A personalização da experiência do cliente vive um paradoxo. Mantra dentro das empresas, ela está nos discursos, nas estratégias e nas promessas das marcas. Mas, na prática, o cliente ainda vive uma realidade bem diferente: personalizações pontuais, jornadas fragmentadas, interações genéricas e repetição de informações ditam o tom da maioria das interações.
Os dados ajudam a explicar esse descompasso. Segundo pesquisa da Gartner, clientes que vivenciaram personalização em uma jornada de compra tinham 1,8 vez mais probabilidade de pagar um preço premium – um indicativo claro de valor percebido. Por outro lado, esses mesmos clientes estavam 2 vezes mais propensos a se sentirem sobrecarregados com o volume de informações e 2,8 vezes mais suscetíveis à pressão para avançar na decisão.
No fim, a percepção geral de uma comunicação personalizada é vista por 53% dos clientes como experiências negativas. E 44% deles dizem estar menos dispostos a comprar novamente no futuro.

Para Simone Bervig, diretora de Marketing da MakeOne, isso acontece porque, “apesar do discurso avançado, muitas empresas operam com uma lógica centrada em canais, não no cliente”.
Mudar essa realidade passa por redesenhar a personalização, adaptando-a para a realidade das experiências conversacionais, integradas e em tempo real. Para isso, o CRM 360º, omnicanal e inteligente é indispensável.
“A questão é que o CRM ainda é usado como base de registro e não como motor de decisão, o que limita a capacidade de entregar experiências realmente relevantes”, explica a executiva. Ela vai além: “Se as informações não são unificadas, atualizadas em tempo real e ativadas de forma inteligente, o CRM e os múltiplos canais não garantem personalização”.
Assim, para Simone, o problema central não está na existência de canais, mas na incapacidade de transformar dados em contexto. Nesse sentido, a discussão deixa de ser sobre tecnologia e passa a ser sobre a lógica de construção da experiência.
Da integração técnica para a orquestração estratégica
Esse é o ponto de virada do CRM 360º e omnicanal.
Mais do que conectar sistemas, o desafio é construir uma camada capaz de interpretar dados ao longo da jornada e transformá-los em decisões. É o que Simone chama de transição da integração técnica para a orquestração estratégica.
“O que diferencia uma plataforma de CRM é a capacidade de interpretar os dados ao longo do tempo, entendendo intenção, momento e histórico do cliente”, explica Bervig. “Muitas soluções falham porque não conseguem construir esse contexto dinâmico, limitando-se a regras estáticas ou segmentações básicas”, enfatiza.
Isso significa que, para entregar uma personalização que, de fato, agregue valor para o cliente, não basta saber quem ele é ou o que fez no passado. É preciso entender o que ele busca naquele momento e qual é a melhor forma de conduzir a interação.
O fator IA
A Inteligência Artificial é o que viabiliza essa evolução. Com ela, o CRM que organizava dados e, no máximo, permitia segmentações, se torna um sistema de decisões em tempo real.
“Na prática, a IA precisa atuar como um motor de inteligência, capaz de analisar múltiplas variáveis simultaneamente, prever necessidades e recomendar a melhor ação em cada ponto da jornada”, afirma Simone.
Isso inclui desde a priorização de atendimentos até sugestões de interação, ofertas e caminhos mais eficientes para resolução. O ganho está, principalmente, na capacidade de dar sentido às interações durante a experiência.
“Quando bem aplicada, a IA transforma o CRM em um sistema vivo, que aprende continuamente e orquestra experiências de forma fluida e contextual.”
Consistência, resolutividade e fluidez
A experiência muda de natureza a partir do momento em que o CRM 360º passa a operar com dados integrados e IA.
“Os ganhos são, principalmente em fluidez, consistência e resolutividade. O cliente transita entre canais sem fricção, é reconhecido em cada interação e tem suas demandas antecipadas, o que reduz tempo de atendimento e aumenta a satisfação”, explica Simone.
Como exemplo prático dos ganhos dessas jornadas contínuas para as empresas, a diretora de Marketing da MakeOne cita o projeto de um cliente do setor de serviços financeiros.
“Conseguimos reduzir significativamente o tempo médio de resolução e aumentar a conversão em canais digitais ao utilizar IA para consolidar dados e orientar interações em tempo real”, conta.
O CRM como cérebro do CX
Fato é que o CRM 360º e omnicanal, apoiado por IA, precisa ocupar um papel central na estratégia de personalização e experiência das marcas que desejam ter diferencial competitivo. A maioria delas, porém, ainda não alcançou esse nível de maturidade.
“O principal ajuste de rota é mudar a mentalidade de tecnologia como suporte para tecnologia como estratégia de experiência”, indica Simone.
Esse movimento envolve revisar a arquitetura de dados, integrar de forma consistente os canais e, principalmente, incorporar inteligência ao longo de toda a jornada para que a personalização seja resultado de uma compreensão contínua do cliente.
“É exatamente nisso que a MakeOne atua, ajudando empresas a transformar seus CRMs em plataformas de orquestração, combinando integração, dados e IA para entregar personalização contextual em escala”, explica a executiva.
E isso é algo valioso porque, diante de um consumidor cada vez mais exigente, não basta personalizar. É preciso ser relevante o tempo todo.





