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Por que não conseguimos excluir as nossas redes sociais?

Por que não conseguimos excluir as nossas redes sociais?

Enquanto não desgrudamos os olhos dos smartphones, é importante consumir conteúdo edificante. E as marcas têm papel fundamental nisso

Um usuário de mídia social gasta quase um dia de sua vida por semana nas redes sociais: o dado é da série de relatórios Digital 2021, publicados em parceria entre We Are Social e Hootsuite. São 2 horas e 25 minutos observando os feeds diariamente.

A rolagem quase infinita de aplicativos como Facebook, Instagram e TikTok faz com que muita gente sequer perceba quanto tempo se passou. Apesar de a pesquisa mostrar que grande parte dos usuários acessa esses apps para manter-se atualizado com notícias e novidades e buscar entretenimento no tempo livre, o uso excessivo das redes sociais pode acabar causando efeito contrário à diversão.

A distorção de imagem e o sentimento de que a vida do outro é sempre melhor são os principais problemas engatilhados pelo uso excessivo das mídias. Mas então, por que mesmo com esses sentimentos ruins, não conseguimos abandonar o smartphone, mesmo que por poucos dias (ou até horas)?

Leia Mais: 5 Personalidades que defendem uma regulação para as redes sociais 

Redes sociais foram criadas para prender a atenção

A resposta para a pergunta anterior está no que acontece no cérebro. Segundo uma pesquisa realizada na Universidade do Estado da Califórnia, os likes, comentários e visualizações fazem o corpo liberar dopamina, um neurotransmissor que causa sensação de prazer. E não buscamos apenas a visibilidade: o que vemos nas redes sociais influencia nossos hábitos de consumo, comportamentos e até mesmo o que pensamos sobre nossos próprios corpos.

O documentário “O Dilema das Redes”, da Netflix, também conta sobre essa tecnologia de persuasão, que cria a ansiedade por consumir o conteúdo o tempo todo. O problema é que o que é publicado nas redes sociais é apenas um pequeno recorte da vida dos usuários desses perfis – e com enquadramento.

A revista feminina Allure pediu ao psiquiatra e dermatologista Evan Rieder que avaliasse o potencial das plataformas de mídia social afetarem negativamente um usuário em relação a autoimagem, incentivo à comparação e quanta ansiedade isso pode provocar. Instagram e TikTok foram consideradas as redes com efeitos mais adversos, sobretudo por causa dos filtros e da exposição de corpos e lugares irreais.

Em entrevista à Allure, o psiquiatra explica que o Instagram, principal fonte de distorção nascida do filtro, faz uso do efeito de exposição repetida, um fenômeno psicológico que demonstra a tendência do ser humano de apreciar algo que vê muitas vezes. Dessa forma, filtros que deixam os lábios excessivamente carnudos, as peles sem poros ou os corpos esculturais tornam essas imagens naturais e criam o desejo no usuário de ter o mesmo. E, assim, não conseguimos tirar os olhos daquilo que almejamos. Busca-se, portanto, algo que sequer existe na vida real.

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É possível usar para o bem

Se bem trabalhada, essa sensação de que o que é visto nas redes sociais é normal pode ser benéfica. Minorias podem ganhar visibilidade e determinadas características que são motivos de preconceitos podem passar a ser valorizadas ou, no mínimo, consideradas comuns.

Isso pode acontecer em diferentes ocasiões, como quando uma celebridade posta fotos sem edição, filtro ou maquiagem, mostrando que a pele ser como se vê nas fotos editadas é inverossímel. É possível também encontrar grupos de afinidade e usuários com características e interesses semelhantes.

No entanto, é fundamental que essas mesmas pessoas estejam preparadas para se proteger de discursos de ódio, outro motivo pelo qual a saúde mental pode sair prejudicada com o excesso de exposição às redes sociais.

Escolhas sábias antes de postar: o papel das marcas

Marcas que estão presentes nas redes sociais têm papel relevante na sensação de identificação do usuário e na construção de um ambiente digital mais saudável. “Cada vez mais vemos as marcas dando espaço para pessoas comuns, sendo inclusivas e mostrando a verdadeira realidade da maioria das pessoas. Campanhas que dificilmente víamos, com pessoas acima do peso, por exemplo, hoje se tornam mais frequentes. O levantamento de bandeiras, trazer e dar importância às vozes das minorias, ter a inclusão e representatividade ativamente nessas mesmas redes sociais, chama a atenção das marcas e aciona seus radares”, diz o publicitário Brunno Ortiz, gerente de operações na IWM Agency, agência especializada em marketing de influenciadores.

Para Brunno, o uso das redes sociais pelas marcas pode até influenciar bons pensamentos e comportamentos, com campanhas que dão espaço a diversidade e inclusão, por exemplo. Trabalhar com influenciadores que estejam alinhados com os valores das marcas também é uma forma de usar as redes sociais para o bem, dando espaço e voz a discursos edificantes.

“As marcas se preocupam muito com declarações e posicionamentos dos influenciadores. Se eles são polêmicos, entram em debates fervorosos sobre política, fazem ofensas que atacam grupos e pessoas, de imediato já são cortados como opções para trabalharem com essas marcas. Os influenciadores estão sempre sendo monitorados pelas marcas e agências em relação ao momento que estão passando, tanto para essas questões sensíveis como também para oportunidades”.

Leia mais: Elas estão de olho! Saiba como proteger seus dados nas redes sociais 

Saúde mental em primeiro lugar

O documentário “O Dilema das Redes”, o qual já mencionamos neste texto, aborda também a questão da personalização dos ambientes nas redes sociais. Quanto mais se consome de um determinado conteúdo, mais conteúdo semelhante passa a aparecer no feed. Tentar sair dessa bolha de informação é uma opção para encontrar opiniões e realidades diferentes.

E, quando se trata de saúde mental vale lembrar de seguir apenas marcas e influenciadores que vão além do incentivo ao consumo e trazem algum tipo de positividade ao dia a dia do usuário. Além, é claro, de se desconectar de vez em quando para aproveitar o que se vê fora das telas – e, nisso, a psicoterapia pode ajudar bastante.

“Durante a pandemia; com o distanciamento social, ficamos afastados de nossos familiares e foi nesta oportunidade que as marcas precisaram se reinventar para que pudessem continuar presentes para seus consumidores. Vimos marcas realizando campanhas que traziam significado para os Dia das Mães, assim como marcas de telefonia trazendo de forma emocionante e descontraída a questão de contarem com a empresa para se manterem conectados com as pessoas que amamos. Fora da pandemia, temos campanhas muito legais onde vemos a inclusão de minorias, tendo em uma campanha a totalidade destas pessoas”, completa o gerente de operações.

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