Transformar dados em inteligência prática é um dos maiores desafios das empresas atualmente. Mais do que coletar informações, é preciso organizá-las, interpretá-las e aplicá-las em decisões que melhorem a experiência de clientes e colaboradores. Nesse contexto, a cultura IA-driven – que coloca a Inteligência Artificial no centro das estratégias corporativas – foi tema de debate no CONAREC 2025, durante o painel O impacto da cultura IA-Driven na jornada dos consumidores.
Mediado por Ariane Reisier, head de IA e Performance Digital na ConquestOne, a conversa, que contou com a participação de Gilsinei Hansen, Chief Revenue Officer da Zenvia; Wellington Silva, diretor de Tecnologia da Riachuelo; e André Weinmann, CEO da NotCo Brasil, trouxe exemplos práticos, reflexões sobre governança de dados e cases inovadores de aplicação de IA em setores distintos como varejo, tecnologia e alimentos.
Como bem destaca Ariane Reiser, a cultura IA-driven é uma evolução natural da cultura data-driven. Segundo ela, a transição é comparável a uma receita de bolo: é preciso primeiro observar padrões e condições, depois aplicar ajustes inteligentes para aprimorar o resultado. “Sem dados organizados e acessíveis, não existe Inteligência Artificial que funcione bem. A IA é a camada que transforma informações em decisões escaláveis”, ressalta.
A estrutura por trás da IA
Nesse sentido, Wellington Silva conta que o maior desafio do varejo de moda é estruturar dados de forma confiável e consistente. “Antes de falar de IA, precisamos falar de governança. Dados ruins geram decisões ruins”, alerta o diretor da Riachuelo.
Na prática, a empresa já utiliza IA para testar hipóteses sobre a apresentação de produtos no site e para personalizar recomendações de compra. “Se um cliente procura uma peça que está em falta no estoque, a IA pode sugerir alternativas relevantes em tempo real, transformando uma frustração em oportunidade”, exemplifica.
Corroborando o ponto de vista, Gilsinei Hansen reforça a necessidade de integração. Para ele, de nada adianta ter dados espalhados em ERP, CRM e sistemas de e-commerce se eles não conversam entre si. “O diferencial competitivo está em unificar essas informações e permitir que decisões sejam tomadas com base em uma visão completa do cliente”, afirma.
O executivo chama a atenção para um ponto cultural: a abertura do consumidor brasileiro para compartilhar informações pessoais, como CPF e telefone, o que facilita a construção de jornadas personalizadas. “Esse comportamento nos dá uma vantagem frente a outros mercados, mas é fundamental usá-lo com responsabilidade e transparência.”
Um novo aliado
Quando as empresas constroem uma infraestrutura de dados e tecnologia robusta para apoiar a Inteligência Artificial e impulsionar projetos de automação e inovação, o cenário muda – e ela passa a ter, de fato, uma cultura IA-driven.
Esse é o caso da NotCo, startup que já utiliza Inteligência Artificial até para desenvolver alimentos. André Weinmann conta que a IA batizada de “Giuseppe” revolucionou os processos da empresa. “Um chocolate que levaria três anos para ser desenvolvido chegou ao mercado em cinco meses. Um sorvete que demoraria dois anos, foi lançado em apenas seis semanas”, relata.
Para que isso seja possível, o CEO destaca que a IA não substitui profissionais, mas amplia o alcance deles. “Ela é como uma calculadora moderna: poderosa nas mãos de quem entende o problema. Sem especialistas humanos, a tecnologia sozinha não gera valor.”
Dessa forma, adotar uma cultura IA-driven vai além de implementar ferramentas sofisticadas. Exige estruturar dados, repensar processos internos, engajar colaboradores e criar uma visão estratégica em que a IA seja uma parceira de negócios. Mais do que reduzir custos ou acelerar tarefas, a tecnologia é um motor de transformação cultural que redefine como empresas se relacionam com clientes e criam valor em seus mercados.





