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Os desafios da gestão dos dados dos consumidores

Os desafios da gestão dos dados dos consumidores

A produção exponencial de dados digitais tem aumentado o debate sobre a gestão das informações dos consumidores. E no meio de tudo isso ainda tem a LGPD
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A relação das empresas, poder público e de pessoas comuns com os dados está mudando – e rápido. É cada vez maior o volume de informações que trafegam na internet, o que deve aumentar de maneira exponencial nos próximos anos com a massificação do 5G e até do 6G – algo que já vem sendo pensado em laboratórios de países desenvolvidos.
Os impactos dessa mudança foram discutidos em um painel dentro Seminário Power Analytics, uma iniciativa do Grupo Padrão. Mediado pelo professor da ESPM, Eduardo Ramalho, eles discutiram desde a “explosão de dados” e até sobre o impacto da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). “Vivemos a explosão de dados. No entanto, as ferramentas de business intelligence (BI) já não respondem da mesma maneira como no passado. Precisamos de um aumento de capacidade do instrumental da ferramenta digital e, principalmente, as pessoas mais capacitadas”, disse.

Segundo Nicolau Camargo, CCO do Sem Parar, o tema de dados tem ocupado  ocupa bastante espaço dentro da companhia. Por conta disso, surgiu um indicador chamado “contact rating” (indicador de contato). “Esse indicador nos ajuda a entender o comportamento do consumidor para colocarmos ele, de fato, dentro da empresa. Uma das nossas recentes iniciativas é colocar o speech analytics para termos uma abordagem ainda mais assertiva” afirma.
Já Luiz Carvalho, founder e CTO do Nexo, afirma que o primeiro passo do mundo corporativo é compreender os dados disponíveis, sejam eles estruturados ou não. Só depois disso é que a companhia deve pensar em adotar ferramentas digitais. “Hoje, temos a necessidade de conhecer a informação. O nosso papel é fazer que a companhia tenha um aprendizado real sobre dados”, disse.

Cultura

Outro assunto que ocupou a atenção dos painelistas no Seminário foi a criação e desenvolvimento de uma cultura de uso de dados dentro das empresas. Ramalho citou uma pesquisa da Accenture sobre as dificuldades na  implementação de novas tecnologias. Uma das conclusões foi que não há escassez de tecnologia, mas faltam pessoas engajadas por dados. “Há problema de legados, culturais. No nosso cotidiano tem uma mistura de questões que envolvem pessoas e processos. Resolver isso é mais importante do que sair adquirindo tecnologias”, disse. 
Camargo, por sua vez, disse que o processo de mudança cultura passa por um processo de democratização de dados. “O importante é como eu dou tecnologia para que todos possam ‘brincar’ sem excluir ninguém. Como eu permito que outras pessoas tenham acesso às mesmas informações. Penso que é bom que tenhamos uma pessoa boa de dados, mas é melhor ainda que todos sejam boas no mesmo assunto”, disse.
“Dado é algo que deve ser compartilhado. Devemos ter em mente que o seu setor não é uma ilha dentro de uma empresa. Devemos compartilhar informações para que outras pessoas possam ajudar. Não acredito em um especialista, mas que todos devem ser especialista em dados”, afirma Carvalho.
Eduardo explica que empresas estão inundadas em dadas, mas sequer sabem o que fazer com essas informações. “Há empresas que armazenam dados que ela não precisa. Há, por outro lado, companhias que precisam de determinadas informações, mas não sabem que essas informações existem.

Proteção de dados

Outro tema discutido no encontro foi o impacto da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O assunto virou o grande tema do mundo corporativo, principalmente quanto ao inevitável processo de compliance com a lei e o medo das sanções previstas na norma. 
Segundo Carvalho, do Nexo, é preciso fazer melhoria nos projetos para solucionar determinados problemas. “Penso que empresas devem ter em mente que a informação que o consumidor deseja deve vir em primeiro lugar. Mas, para isso, deve-se analisar e montar uma estratégia. O nosso pilar é o conhecimento que temos sobre sobre os dados que armazenamos. Precisamos reconhecer o que temos para depois pensar em tecnologias”, disse.
De acordo com Isaías Lemes, co founder do Match, é preciso entender como a LGPD vai influenciar o mercado, inclusive na maneira como usamos os analytics. “É importante amadurecermos sobre o uso dos nossos dados. O consumidor precisa ter visibilidade sobre como essas informações são usadas a qualquer momento”, afirma.

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