Em 2025, 26,3% dos domicílios brasileiros fizeram algum tipo de aposta no ano. Estudo inédito da NielsenIQ revela que as bets ganharam espaço nos gastos dos lares. Entre essas residências, 49% enxergam a prática como uma forma de obter renda extra.
“Já havíamos identificado que apostar se tornou uma prática popular e comum na rotina do consumidor brasileiro. Agora, os números apontam também a dimensão que essa prática está tomando dentro dos gastos do domicílio e na renda dos apostadores”, afirma o líder para Insights da Indústria da NielsenIQ, Gabriel Fagundes.
Modalidades e perfil
As principais modalidades de apostas adotadas pelo brasileiro são a Mega-Sena e o Jogo do Tigrinho, indicados por 15,8% e 7,7% dos lares apostadores, respectivamente. O jogo do bicho e as bets aparecem em seguida, com 3,9% e 3,6%.
Para 49% dos apostadores, a motivação é obter uma renda extra. Já 43,5% esperam uma grande mudança na vida. Este segundo perfil é mais comum na Mega-Sena, e tende a realizar jogos mais casuais, com menor frequência.
O Jogo do Tigrinho apresenta maior presença de apostadores de Nível Socioeconômico (NSE) médio (63,3%). Já na Mega-Sena, são mais frequentes os jogadores de NSE alto (45,5%).
A pesquisa também mostrou que lares mais jovens têm maior presença no Tigrinho, com 42,4% dos apostadores até 35 anos. Na Mega-Sena, 49,1% têm mais de 51 anos.
No recorte regional, o Nordeste aparece como a região com maior número de lares apostadores (29%), seguido pelo Sul (28,3%).
Perfis de apostadores
A pesquisa identificou três perfis de apostadores:
- “Casuais“, que jogam pelo menos uma vez por mês;
- “Pro”, que apostam uma vez por semana;
- “Elite”, que também apostam semanalmente e gastam mais de R$ 100 por mês.
Entre os lares apostadores, 73% são classificados como “Casuais”, 28% como, “Pro” e 9,3% como “Elite”. Entre os “Pro”, 65,8% buscam renda extra; entre os “Elite”, esse percentual é de 63,2%.
Bets e o impacto na renda
A pesquisa também analisou o impacto das bets na renda dos brasileiros. Entre os lares com apostadores do Jogo do Tigrinho, 51,1% gastam entre R$ 30 e R$ 100 por mês. Esses brasileiros têm renda mensal entre R$ 1.400 e R$ 2.800, e o gasto com apostas representa de 1% a 7% dessa renda.
Na Mega-Sena, o cenário é mais brando: com apostas mais esporádicas, 55,5% dos praticantes gastam até R$ 30 por mês.
Substituindo gastos por apostas
De acordo com a pesquisa, 10% dos lares apostadores admitem substituir algum gasto devido às apostas. Dentre eles, 47% apontam que a categoria de alimentos perde espaço, enquanto 45,3% dizem que as apostas impactam mais as contas fixas (água, luz, internet).
A principal estratégia adotada pelos consumidores apostadores para acomodar esse novo gasto é reduzir a quantidade de itens comprados – 60% das categorias registraram diminuição no volume adquirido.
Categorias e canais
Categorias relacionadas a indulgências são as mais impactadas nos lares apostadores. Embora importantes dentro do orçamento doméstico, são também as que mais sofrem substituição de gastos.
A cerveja, por exemplo, registra a maior retração na cesta, com queda de participação dos gastos -1,7pp. Em seguida vêm os biscoitos, que diminuíram -0,4pp. Refrigerantes e perfumes também apresentam impactos semelhantes.
O canal que mais se destacou foi o Cash & Carry, tanto entre lares apostadores quanto entre não apostadores. No primeiro grupo, o canal cresceu 1,8pp; no segundo, 1,6pp, em 2025.





