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Como a biometria facial, obrigatória em estádios em 2025, mudará a experiência do torcedor

Como a biometria facial, obrigatória em estádios em 2025, mudará a experiência do torcedor

Com a entrada em vigor da Lei Geral do Esporte, as grandes arenas no Brasil adotam uma biometria facial para controle de acesso, mais segurança, combate ao cambismo e experiência aprimorada para torcedores.
Legenda da foto
Foto: reisegraf.ch / Shutterstock.com

A partir de junho de 2025, torcedores brasileiros que frequentam os maiores estádios do país terão uma nova experiência ao acessar as arquibancadas. Com a entrada em vigor da Lei Geral do Esporte (nº 14.597/2023), arenas com mais de 20 mil lugares serão obrigadas a implementar a biometria facial como forma de controle de acesso, uma mudança que promete mais segurança e praticidade. Estádios como como Allianz Parque, Maracanã e Vila Belmiro já adotaram a medida.

Apesar dos avanços, a biometria facial ainda gera dúvidas e debates, especialmente em relação a questões como privacidade, riscos de falso positivo e vazamento de dados. No entanto, a tecnologia empregada nos estádios difere daquela utilizada para segurança pública — proibida na União Europeia devido a possíveis erros. Com um sistema focado na validação de identidade e no posicionamento adequado do rosto, a biometria facial nos estádios visa minimizar falhas e garantir um ambiente mais seguro e eficiente para os torcedores.

Afinal, o que muda na vida do público com essa nova exigência? E como a tecnologia pode transformar a experiência nos eventos esportivos?

Nova experiência

“A maior diferença, na verdade, é que, na segurança pública, por exemplo, quando você tem uma câmera de reconhecimento facial em um poste e é identificado, isso acontece sem que você queira ser reconhecido”, explica Ricardo Cadar, fundador da Bepass, empresa responsável por implantar a tecnologia nos estádios. “Você está passando pela rua, a câmera captura sua imagem, compara seu rosto com um banco de dados, geralmente da Secretaria de Segurança Pública do Estado ou mesmo do Ministério da Justiça, através de um sistema próprio, para verificar se sua face está entre as pessoas procuradas pela polícia”.

De acordo com o executivo, esse tipo de sistema é polêmico no mundo inteiro. Afinal, há um grande debate sobre se a solução fere ou não a privacidade das pessoas. Além disso, é menos assertivo e pode gerar erros. A diferença principal é que, apesar de ser a mesma tecnologia, no caso da ferramenta utilizada nos estádios, a pessoa deseja ser reconhecida. Quando ela chega ao equipamento de biometria facial, posiciona-se intencionalmente para ser identificada e ter acesso, por exemplo, a um estádio ou evento.

“A tecnologia utilizada é a mesma, baseada no reconhecimento da face em comparação com um banco de dados. No entanto, no caso da segurança pública, há um alto risco de falsos positivos, pois a pessoa pode estar passando na rua, usando um boné, mexendo no celular ou olhando para o lado, o que dificulta o reconhecimento”, destaca.

Como funciona

Para acessar os estádios de futebol, o torcedor precisa fazer o cadastro de sua biometria facial. Esse cadastro é realizado pelo próprio celular durante o processo de compra do ingresso. O torcedor é direcionado para a plataforma, onde cadastra seu rosto junto com um documento oficial, que pode ser RG, CNH ou passaporte. A partir dessa imagem, são extraídos os dados.

Em seguida, é verificado se a pessoa que está se cadastrando é, de fato, a proprietária do documento, cruzando informações com bases da Receita Federal e utilizando o FaceNet para garantir a correspondência.

Após a verificação, o torcedor é redirecionado ao site de compra e conclui a aquisição do ingresso. No dia do jogo, ele não precisa de QR Code, telefone ou ingresso físico. Basta seu rosto para que o equipamento o reconheça e libere o acesso conforme seu cadastro.

Lei Geral do Esporte

Ricardo Cadar, fundador da Bepass | Foto: Assessoria.

Com relação à  Lei Geral do Esporte (nº 14.597/2023), que entra em vigor em 2025, os estádios com capacidade acima de 20 mil pessoas serão obrigados a adotar essa tecnologia. No Brasil, existem cerca de 30 estádios que se enquadram nessa exigência que, a partir de junho de 2025, deverão contar com a solução para realizarem eventos esportivos.

“Nosso trabalho com biometria facial já ocorre há mais de dois anos. O primeiro estádio que implantamos foi o Allianz Parque, ainda antes da Lei ser publicada em junho de 2023. Começamos no Palmeiras em janeiro de 2023, ou seja, antes da obrigatoriedade legal. Estamos preparados para atender essa demanda, embora o prazo já esteja apertado para que todos os estádios possam implementar a tecnologia”, pontua Ricardo.

Sobre o impacto da nova legislação no mercado de biometria facial e na experiência do torcedor, as mudanças já são perceptíveis. Segundo Ricardo, o primeiro grande impacto é o combate ao cambismo, prática prejudicial tanto para os clubes quanto para os torcedores, que muitas vezes pagam valores muito altos pelos ingressos revendidos ilegalmente. Além disso, a biometria elimina ingressos falsos, pois o acesso é feito exclusivamente pelo rosto do torcedor, impedindo fraudes.

O sistema, inclusive, já ajudou a identificar torcedores que foram banidos. Após o banimento, é garantido que eles não entrem nos estádios. Mesmo que consigam adquirir um ingresso, o reconhecimento facial os impede de passar pelos portões. Além disso, pode ajudar na identificação de pessoas envolvidas em brigas ou atos de discriminação.

Impacto na experiência do torcedor

Outro ponto importante é a melhoria na experiência de entrada no estádio. As estatísticas da empresa mostram que a velocidade de acesso aumentou quase três vezes com a biometria facial. Há ainda um ganho significativo em segurança, pois é possível saber exatamente quem está dentro do estádio. Além disso, o sistema permite identificar comportamentos inadequados.

Nesse cenário, os times não estão resistentes a adotar a medida. “Alguns clubes, como o Santos, que tem um estádio para 16 mil pessoas e não está obrigado pela legislação, adotaram a biometria facial por conta própria, apenas pelos benefícios. É claro que torcedores envolvidos com cambismo, venda de ingressos falsos ou violência podem rejeitar a tecnologia, mas esses são exatamente os perfis que queremos manter afastados”, destaca.

Atualmente, a Bepass tem 3 milhões de torcedores cadastrados e, no ano passado, foram realizados mais de 5 milhões de acessos por biometria facial. A meta para o final de 2025 é atingir 7 milhões de torcedores cadastrados e entre 12 e 13 milhões de acessos com o uso dessa tecnologia apenas no setor de esportes e eventos no Brasil. “Atualmente, contamos com 11 clubes e 10 estádios utilizando nossa solução, sendo que Flamengo e Fluminense compartilham o mesmo estádio”, completa.

Questionado se o torcedor pode optar por não fazer a biometria facial, Ricardo explica que quem define as regras do acesso ao estádio é o organizador do evento.

A partir de junho de 2025, a entrada por biometria facial será obrigatória por lei. Ou seja, se o torcedor não quiser se cadastrar no sistema, ele simplesmente não poderá comparecer ao evento.

Privacidade e proteção de dados

Com relação à privacidade e proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), todas as pessoas que se cadastram na plataforma fornecem consentimento explícito para o tratamento dos seus dados, sejam eles não sensíveis – como e-mail, CPF, telefone e nome – ou sensíveis – como a face do usuário.

“Nosso compromisso com a segurança é absoluto e, até o momento, nunca tivemos vazamentos de dados. Como qualquer empresa de tecnologia, enfrentamos tentativas de invasão por robôs, mas estamos preparados para impedir qualquer brecha. A LGPD é fundamental para garantir que esse processo seja transparente e seguro para os torcedores e clubes”, pontua. Além disso, o sistema conta ainda com criptografia de ponta a ponta em seus servidores, com acesso feito de forma tokenizada.

Quanto à possibilidade de erros no reconhecimento fácil, Ricardo pontua que o sistema tem uma assertividade de 99,9%. O que pode acontecer é o chamado “falso positivo”, quando uma pessoa é reconhecida como outra. Isso é uma limitação inerente à tecnologia, destaca Ricardo. No entanto, a chance de um erro desse tipo ocorrer, de acordo com o executivo, é de apenas 0,001%. Assim, o impacto na experiência do torcedor é praticamente nulo.

Além disso, um dos diferenciais da tecnologia é que, mesmo em caso de vazamento ou ataque hacker, os dados dos torcedores continuam protegidos. Isso acontece porque existem vetores em vez de imagens. Ou seja, mesmo que um hacker acesse nosso banco de dados, ele verá apenas um conjunto de pontos desconectados, sem conseguir reconstruir o rosto da pessoa.

Perfil do público

A tecnologia ainda permite que os clubes conheçam melhor o perfil do público que frequenta o estádio. Isso possibilita ativações mais eficazes, como promoções direcionadas a torcedores que comparecem com frequência ou incentivos para aqueles que vão apenas ocasionalmente. Isso abre espaço para um atendimento mais personalizado.

“Com a biometria, os clubes podem oferecer experiências mais personalizadas para os torcedores, aprimorando o relacionamento com o público e impulsionando a venda de produtos e serviços dentro do estádio”, finaliza.

*Foto: reisegraf.ch / Shutterstock.com.

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