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Ensino Médio avança em acesso, mas aprendizado segue em nível crítico

Ensino Médio avança em acesso, mas aprendizado segue em nível crítico

Apenas 4,5% dos jovens da rede pública concluem o Ensino Médio com aprendizagem adequada em Português e Matemática.
Ensino Médio avança em acesso, mas aprendizado segue em nível crítico
Foto: J.P. Junior Pereira / Shutterstock.com.

O Ensino Médio brasileiro vive uma contradição: enquanto o acesso e a permanência dos jovens nessa etapa avançaram significativamente nos últimos anos, os indicadores de aprendizagem seguem estagnados em níveis críticos. Em 2023, apenas 4,5% dos alunos da 3ª série do Ensino Médio da rede pública terminaram a escola com aprendizado considerado adequado em Matemática e Língua Portuguesa, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025.

O dado revela que, apesar de avanços estruturais, como a redução da evasão e da distorção idade-série, a qualidade do que se aprende dentro da sala de aula permanece distante do esperado. Segundo o documento, o estudante brasileiro está chegando mais longe na escola, mas não está saindo de lá preparado. O gargalo não é mais o acesso, e sim a aprendizagem.

Avanços no acesso

Entre 2014 e 2024, a proporção de jovens entre 15 a 17 anos matriculados no Ensino Médio cresceu de 72,9% para 82,8%. No mesmo período, o número de estudantes de 19 anos que já haviam concluído essa etapa saltou de 55% para 71%, o melhor índice da série histórica.

As desigualdades regionais, embora persistam, também mostram sinais de redução. Em 2024, os estados com piores taxas de matrícula foram Amapá (67,9%) e Pará (74,1%), enquanto Ceará (89,3%) e Mato Grosso (92,1%) lideraram os resultados positivos.

Outro indicador que apresentou melhora foi a distorção idade-série: de 28,2% em 2014 para 17,8% em 2024. São Paulo, por exemplo, atingiu o melhor desempenho do País, com apenas 9,5% de estudantes com atraso escolar.

Além disso, as taxas de aprovação cresceram de 81,7% (2015) para 91,7% (2024), enquanto a reprovação caiu quase pela metade, passando de 11,5% para 5,1%. O abandono escolar também recuou, de 6,8% em 2015 para 3,2% em 2024.

O desafio da aprendizagem

Se o fluxo melhorou, a mesma evolução não se observa nos índices de aprendizado. Em 2023, o total de alunos do Ensino Médio com aprendizagem adequada em português e matemática ficou em 7,7%, praticamente o mesmo de 2021 e inferior aos níveis pré-pandêmicos.

A discrepância entre redes também é marcante. Enquanto na rede privada cerca de 30% a 40% dos estudantes alcançam aprendizado adequado em português e matemática, na rede pública esse índice mal chega a 5%.

O recorte por renda reforça a desigualdade. Entre os 20% mais ricos, 16,3% demonstraram aprendizagem adequada em 2023. Já entre os 20% mais pobres, o percentual despencou para apenas 2,4%. A localização também pesa: no mesmo ano, alunos em áreas urbanas registraram 8% de desempenho adequado, contra apenas 2,9% em áreas rurais.

Na análise das disciplinas, os dados continuam preocupantes. Em 2023, apenas 32,4% dos alunos da rede pública do 3º ano mostraram aprendizagem adequada em Língua Portuguesa. Em Matemática, o número foi ainda mais baixo: 5,2%.

Ideb e qualidade

O reflexo desses baixos índices aparece também no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Em 2023, a rede pública obteve 4,1 pontos, abaixo da meta projetada para 2021 (4,9). Apesar de ser uma melhora em relação a 2019 (3,9), o avanço se explica pela redução da reprovação e do abandono, mais do que por ganhos reais de aprendizado.

Na rede privada, o Ideb alcançou 5,6 em 2023, revelando uma distância significativa em relação ao setor público.

Ensino integral cresce, mas ainda é limitado

Uma das apostas para melhorar a qualidade do Ensino Médio tem sido o tempo integral. O percentual de alunos nessa modalidade saltou de 5,2% em 2014 para 20,8% em 2024, com destaque para a rede pública, que lidera a expansão (22,6%).

Já a proporção de escolas que oferecem ensino em tempo integral cresceu de 7,3% para 28,3% no mesmo período. Nas redes públicas e privadas, os números saltaram de 8,2% e 5,2% para 25,7% e 10,5%, respectivamente.

PISA: Brasil segue entre os últimos

No cenário internacional, o Brasil ainda aparece nas últimas posições. No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), avaliação da OCDE, os estudantes brasileiros obtiveram 379 pontos em Matemática, 410 em Leitura e 403 em Ciências, resultados abaixo da média dos países avaliados.

Apenas 26,6% dos jovens atingiram o nível mínimo de proficiência em Matemática, enquanto em Leitura e Ciências os índices foram de 49,7% e 44,6%, respectivamente.

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