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A estratégia do Mercado Livre para entrar no setor de supermercados

A estratégia do Mercado Livre para entrar no setor de supermercados

A NOVAREJO conversou com a diretora de Marketplace do Mercado Livre para entender o que há por trás da venda de itens de supermercado

A crise que atingiu todo o varejo – assim como vários outros setores da economia – também criou oportunidades. Prova disso é o Mercado Livre. O marketplace argentino é uma das empresas que se beneficiaram de uma demanda grande por compras online.

No primeiro trimestre desse ano, as vendas na plataforma cresceram 55% e ganharam pouco mais de 5 milhões de novos clientes. Mesmo diante do cenário desafiador, a empresa vai manter os investimentos de R$ 4 bilhões no Brasil em 2020, focando principalmente nas operações de logística.

Em maio, a maior plataforma de comércio eletrônico do Brasil passou a fazer a venda direta de produtos de supermercados. Até então, a plataforma vendia apenas produtos de outros lojistas e tinha espaços de marcas com lojas oficiais.

No mês seguinte do início da estratégia, a empresa colhe bons frutos e mantém expectativa de crescimento para segundo trimestre. A NOVAREJO conversou com Julia Rueff, diretora de Marketplace do Mercado Livre no Brasil para entender melhor o projeto do marketplace.

NOVAREJO: Como foi o processo para que o projeto de venda direta de produtos de supermercado fosse lançado antecipadamente por causa da crise do novo coronavírus?

Julia Rueff: A situação de pandemia criou práticas de consumo, e muitas delas devem se tornar hábitos, isto é, vieram para ficar.

O fato de as pessoas estarem mais em casa leva muitos à primeira compra online. A população passou a consumir e confiar no supermercado online como uma alternativa para se manter o distanciamento social: 20% dos novos compradores fizeram sua primeira compra nas categorias de bens de consumo e alimentos.

Isso nos fez acelerar nossos planos para fomentar a categoria de Supermercados e já criamos uma navegação para acessar esses itens na plataforma – primeiro passo para um projeto de longo prazo.

Essa é uma iniciativa que nos ajuda a elevar a frequência de compra dos nossos usuários e contribuir para o aumento da penetração do comércio online no varejo.

De 22 de março a 3 de maio de 2020 registramos a entrada de cinco milhões de novos compradores em diversas categorias em toda a América Latina, o que configura um aumento de 45% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, são mais de 2,6 milhões de novos compradores.

NV: A categoria supermercados deve ser o grande item de disputa no e-commerce em 2020? Como vocês enxergam a competição pelo domínio no e-commerce alimentar com grandes players como B2W, Magazine Luiza, GPA e Carrefour?

JR: A competição faz parte do mercado. É algo saudável, que nos estimula a nos superarmos e continuarmos a oferecer a melhor experiência para o usuário. Essa evolução é um trabalho contínuo, com ou sem concorrência.

Julia Rueff, diretora de Marketplace do Mercado Livre no Brasil / Foto: Divulgação

O lançamento da categoria foi justamente para dar um “upgrade” na experiência do comprador, oferecendo uma navegação similar à de um supermercado online com um hub de subseções que podem ser consultadas por meio de filtros.

Nesse primeiro momento, a navegação traz somente itens de supermercado, que estejam no FULL (modelo em que o Mercado Livre fica responsável por todo o processo logístico do vendedor do marketplace, do estoque de produto ao pós-venda). O objetivo é garantir entrega rápida para todo Brasil e a melhor experiência para os compradores.

É interessante destacar que criamos divisões por departamentos, como em um supermercado: armazém, bebidas, limpeza; higiene pessoal, produtos para pet. Também desenvolvemos espaços para comunicar ofertas, assim como tecnologias para facilitar a formação do carrinho, permitindo adicionar o produto e selecionar a quantidade sem ter que clicar em cada item individualmente.

NV: Vocês pretendem, em algum momento, vender produtos frescos ou congelados? Se sim, quando isso deve acontecer? O que precisarão adequar na estrutura?

JR: Do ponto de vista de jornada do cliente, é fundamental garantir o sortimento completo para que o cliente tenha uma boa experiência. Nesse sentido, a expansão para essas categorias é um passo importante que nós reconhecemos.

Contudo, dada a complexidade, nosso objetivo é garantir, em primeiro lugar, uma operação de supermercado estabelecida para que então para avançar em outras categorias.

NV: Quais outras categorias deverão estar no foco do Mercado Livre em 2020?

JR: Nós percebemos que os novos compradores ingressaram em todas as categorias do marketplace, dessa forma acreditamos que todas elas têm sua importância. De 22 de março a 3 de maio de 2020, por exemplo, registramos que 6% dos novos compradores adquiriram bens de consumo e alimentos; 11% compraram roupas bolsas e calçados; 10% acessórios para veículos; e 8% celulares e telefonia.

NV: Já há alguma estimativa de crescimento de market share da empresa com o aumento das vendas?

JR: No estudo que realizamos de 22 de março a 3 de maio de 2020, em todas nossas operações na América Latina, percebemos um aumento de 39% nos pedidos feitos no Mercado Livre no Brasil.

NV: As vendas do Mercado Livre cresceram 55% no primeiro trimestre. Qual a expectativa para o período de abril a junho?

JR: Diante do cenário desafiador que o mundo hoje enfrenta, estamos otimistas com os resultados que obtivemos durante o primeiro trimestre de 2020. Embora menos afetados que outras indústrias na América Latina, nossos negócios em comércio eletrônico e serviços financeiros apresentaram impactos de curto prazo, já com recuperação ao longo de abril.

Acreditamos que o Mercado Livre tem a oportunidade de emergir dessa situação mais forte e com um senso de propósito ainda maior.

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