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Está na hora de mudar a cara da sala de reuniões das empresas de varejo

Está na hora de mudar a cara da sala de reuniões das empresas de varejo

WRC debate a ascensão feminina no varejo. Como é possível que o maior grupo de consumidores esteja tão pouco presente nas empresas do setor?
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Dubai (Emirados Árabes) Os números não mentem. Mulheres ocupam apenas 20% dos cargos de marketing nas empresas varejistas. O número é inferior nas outras áreas da administração. Inacreditáveis 1,9% constituem a presença feminina no “board” das empresas do setor nos Estados Unidos.
Por outro lado, elas respondem por 70% a 80% de todo o consumo nas mais diversas categorias de produto. Uma situação que persiste há décadas não apenas nos Estados Unidos, desde os primeiros movimentos em torno da igualdade de gênero. Está na hora do varejo enfrentar esse desafio vital para a perenidade das empresas.
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Esse senso de urgência foi explorado no WRC 2017, no painel “Mulheres no varejo – mudando a cara da sala de reunião”, que reuniu Eva Sage-Gavin, do Boston Consulting Group; Neela Montgomery, diretora-executiva para Varejo e Multicanalidade da Crate&Barrel/Otto Group e Suzie Wokabi, fundadora e diretora de Criação da SuzieBeauty.
Por que afinal, o poder de consumo da mulher não significa uma representação maior na administração dos negócios de varejo? No Otto Group, segundo Neela, há várias políticas para atração de talentos femininos. Mas há obstáculos para a evolução da carreira das mulheres no varejo. Infelizmente, muitos dos novos cargos na direção das redes varejistas são para a área digital, que é dominada amplamente pelos homens.

Obstáculos

E o que dizer então da mulher negra, afro-americana? Suzie Wokabi observa que no Quênia, por exemplo, há mais mulheres empreendedoras do que nos EUA. Ela questiona por que as mulheres não se permitem dar esse salto no sentido de buscar postos mais altos.
Há novos perfis de carreira surgindo, novas habilidades que são procuradas e precisam ser desenvolvidas. Eva Sage diz que já teve a oportunidade de ser a primeira mulher em um board de empresa, em uma função digital. Mas é possível que essa experiência se estenda para outras mulheres e empresas?
Neela diz que mulheres exercem seu senso de prioridade continuamente. Há sempre a questão dos filhos e o valor real de estar no board de uma companhia. Eva pergunta a Suzie se as mulheres devem realmente se descolarem dos perfis do passado e impor uma nova forma de atuação profissional. A executiva diz que o próprio aprendizado pode ser uma forma de divulgar esse novo perfil.
Eva Sage enfoca o clichê de que as mulheres ocupam diversas funções. Até que ponto a consumidora mais atuante entra em conflito com a executiva de alto nível? Segundo Neela, ela foi a primeira mulher no board de uma rede de varejo na Alemanha, mas ela não representa exatamente o perfil da mulher consumidora, justamente porque o trabalho consome tempo demais.

Empoderamento real?

Será que há pressões demasiadas para o empoderamento feminino? No entender de Suzie, o cenário aponta para um crescimento expressivo de mulheres empreendedoras.
A tendência aponta que quanto mais o varejo incorpora tecnologia, menos atrai as mulheres. É possível que elas realmente estejam presentes no setor como empreendedoras e simplesmente estejam fora do negócio nas grandes corporações.
Dentro de seus princípios, é lógico que as mulheres prefiram seguir o caminho do empreendedorismo, do negócio próprio. Para Suzie, há todo um processo de educação para reduzir essa forte presença masculina nas companhias.
A movimentação nas redes sociais é intensa, coletivos feministas pipocam em todos os ambientes, mas curiosamente, quase não vê-se grupos de varejo. Omissão, segundo Eva Sage. Para ela, essa discussão deve se estender para outros setores, como o de Venture Capital e fundos de investimento – pois eles também registram número medíocre de participação feminina.
Há todo um esforço de conscientização que precisa ser considerado. A participação feminina depende de uma mudança cultural, mas é necessária. Ao conversarmos com Eva Sage ao final do painel, ambos ficamos chocados ao perceber que esse mindset ainda prevalece em pleno ano de 2017. Em certo sentido, a revolução digital não acelerou a mudança de velhos preconceitos. Até quando?

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