A chamada “guerra dos chips” ganhou um novo capítulo. O regulador de internet da China proibiu que as maiores empresas de tecnologia do país adquiram chips de Inteligência Artificial (IA) da NVIDIA. Segundo reportagem do Financial Times, a decisão faz parte da estratégia de Pequim para acelerar o desenvolvimento da indústria doméstica e reduzir a dependência de fornecedores norte-americanos, em meio à disputa tecnológica com os Estados Unidos.
De acordo com a publicação, a Administração do Ciberespaço da China (CAC) informou companhias como ByteDance e Alibaba que encerrassem os testes e pedidos do RTX Pro 6000D, chip desenvolvido sob medida pela NVIDIA para o mercado chinês. Estima-se que algumas dessas empresas já haviam solicitado dezenas de milhares de unidades e estavam em fase de verificação junto a fornecedores de servidores da fabricante norte-americana.
Após a ordem da CAC, os contratos foram suspensos. A medida amplia restrições anteriores, que miravam o chip H20, outro produto exclusivo da NVIDIA para a China e amplamente usado em aplicações de IA. Agora, o argumento de Pequim é que os semicondutores nacionais já atingiram desempenho semelhante ao dos chips permitidos no mercado chinês.
Autossuficiência estratégica
A pressão do governo chinês ocorre em um momento em que o país busca consolidar sua indústria de semicondutores e reduzir a dependência de tecnologias críticas dos EUA. Fabricantes locais como Huawei, Cambricon, Alibaba e Baidu foram chamadas por reguladores para apresentar comparativos entre seus processadores e os modelos da NVIDIA. Segundo fontes ouvidas pelo Financial Times, a avaliação oficial foi de que os chips chineses já operam em patamares equivalentes, e em alguns casos superiores, aos produtos disponíveis da empresa americana.
Essa movimentação responde diretamente às sanções impostas por Washington nos últimos anos. Em 2022, o então presidente Joe Biden restringiu a exportação dos chips mais avançados da NVIDIA para a China, numa tentativa de conter o avanço de Pequim em Inteligência Artificial. Como alternativa, a NVIDIA passou a desenvolver versões customizadas para o mercado local, como o RTX Pro 6000D, apresentado em julho deste ano durante visita do CEO Jensen Huang a Pequim.
Escalada na corrida tecnológica
O episódio reforça a escalada da rivalidade entre as duas maiores economias do mundo na chamada corrida da IA. O Financial Times já havia informado que os fabricantes chineses planejam triplicar a produção de chips de Inteligência Artificial em 2026, o que ampliaria significativamente a capacidade do país em aplicações estratégicas como computação em nuvem, defesa e manufatura automatizada.





