Quem nunca sentiu vontade de silenciar as notificações, fechar as redes sociais ou até trocar o smartphone por um modelo mais básico? Esse desejo de se desconectar vai além de uma tendência. Trata-se de uma resposta direta à saturação provocada pela chamada economia da atenção.
O termo define o cenário atual em que marcas e criadores disputam intensamente um recurso limitado: o tempo e a atenção das pessoas. Mas, diante do excesso de estímulos, muitos consumidores têm optado por um caminho oposto. É o do “digital detox”, ou desintoxicação digital.
De acordo com uma pesquisa global da iStock, plataforma de fotos e vídeos de banco de imagem, 93% da população mundial utiliza algum tipo de tecnologia, mas as preocupações com o universo digital também são crescentes. Entre os principais receios apontados pelos entrevistados estão roubo de dados, dependência excessiva e o tempo prolongado em frente às telas. Em outras palavras, a tecnologia facilita, mas também esgota.
Como o digital detox impacta empresas?
Esse cenário representa um alerta não só para os indivíduos, mas para empresas – especialmente as pequenas e médias (PMEs) – que buscam se destacar em meio ao bombardeio de informações.
Segundo o estudo, 6 em cada 10 pessoas desconfiam dos anúncios que veem online. Isso por acreditarem que foram manipulados, gerados por IA ou simplesmente não são verdadeiros. Em contraste, conteúdos que transmitem calma, autenticidade e conexão com a vida real são mais bem recebidos. Já 43% das pessoas afirmam que usam redes sociais apenas por entretenimento.
Para as marcas, isso significa repensar suas estratégias visuais e de comunicação. A pesquisa mostra que imagens e vídeos que priorizam o cuidado com o cliente, a transparência e o cotidiano são os mais eficazes. Vídeos curtos são preferidos por 52% dos consumidores, e 38% se sentem mais atraídos por fotografias que gerem conexão emocional.
Alternativas
Enquanto as gerações mais velhas viveram com menos distrações digitais, os mais jovens cresceram imersos em telas. A ansiedade é o sentimento mais associado à relação dessa geração com a tecnologia, segundo o VisualGPS – ferramenta de insights visuais da iStock que ajuda a entender o interesse dos usuários sobre um tema específico.
Em resposta, cresce o uso de alternativas como os dumb phones – celulares básicos que oferecem funções limitadas. O retorno do clássico Nokia 3210 e iniciativas como o “The Boring Phone”, lançado pela Heineken, mostram que até grandes marcas estão respondendo a esse movimento de simplificação. Ou seja, as conexões humanas estão sendo redefinidas pela tecnologia, onde o conteúdo é a chave para estratégias mais eficazes capazes de compreender as demandas emocionais do consumidor.
Um novo marketing para a economia da atenção
Para se conectar com essas mudanças de comportamento, os especialistas da iStock recomendam o uso de estéticas visuais mais minimalistas, vídeos com câmeras estáticas ou movimentos suaves, iluminação natural e paletas de cores suaves, que proporcionem uma experiência visual mais terapêutica e acolhedora.
Aquilo que Ricardo Dias, cofundador da Adventures, coloca como “narrativas vivas”, que se adaptam ao contexto tecnológico atual do marketing e que estão redefinindo a conexão entre marcas e consumidores.
No fim, a economia da atenção diz menos sobre marketing e mais sobre como as pessoas querem viver, se relacionar e consumir. As marcas que compreenderem essa transformação têm a oportunidade de deixar de disputar segundos de atenção e começar a construir conexões reais.






