A China avança em um ambicioso projeto de centros de dados orbitais para processar IA usando energia solar ilimitada e desafiando limites terrestres de energia e resfriamento.
O plano de desenvolvimento para isso foi anunciado recentemente pela mídia estatal chinesa. A ideia é lançar os centros de dados de IA baseados no espaço nos próximos cinco anos.
Liderado pelo Instituto de Tecnologias Espaciais de Pequim (Beijing Astro-future Institute), o plano da China envolve 16 centros iniciais a 700-800 km de altitude, com capacidade gigawatt via painéis solares contínuos (16 GW).
Estes subsistemas incluem computação espacial, transmissão relay e controle terrestre (cada sub-centro suporta milhões de cards de servidores). Vale uma explicação técnica aqui: a transmissão relay, atuaria como infraestrutura de rede; relays espaciais ou terrestres roteariam dados de IA entre satélites e solo, similar a como SMTP relays transferem e-mails ou vídeo relays retransmitem sinais ao vivo.
A vez da IA no espaço
O cronograma da China está organizado em períodos: primeira constelação 2025-2027; segunda 2028-2030; escala total até 2035, com produção em massa e acoplamento orbital.
A CASC (Corporação Aeroespacial Chinesa) informa que integra a ação ao 15º Plano Quinquenal, com foco em IA espacial e turismo orbital, e está otimista com a iniciativa. Para Wang Jian, renomado cientista da computação chinês, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia, diretor do Zhejiang Lab e fundador do Alibaba Cloud, “é hora de colocar IA no espaço”.
A SpaceX, empresa americana, de Elon Musk, também planeja destinar recursos de seu IPO previsto para 2026, avaliado em US$ 25 bilhões, ao desenvolvimento de data centers de IA orbitais, visando contornar limitações energéticas no solo e não ficar fora dessa nova corrida espacial.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça) deste ano, Musk revelou que a companhia pretende lançar satélites equipados com centros de dados de IA alimentados por energia solar em até três anos.
Por outro lado, há um alerta para custos-benefícios reais e outros desafios econômicos. Mas, a competição EUA-China está impulsionando a tendência, como uma nova corrida pelos data centers orbitais para eficiência (resfriamento natural, baixa interferência).
Segundo dados da Goldman Sachs, a demanda de energia dos data centers aumentará 165% até 2030. Muitos desses data centers já usam energias renováveis, e outros estão sendo construídos. Entretanto, fontes de energia limpa requer espaço físico – assim como a própria infraestrutura do data center. Veremos se a resposta está realmente no espaço.





