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Depressão em jovens cresce desde o início do isolamento; saiba identificar

Depressão em jovens cresce desde o início do isolamento; saiba identificar

Segundo pesquisa, 77% dos adolescentes relataram tristeza, ansiedade, angústia ou sobrecarga emocional
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O aumento de casos de depressão em jovens e crianças tem sido pauta de estudos nacionais e internacionais, devido ao aumento de sua prevalência nos últimos anos. Em tempos de pandemia mundial, as consequências da reclusão parecem ter aumentado ainda mais os quadros relacionados à saúde mental nessa faixa etária.

Segundo dados fornecido pelo Google, houve alta de 98% nas buscas sobre angústia, ansiedade e depressão nem 2020, ante a média verificada nos 10 anos anteriores.

Outra pesquisa, desenvolvida no Brasil pela Fundação Lemman em parceria com o Itaú Social, aponta mais um dado alarmante: 77% dos estudantes relatavam sentimento de tristeza, ansiedade, ou sobrecarga emocional. Em época de Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, é ainda mais importante debater o assunto.

Jovens necessitam de maior atenção

Conforme explica a psicóloga Giulianna Ruiz, a adolescência é um momento da vida em que as pessoas passam por grandes transformações. “Os hormônios estão à flor da pele, é um momento de grandes mudanças e decisões. Essas modificações não passam apenas pelas ‘formas do corpo’, mas pelo estilo de vida, descobertas relacionadas à sexualidade, tomadas de decisões sobre o futuro profissional, mais autonomia e ainda pouca liberdade, bem como a pouca experiência para lidar com situações”, explica.

“Desde o início do isolamento, as crianças têm sido diagnosticadas com aumento de ansiedade e depressão leve. Nesse período está difícil fugir dessa possibilidade, já que todos tivemos que mudar radicalmente as nossas rotinas, planos, objetivos, convivência, distrações, diversão… Existem pesquisas dizendo que a quarta onda da pandemia será a depressão, e isso pode acontecer em todas as idades.”

Com a impossibilidade de desfrutar da socialização escolar, de comparecer a festas, atividades de lazer e praticar exercícios em grupo — questões que geralmente fazem parte da rotina do jovem — o adolescente tem maiores tendências a desenvolver problemas de saúde mental.

“As atividades escolares presenciais, além de serem uma ótima tarefa para a rotina e novos aprendizados, também proporcionam a socialização com os amigos. As festas são momentos onde os jovens se sentem mais livres e dentro do seu grupo, podendo trocar ideias que não trocam na presença de adultos, com menos críticas ou restrições”, aponta a psicóloga.

Como identificar depressão e ansiedade nessa idade?

Muitas vezes os familiares têm dificuldade em comprovar o quadro depressivo dos filhos. Isso porque jovens e adolescentes costumam ter dificuldade na hora de se expressar. Mas, apesar de o diagnóstico efetivo necessitar de um acompanhamento multidisciplinar com profissionais da saúde, alguns sinais podem ajudar os pais a identificar os problemas para encaminhar ao tratamento adequado. A psicóloga Giulianna Ruiz cita alguns sinais de alerta:

  • Isolamento;
  • Falta de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Irritabilidade sem motivos aparentes;
  • Falta de concentração;
  • Mudança na alimentação e sono;
  • Queixas sobre sentimento de inadequação, exclusão, rejeição e manifestações suicidas.

Tecnologia em excesso: problema ou solução

As telas têm sido grandes aliadas nesse período de isolamento. Possibilitam aos jovens certa aproximação com os amigos, familiares, além de viabilizar o acesso às disciplinas escolares. Mas, como tudo em excesso é prejudicial, pode aumentar a dependência dos jovens em relação à tecnologia.

“A tecnologia, de maneira geral, traz respostas e informações de maneira muito rápida e novidades a todo momento. Isso pode contribuir para o aumento da ansiedade dos jovens e dos adultos também, além de impactar a maneira como eles lidam com as questões da vida, que normalmente não se resolvem com a mesma velocidade do que acontece online”.

Sobre a questão, é possível discorrer ainda sobre as distorções que o mundo conectado pode trazer às jovens mentes ainda não completamente desenvolvidas.

“Nas telas, normalmente, as coisas aparecem de forma mais ‘maquiadas’ e, na vida real, vivemos os bastidores, com a ‘mão na massa’, os conflitos, negociações, tempo de espera; então, por si só, a tecnologia pode ser prejudicial caso não seja bem administrada”.

Segundo Giulianna, é importante aprender a dividir a energia e o foco, de forma que momentos sejam separados para distrações, obrigações, diversões, entre outras coisas.

É possível ser flexível?

A discussão sobre a rigidez no respeito às medidas de isolamento levantam sempre discussões. Na opinião da psicóloga, sobretudo em se tratando dos jovens —  geralmente não associados a fatores de risco — , a saída eventual pode ocorrer, desde que feita de maneira responsável.

“Eu acredito que, com cautela, é possível ser um pouco flexível. As atividades externas têm sido as mais indicadas, principalmente porque permitem o distanciamento entre as pessoas, como caminhadas, corridas e práticas de exercícios ao ar livre.”

Fundamental, porém, tomar as devidas medidas orientadas pelos profissionais da saúde, como higienizar as mãos constantemente e utilizar máscaras de proteção.

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