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Apenas 16% da população brasileira adulta é consumidora de livros

Apenas 16% da população brasileira adulta é consumidora de livros

Levantamento da Câmara Brasileira de Livros aponta que 25 milhões de consumidores brasileiros adquiriram um livro nos últimos 12 meses.

A pesquisa, que teve como objetivo identificar o perfil e os hábitos de consumo e leitura dos compradores de livros no Brasil, também identificou que os principais motivos para que esses consumidores adquiram um livro são o crescimento pessoal e o lazer. Por outro lado, os entrevistados apontaram que, além da leitura (44,9%), boa parte das demais atividades de lazer praticadas são relacionadas ao uso da internet, como navegar pelas redes sociais (50,8%), consumir serviços de streaming (44,3%) e assistir a conteúdos pelo Youtube e TikTok (36,4%), por exemplo.

“A pesquisa ‘Panorama do Consumo de Livros’ foi pensada para traçar um perfil e hábitos de compradores de livros no Brasil”, afirma Sevani Matos, presidente da CBL. “As informações sobre os hábitos de consumo, preferências e comportamentos dos brasileiros mostram a importância da realização de ações efetivas de fomento à leitura. O Brasil precisa de uma política séria e eficiente de formação de leitores e fortalecimento do livro”.

“Em relação à produção de dados, o estudo coloca o mercado brasileiro do livro em patamar semelhante àquele observado em mercados mais maduros, pois a partir de agora teremos uma pesquisa focada na indústria, outra no varejo e outra no consumidor”, ressalta Mariana Bueno, coordenadora de pesquisa da Nielsen BookData. “É uma nova ferramenta para apoiar a tomada de decisão dos agentes da cadeia produtiva do livro”.

Perfil do consumidor de livros

Segundo o levantamento, a maioria dos consumidores de livros são mulheres, representando 57%. Além disso, a distribuição por faixa etária desses indivíduos é parecida com a representatividade brasileira, com mais consumidores concentrados entre os 35 e 44 anos (24%), seguido pela faixa entre 25 e 34 anos (22%). A maioria dos compradores está concentrada nas classes C e B, que somam 82%. Já a classe A concentra 7% desse público. Também estão concentrados, principalmente, nas regiões Sudeste (45%) e Nordeste (28%).

A maioria dos consumidores de livros acima de 18 anos possui o Ensino Médio completo e o Ensino Superior incompleto (42%), seguidos por aqueles com o Ensino Superior completo (32%) e Pós-graduandos (17%). Além disso, a ocupação mais citada é no setor privado (30%), seguida por profissionais autônomos (21%) e servidores públicos (13%).

Enquanto 16% da população brasileira adulta comprou ao menos um livro nos últimos 12 meses, 84% não comprou. Segundo 60% das pessoas desse grupo, o hábito de leitura, por mais importante que seja, não é tão facilmente acessível. Para elas, preços, ausência de lojas e falta de tempo são os principais fatores que desmotivam ou impedem de efetuar a compra de livros.

As regiões Norte e Nordeste são as que concentram o maior percentual de respondentes que indicaram a falta de livrarias como impedimento para adquirir livros. A pesquisa ainda identificou que a percepção de que o livro é um produto caro independe das classes sociais.

Canais de compra e formatos de livros

Os canais favoritos dos consumidores para adquirir livros são os sites e aplicativos (55%), seguidos pelas livrarias, lojas e sebos (40%). Para aqueles que preferem fazer compras online, os principais motivos são: a oferta de preços e promoções (43,5%), a praticidade (35%), a facilidade de encontrar o que buscam (29,2%), poder comprar sem sair de casa (28,5%) e a possibilidade de comparar preços em diferentes sites (24,1%), entre outros.

Já para os consumidores que preferem fazer suas compras presencialmente, os principais motivos são poder ver o livro na loja antes da aquisição (52,4%), receber o produto imediatamente sem precisar esperar pela entrega (41,9%), não precisar pagar o frete (23,8%), maior variedade de livros (22,6%) e a praticidade (20,7%).

Os consumidores que fizeram sua última compra de livros físicos de forma presencial indicaram como principais canais a Livraria Leitura (24,01%), a Saraiva (20,31%), livraria de bairro (18,88%), Livrarias Curitiba (9,31%), Livraria Cultura (9,08%) – em recuperação judicial – e Livraria da Travessa (5,23%).

Entre os compradores de livros, 53% afirmaram que adquiriram livros não didáticos, enquanto 15% escolheram apenas títulos didáticos. 33% selecionaram livros de ambas as finalidades. Além disso, a maioria comprou livros físicos (54%), enquanto 15% compraram apenas digitais e 31% escolheram livros dos dois formatos nos últimos 12 meses. No entanto, na última compra que fizeram, a maioria dos livros adquiridos (71%) foram livros físicos, 22% foram digitais, e 7% foram uma mescla dos dois formatos.

Livros digitais

Entre os consumidores que compraram livros digitais, 81% escolheram e-books em sua última compra, enquanto 19% levaram audiobooks. Os canais escolhidos para a última compra foram, principalmente, Amazon (46,6%), Google (25,5%), Skeelo (8,9%), Apple (5,9%) e direto com o autor (4,4%).

Além disso, segundo os entrevistados, os motivos que os levaram a comprar livros digitais em sua última aquisição foram preço (68,1%), disponibilidade (49,3%), variedade de títulos (33,9%), uso de vale-presente ou voucher (11,6%), serviço ou atendimento (8,9%), pré-venda (5,9%) e por ter o e-reader da loja (0,4%).

Os gêneros mais escolhidos pelos compradores de e-books foram Não Ficção para Adultos (35,8%), Ficção para Adultos (30,6%), livro Científico, técnico e profissional (22,3%), Didático (6,3%), Infantil (2,7%) e Juvenil (1,9%). Já os consumidores de audiobooks preferiram títulos de Autoajuda (17,3%), Não Ficção para Adulto (9,8%) e livros de Religião e Esoterismo (8,8%).

Clubes de assinatura

Já entre os consumidores de livros digitais, os principais clubes citados são Kindle Unlimited (37,7%), Skeelo (29,3%), Prime Reading (8,6%), Toca Livros (8,6%), Aya Books (4,7%), Audible (3,6%), e mais.

Os motivos que levaram esses consumidores a adquirir uma assinatura em clubes de leitura são: a variedade de títulos (6,9%), para ler coisas diferentes (40,3%), preço da assinatura (35,2%), comodidade (34,2%), fator surpresa de não saber o que vai receber (23,8%) e curadoria de títulos (14,4%).

Por um país de pequenos leitores

Segundo a pesquisa, enquanto a leitura de livros é a segunda atividade de lazer mais citada entre os consumidores, entre aqueles que não compraram livros nos últimos 12 meses, a leitura ocupa a 13ª posição.

A pesquisa encomendada pela CBL chega poucos dias depois da divulgação dos resultados do Pisa 2022, no qual avaliou a proficiência de estudantes ao redor do mundo em diferentes áreas do conhecimento. No caso brasileiro, 50% dos alunos de 15 anos tiveram desempenho abaixo do considerado básico em leitura. Já 73% dos mesmos tiveram resultados abaixo do razoável em matemática, e 55% em ciências.

Para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), O nível abaixo do básico significa que os jovens alunos não têm a proficiência adequada para participar da sociedade de forma plena. O dado foi citado pelo autor Pedro Bandeira, homenageado como personalidade literária do ano pelo Prêmio Jabuti, que realizou a cerimônia de entrega dos reconhecimentos nesta terça-feira, dia 5/12.

“Nós tivemos a infelicidade de ter saído agora o relatório Pisa de 2022, e verificamos que nós, povinho brasileiro de 15 anos, está um pouco pior do que estávamos, principalmente em compreensão à leitura. Isso é realmente tremendo, meninos de 15 anos que são incapazes de compreender, em um texto curto, a ideia daquele texto”, disse Bandeira ao receber o prêmio de personalidade do ano. “Eu queria dividir esse prêmio com todos os meus colegas. Num país como Brasil, essa literatura [infantil] é mais importante do que a literatura adulta. Porque hoje em dia, o adulto que lê, lê. Quem chegou à idade adulta e não lê, não vai se tornar um leitor. Quem está lutando para ter um país de adultos leitores somos nós, escrevendo para crianças desde dois anos”.



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