Quando a Casas Bahia decidiu estampar seu nome no maior campeonato estadual do País, a estratégia não era apenas ganhar visibilidade. Era ocupar território cultural. Agora, na reta final do Paulistão 2026, a marca dá um passo além: transforma suas megalojas em arenas de transmissão, leva a taça oficial para perto do público e convida o torcedor a viver o futebol dentro do ponto de venda.
Mais do que uma ativação pontual, a iniciativa escancara um movimento estratégico cada vez mais relevante no varejo: unir marketing e experiência para construir conexão genuína – e duradoura – com o consumidor.
Do “cara ou coroa” ao carrinho de compras
Antes mesmo de levar o telão para dentro da loja, a Casas Bahia já havia encontrado uma forma criativa de entrar em campo. No tradicional sorteio de “cara ou coroa” antes das partidas, as faces da moeda foram substituídas por produtos do portfólio da varejista. O item sorteado passava a ser promovido nas lojas e no digital na semana seguinte.
O resultado? Vendas até 190% maiores no dia seguinte ao jogo e aumento de 49% na procura pelos produtos nas semanas dos sorteios, inclusive em categorias de alto valor agregado.
Mas o dado mais interessante talvez não seja o percentual de crescimento. É o que ele revela: quando o marketing conversa com o contexto cultural do consumidor, a conversão deixa de ser forçada – e passa a ser quase natural.
“A Casas Bahia ocupa um lugar privilegiado: somos uma marca top of mind, presente no imaginário e no cotidiano dos brasileiros há décadas. O ‘Dedicação Total a Você’ é um slogan que marcou época e segue presente na memória da população”, afirma Amanda Assis, Head de Marketing do Grupo Casas Bahia.
Segundo ela, o patrocínio ao Paulistão é a consolidação de um movimento iniciado no ano anterior. “Além do sucesso comercial, temos percebido um excelente engajamento dos torcedores e dos nossos clientes, o que demonstra que estamos construindo algo que vai além de vendas pontuais: estamos fortalecendo vínculo, presença cultural e preferência de marca no longo prazo.”
A loja como ponto de encontro

A nova etapa da estratégia leva esse raciocínio para o espaço físico. A taça oficial do Paulistão passa por três megalojas em São Paulo – Berrini, Marginal Tietê e Shopping Aricanduva –, replicando ao vivo a dinâmica do “cara ou coroa”. E, no caso da unidade da Marginal Tietê, oferecendo transmissão das semifinais em telão, com arquibancada e barraca de petiscos.
É o varejo assumindo seu papel como palco.
“A loja física é central no nosso negócio. É nela que temos um relacionamento mais próximo e humano com nosso consumidor”, explica Amanda. “Ao levar a taça para as megalojas e transformar o espaço em um ponto de experiência, ampliamos esse papel: a loja deixa de ser apenas um ponto de venda e se torna um ponto de encontro.”
Em um cenário no qual o e-commerce oferece conveniência quase ilimitada, o diferencial do físico precisa ir além do estoque. Ele precisa oferecer pertencimento.
Arquibancada, transmissão ao vivo e ativações criam uma atmosfera que conecta emoção e consumo. E, nesse contexto, os vendedores assumem um novo protagonismo. “Nossos vendedores atuam como verdadeiros consultores, explicando funcionalidades, indicando o que melhor se adequa à realidade de cada cliente e oferecendo as melhores condições para aquisição. Colocamos o consumidor no centro da jornada, não apenas na transação, mas no relacionamento”, completa.
Marketing que começa no apito inicial
A ação do “cara ou coroa” é um exemplo claro de como transformar mídia em experiência. Mas, para que o impacto não seja efêmero, é preciso consistência.
“A marca precisa buscar um diálogo contínuo e consistente. Por isso, nossa estratégia no campeonato foi criar pontos de contato que vão além da simples exposição”, afirma Amanda.
A campanha foi estruturada em 360°: transmissão, redes sociais, digital, promoções, loja física e conteúdo proprietário. Ao todo, as iniciativas somaram 51,8 milhões de views nas transmissões, 20,3 milhões de impressões em mídia e 30,5 milhões de visualizações nas redes sociais, com 271 conteúdos publicados.
Mas, mais do que alcance, o que sustenta a estratégia é a coerência. O produto sorteado no campo aparece em condição especial na loja. A conversa que começa na transmissão continua no Instagram. A emoção do gol pode terminar na compra da TV nova.
“Mais importante do que a ação em si é a forma como ela se desdobra. Ao integrar entretenimento, gamificação, benefícios reais e presença omnichannel, fortalecemos a lembrança e a preferência de marca”, reforça a executiva.
Entre cultura e conversão: o novo papel do varejo
O patrocínio esportivo, por si só, já não basta. O consumidor atual – mais crítico, mais conectado e menos fiel – exige relevância cultural. Ele quer marcas que participem do que importa para ele.
No Brasil, poucas paixões são tão mobilizadoras quanto o futebol. Ao assumir os naming rights do Paulistão e transformar um ritual tradicional do jogo em alavanca de vendas, a Casas Bahia conseguiu algo raro: entrar na conversa sem parecer intrusa.
E, ao levar a partida para dentro da loja, reforça uma tendência que deve ganhar cada vez mais força no varejo: o ponto físico como espaço de experiência, comunidade e relacionamento.
No fim das contas, a TV vendida após o jogo é quase um detalhe. O que está em jogo é estar presente na memória – e no coração – do torcedor quando ele precisar de qualquer solução para sua casa.





