrez disputada entre a máquina Deep Blue, criada pela IBM, e o russo Garry Kasparov, considerado um dos maiores enxadristas de todos os tempos. Em 1996, o russo venceu o desafio por 4 a 2. Um ano mais tarde, Deep Blue, após uma série de atualizações, o computador sagrou-se vencedor por 2 a 1.

Foi algo notável, certamente. Mas para chegar ao resultado, a máquina recebeu diversas informações e dados de… humanos. O domínio dos humanos sobre a máquina, ao contrário do que dizem muitos catastróficos filmes de ficção científica, ainda não é algo próximo. Nem mesmo visível. “Basicamente, as máquinas são ótimas para jogar xadrez, mas ainda não conseguem buscar os seus filhos na escola”, diz Bação.

Muito a evoluir

Isso não quer dizer, no entanto, que a inteligência artificial é burra. Muito pelo contrário. A questão principal, segundo o professor, é que a IA ainda é estreita. Ou seja, ela só recebe conhecimento, mas ainda não tem capacidade de transferi-lo. “A IA ainda é péssima para ensinar os outros, por isso ainda não sou pessimista em relação ao fim de empregos, apesar de que alguns vão deixar de existir”, diz ele.

E para a evolução desses, digamos, defeitos, o machine learning é fundamental. A função dessa ferramenta é exatamente ajudar as máquinas a ter um comportamento humano. É como o Google Assistente, por exemplo, conseguiu avançar e fazer ligações de maneira autônoma para marcar um horário no cabeleireiro para o dono do celular.

O machine learning envolve ensinar o computador a reconhecer padrões de seres humanos por exemplos. Basicamente, ele precisa de dados para treinar o sistema, aprender os padrões e, aí sim, fazer previsões.

Os avanços são visíveis na área da inteligência artificial. Mesmo depois de tantos anos, ainda estamos no começo desta tecnologia. Daí a importância das empresas e as pessoas pegarem esse bonde, que ainda está na estação. Entrar nele em movimento ficará cada dia mais difícil.

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