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Banco Central desliga plataforma do Drex e repensa o futuro do real digital

Banco Central desliga plataforma do Drex e repensa o futuro do real digital

Após identificar falhas de segurança e privacidade, o BC encerra a infraestrutura usada nas fases iniciais do Drex.
Após identificar falhas de segurança e privacidade, o BC encerra a infraestrutura usada nas fases iniciais do Drex
Foto: Shutterstock.
O Banco Central (BC) decidiu desligar, na próxima segunda-feira (10), a plataforma utilizada nas duas primeiras fases do projeto Drex, o real digital. A decisão foi comunicada aos consórcios participantes após o sistema, baseado na tecnologia Hyperledger Besu, não atender aos requisitos de privacidade e segurança exigidos para operações financeiras.

O Banco Central (BC) decidiu desligar, na próxima segunda-feira (10), a plataforma utilizada nas duas primeiras fases do projeto Drex, o Real digital. A iniciativa, que desde 2023 buscava criar uma infraestrutura regulada semelhante às redes blockchain para a tokenização de ativos tradicionais, passará por uma reformulação completa.

O BC comunicou a decisão em uma reunião com os consórcios participantes dos pilotos do Drex. O Banco Central também teria informado que a nova plataforma ainda não tem tecnologia definida, e que o uso da blockchain pode ou não ser mantido. O Banco Central ainda não emitiu um comunicado oficial sobre a decisão.

A decisão foi motivada por limitações técnicas da estrutura anterior, baseada no Hyperledger Besu, que não teria atendido aos requisitos de privacidade e segurança exigidos para operações financeiras.

Caminho aberto para stablecoins

Com o enfraquecimento do Drex, o mercado volta a discutir alternativas privadas, como as stablecoins, moedas digitais emitidas por empresas e lastreadas em reservas reais, como caixa ou títulos públicos. Por manterem valor estável (por exemplo, um dólar digital sempre equivalente a um dólar físico), elas vêm ganhando espaço como possível evolução do dinheiro digital.

Baseadas em tecnologia blockchain, as stablecoins permitem transferências internacionais quase instantâneas, com taxas menores e funcionamento 24 horas por dia, sem a intermediação tradicional dos bancos.

O economista e consultor da Remessa Online, André Galhardo, explica que o uso dessas moedas vem crescendo em operações entre empresas e remessas internacionais. “Velocidade e o custo são determinantes. Para consumidores e profissionais que recebem em outras moedas, o modelo pode representar um avanço importante, desde que seja feito por meio de plataformas reguladas e seguras”, afirma.

Ele destaca, no entanto, que o uso exige atenção e transparência. “Quando a empresa emissora não mantém a transparência sobre as reservas, a stablecoin pode ‘perder o lastro’, fenômeno conhecido como depeg. Além disso, os canais que permitem converter reais em moedas digitais e vice-versa (on/off-ramps) devem seguir regras de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo (PLD/FT)”, alerta Galhardo.

Enquanto isso, bancos centrais de diversos países continuam testando suas próprias moedas digitais oficiais, conhecidas como CBDCs (Central Bank Digital Currencies).

Stablecoins proprietárias

No setor privado, o Itaú Unibanco tem ampliado seu portfólio de criptoativos. Desde 2023, o banco oferece negociações com Bitcoin e Ethereum e, em abril de 2025, adicionou XRP, Solana e USDC, uma stablecoin atrelada ao dólar.

Em agosto, o Itaú passou a disponibilizar, diretamente no Superapp e na plataforma Íon, novos criptoativos como Aave, Avalanche, Chainlink, Polygon e Litecoin.

A instituição já havia sinalizado, em abril deste ano, que avalia a criação de sua própria stablecoin, dependendo do avanço da regulamentação. As iniciativas reforçam o movimento dos grandes bancos em direção à diversificação de capitais e à oferta de soluções completas no mercado de ativos digitais.

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