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Desigualdade digital persiste apesar do avanço global da conectividade

Desigualdade digital persiste apesar do avanço global da conectividade

Mesmo com 6 bilhões de pessoas online em 2025, diferenças de renda, gênero, idade e localização mantêm milhões excluídos da internet e acentuam a distância entre países e grupos vulneráveis.
Desigualdade digital persiste apesar do avanço global da conectividade
Foto: DALL-E
O avanço global da conectividade não elimina a desigualdade digital, que segue profunda em 2025. Dados da UIT mostram que 74% da população mundial está online, mas o acesso permanece desigual entre países ricos e pobres, entre homens e mulheres, entre jovens e adultos e entre áreas urbanas e rurais. Enquanto economias de alta renda se aproximam da universalização, nações de baixa renda registram índices muito inferiores e enfrentam lacunas severas em infraestrutura, especialmente no 5G e no 4G. A posse de celulares cresce, mas não garante inclusão digital efetiva.

A conectividade global segue avançando, mas a desigualdade digital permanece como uma das barreiras mais profundas para a inclusão social e econômica. Os dados mais recentes da União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostram que o mundo chegou a 2025 com 74% da população online. O valor equivale a 6 bilhões de pessoas, acima dos 71% registrados em 2024.

Apesar do crescimento, mais de um quarto dos habitantes do planeta continua sem acesso à internet. Assim, a exclusão não diminui no ritmo necessário para alcançar a meta de conectividade universal.

As diferenças entre países de rendas distintas tornam evidente o tamanho do problema. Enquanto economias de alta renda apresentam taxas de uso da internet entre 92% e 94%, os países de baixa renda mal alcançam 28% entre homens e 18% entre mulheres.

Entre os grupos mais vulneráveis globalmente, como os Países Menos Desenvolvidos (PMDs) e os Países em Desenvolvimento Sem Litoral (PDSL), apenas 34% e 38% da população, respectivamente, estão conectados em 2025.

No cenário global, a presença masculina online ainda supera a feminina. Cerca de 77% dos homens acessam a internet, ante 71% das mulheres.

Jovens ampliam liderança no acesso à internet

No mundo todo, o uso da internet é especialmente forte entre jovens de 15 a 24 anos. 82% deles estão conectados, um índice dez pontos acima da média global, de 72%.

Embora essa diferença entre gerações apareça em todas as regiões, ela tem encolhido aos poucos nos últimos quatro anos. Entre esses jovens, a chamada “universalidade” – quando a penetração supera 95% – já é realidade na Europa, na CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e nas Américas.

O retrato por faixa etária reforça esse contraste. Em países de baixa renda, os jovens de 15 a 24 anos têm 1,9 vez mais chance de estar online do que o restante da população. Isso representa a maior distância geracional entre todos os grupos econômicos. Já nas nações de alta renda, essa vantagem quase desaparece: os jovens têm apenas 5% mais probabilidade de usar a internet do que as demais faixas etárias.

A internet ainda é muito mais urbana que rural

Em 2025, a conectividade foi marcada por uma divisão geográfica: enquanto 85% dos moradores de áreas urbanas estiveram online, pouco mais da metade da população rural (58%) teve acesso à internet.

Já nos países de alta renda, a desigualdade geográfica está perto de desaparecer: 94% da população já usa a internet, e a diferença entre zonas urbanas e rurais caiu para uma proporção média de 1,1. O cenário muda completamente quando o olhar se volta aos países de baixa renda. Ali, a realidade é outra: só um em cada sete moradores do campo está conectado.

Disparidade global na cobertura 5G e 4G

Desde o início de sua comercialização em 2019, a cobertura do 5G avançou rapidamente, alcançando 55% da população mundial em 2025. No entanto, esse avanço não ocorreu de forma equilibrada. Enquanto 84% da população de países de alta renda já tem acesso ao 5G, apenas 4% das pessoas em países de baixa renda contam com a tecnologia, evidenciando uma disparidade significativa.

Regionalmente, a Europa lidera a expansão do 5G e cobre 74% de sua população, seguida pela Ásia-Pacífico, com 70%, e pelas Américas, com 60%. Em contraste, a cobertura permanece limitada em regiões como os Estados Árabes (13%), África (12%) e CEI (8%).

Apesar da expansão do 5G, o 4G continua sendo uma tecnologia essencial, que garante conectividade para 93% da população mundial. Em países de baixa renda, porém, essa cobertura cai para 56%, mantendo o 3G como uma ferramenta vital de acesso à internet.

5G entra o campo e a cidade

A diferença entre áreas urbanas e rurais também é marcante. Globalmente, 66% da população urbana já possui acesso ao 5G, contra apenas 40% das pessoas em áreas rurais. Nos países de alta renda, 89% dos moradores urbanos contam com cobertura 5G, enquanto apenas 59% da população rural têm acesso. Nos países de baixa renda, apenas 9% da população urbana utiliza 5G, sendo quase inexistente nas áreas rurais.

Mesmo tecnologias mais antigas seguem com maior presença. As redes 4G estão disponíveis para 99% das áreas urbanas em todo o mundo, mas a cobertura nas áreas rurais cai para 84%. Essa média global esconde disparidades extremas: em países de baixa renda, apenas 38% dos habitantes rurais têm acesso ao 4G.

Além disso, ainda existem regiões sem qualquer cobertura de rede ou apenas com 2G, concentradas quase que exclusivamente em áreas rurais. Nessas regiões, a população sem acesso varia de 2% nas áreas rurais da Europa a 21% nas áreas rurais das Américas.

Situações críticas são observadas em países sem litoral em desenvolvimento, onde 17% da população rural não possui cobertura, e nos países menos desenvolvidos, com 19% sem acesso. A maior lacuna ocorre nas áreas rurais de pequenos estados em desenvolvimento, onde 36% da população ainda não tem acesso à banda larga móvel.

Celular cresce, mas desigualdade digital persiste

No mundo todo, 82% das pessoas com 10 anos ou mais têm um celular. Nas economias de alta renda, esse índice já ultrapassou a marca da universalização, com mais de 95% da população conectada por meio de um aparelho. Nos países de renda média-alta, a posse também é elevada e já supera 90%. O contraste aparece com força nas economias de baixa renda, onde apenas 53% das pessoas nesse grupo etário possuem um celular.

Como o celular é o principal ponto de acesso à internet, sua presença costuma refletir o alcance da conectividade digital. Ainda assim, essa relação não é automática.

Muitas pessoas usam o aparelho de outra pessoa. Além disso, há modelos básicos, sem acesso pleno à rede, ou planos tão limitados que servem quase só para chamadas. E ainda há quem tenha mais de um dispositivo. Por isso, em grande parte dos países, a proporção de indivíduos que possuem um celular supera a de pessoas que efetivamente usam a internet.

Esse padrão também se repete em todas as regiões analisadas pela UIT. Na Europa, na CEI e nas Américas, a diferença entre posse de celulares e uso da internet é mínima, já que ambos os indicadores estão perto da universalização. Na Ásia-Pacífico, a posse supera o uso da internet em quatro pontos percentuais; nos Estados Árabes, essa diferença sobe para 14 pontos.

A situação é ainda mais marcada na África: embora 66% da população tenha um celular, apenas 36% está online, criando uma lacuna de 30 pontos percentuais. Apesar disso, a desigualdade vem diminuindo à medida que o crescimento do uso da internet supera o avanço da posse de celulares.

Limitação de acesso a celulares

As diferenças de gênero também se manifestam nesse cenário. Globalmente, 78% das mulheres e 87% dos homens com 10 anos ou mais possuem um celular. A desigualdade, embora tenha recuado, continua presente: as mulheres têm 10% menos probabilidade de possuir um celular do que os homens, uma melhora tímida em relação aos 12% observados em 2022. Entre aqueles que não possuem um aparelho, as mulheres representam 67%.

Assim como ocorre no acesso à internet, a paridade de gênero na posse de celulares está fortemente associada ao nível de renda dos países. As maiores disparidades aparecem justamente nos países de baixa renda, nos menos desenvolvidos e nos países em desenvolvimento sem litoral, onde barreiras econômicas, sociais e culturais ainda limitam o acesso feminino às tecnologias móveis.

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