As Pequenas e Médias Empresas (PMEs) representam uma parcela determinante para economia brasileira, sendo responsáveis por uma grande parte da geração de empregos. No entanto, muitas dessas empresas enfrentam dificuldades financeiras, principalmente em períodos de incerteza econômica. A falta de capital pode restringir a capacidade de expansão, inovação e até mesmo a manutenção das operações diárias.
Uma das estratégias cada vez mais adotadas por esses empreendimentos é o uso de empréstimos para impulsionar o crescimento e realizar investimentos estratégicos. Para entender o que leva as PMEs a solicitarem crédito no mercado, em suas diferentes modalidades, como empréstimos, rotativo do cartão e antecipações de recebíveis, o Serasa Experian realizou uma pesquisa inédita. Os dados mostram que há diferenças entre as razões que levam a cada opção, bem como diferenças de acordo com o setor de atuação.
As 7 principais finalidades dos empréstimos
Investir no próprio negócio
Para a maioria das PMEs, reinvestir no próprio empreendimento é a prioridade. Esse investimento pode abranger diversas áreas, como aquisição de novos equipamentos, expansão da capacidade produtiva, ou desenvolvimento de novos produtos e serviços.
Fluxo de caixa e capital de giro
Um fluxo de caixa saudável é essencial para a sustentabilidade de qualquer negócio. Cerca de 22% das PMEs veem nos empréstimos uma solução para melhorar seu capital de giro, garantindo que possam operar com maior segurança financeira e estabilidade.
Compra de matéria-prima
Aproximadamente 13% das empresas utilizam os empréstimos para garantir o fornecimento contínuo dos insumos necessários, evitando interrupções que poderiam afetar a produção e, consequentemente, as vendas.
Pagamento de contas
Para 11% das PMEs, o objetivo ao solicitar um empréstimo é evitar atrasos no pagamento de contas. Manter as obrigações financeiras em dia é fundamental para preservar a credibilidade e o bom relacionamento com fornecedores e prestadores de serviços.
Investimentos em marketing, comunicação e vendas
Aproximadamente 10% das empresas destinam os recursos obtidos através de empréstimos para fortalecer suas estratégias de marketing, comunicação e vendas. Investir nessas áreas é vital para aumentar a visibilidade da marca, atrair novos clientes e, consequentemente, impulsionar as vendas.
Melhores negociações com fornecedores
Outro grupo de 10% das PMEs utiliza os empréstimos para obter melhores condições de negociação com fornecedores. Isso pode incluir descontos por pagamentos antecipados ou a possibilidade de comprar em maior volume, resultando em economia de custos a longo prazo.
Alternativa para emergências
Além dos empréstimos tradicionais, muitas PMEs recorrem ao rotativo do cartão de crédito como uma ferramenta de emergência. A pesquisa revelou que:
- 21% utilizam o rotativo para pagar contas antes de atrasar;
- 21% usam para comprar matéria-prima;
- 18% ampliam seu capital de giro através do cartão de crédito.
Por fim, quando a modalidade é antecipação de recebíveis, as principais funções, empatadas em percentual, são:
- 21% ampliar o capital de giro;
- 21% equilibrar o fluxo de caixa;
- 20% realizar investimentos no próprio negócio.
De acordo com o vice-presidente de PMEs da Serasa Experian, Cleber Genero, “antes da tomada de crédito, um planejamento fundamental para as PMEs é entender a finalidade e a necessidade desse montante. A partir daí, o empreendedor pode se planejar para escolher modalidades e condições que sejam mais vantajosas para o seu negócio e capacidade de pagamento”.
Finalidades por setores da economia
Dados mostram ainda que os motivos pelos quais os empreendedores utilizam o crédito mudam de acordo com o setor de atuação das PMEs e com o tipo de modalidade.
O empréstimo para obter um capital de giro e ter um fluxo de caixa saudável também cresce quando olhamos especificamente para o comércio. O percentual chega a 30% no setor contra 22% no recorte geral.
Já 38% das empresas de serviços e 34% das indústrias afirmam que utilizam o empréstimo (como conta garantida e outros) para investir no próprio negócio (versus 33% na visão geral).
Na terceira opção, para a aquisição de matéria-prima ou produtos, também destaca-se o comércio, com 30%, contra 13% no geral. Outro destaque do setor de comércio é a utilização do empréstimo para conseguir melhores negociações com fornecedores à vista. Segundo a pesquisa, essa finalidade no segmento é de 30% contra apenas 10% quando olhamos o total da amostra.
Já a opção do rotativo do cartão de crédito por setor tem como destaque o aumento de 3.p.p. no uso para o pagamento de contas antes de atrasar por parte do comércio.
Por fim, quando olhamos as opções de recebíveis por setor o destaque também é o comércio, sendo que 21% das PMEs dentro desse recorte utilizam a opção para conseguir melhores negociações com fornecedores, um aumento de 12p.p..
“Vimos que as necessidades das PMEs para o uso do crédito estão muito ligadas às necessidades primárias do seu dia a dia e, muitas vezes, funciona como um combustível para aquisições, por exemplo, que não poderiam ser realizadas à vista”, complementa Cleber Genero. “Entender, com dados, as necessidades das pequenas e médias empresas por setor traz insights importantes sobre o acesso ao crédito e dores dessas empresas”.
CCX
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