O avanço dos números causados pelas perdas sociais e econômicas provocadas pelo câncer tem feito com que iniciativas que combinam tecnologia e saúde pública ganhem tração no País. Em 2022, cerca de 3,6 milhões de pessoas em idade produtiva morreram prematuramente de câncer no mundo, segundo o Ministério da Saúde. Só o câncer de colo do útero, quarto tipo mais comum entre mulheres, foi responsável por quase 350 mil óbitos globais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Quase 94% dessas mortes ocorreram em países de baixa e média renda.
Diante desse quadro, o Grupo Mulheres do Brasil, em parceria com a Tactium, empresa especializada em soluções tecnológicas inteligentes, lançou a JUH, uma assistente virtual baseada em Inteligência Artificial (IA) voltada à conscientização e prevenção do câncer de colo do útero. O projeto integra o movimento Juntos Contra o HPV e busca ampliar o alcance das ações educativas em território nacional.
Agentes de IA para prevenção
Desenvolvida para funcionar via WhatsApp, a JUH utiliza agentes digitais de IA para responder dúvidas e orientar multiplicadores, agentes comunitários de saúde e profissionais envolvidos em campanhas de prevenção. O conteúdo foi estruturado com apoio de especialistas do Grupo Mulheres do Brasil e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
“A JUH é mais do que uma ferramenta tecnológica. Ela une ciência e inovação para gerar impacto social mensurável”, afirma Josie Picanço, CEO da Tactium. O avatar da assistente é inspirado em uma enfermeira, que simboliza o foco em acolhimento e educação em saúde.
A tecnologia surgiu após a fase piloto do projeto no Ceará, que capacitou multiplicadores em 10 municípios. O desafio seguinte era a escalabilidade. Segundo a empresa, a JUH foi criada para suprir essa necessidade, garantindo padronização das informações e suporte, independentemente da região.
Câncer impõe elevado custo econômico
Além do impacto na saúde pública, o câncer exerce forte pressão econômica. Em 2022, o Brasil registrou 107.663 mortes por câncer entre indivíduos de 15 a 64 anos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), as perdas de produtividade associadas à mortalidade precoce atingiram US$ 7,4 bilhões.
O custo médio por óbito foi estimado em US$ 69 mil, sendo US$ 70 mil para homens e US$ 67,6 mil para mulheres. Entre eles, os tumores que mais geraram perdas foram pulmão, colorretal e estômago; entre elas, câncer de mama e colo do útero lideraram o impacto. Os tumores que mais custaram por óbito individual foram testículo (US$ 150,3 mil), sarcoma de Kaposi (US$ 130 mil) e linfoma de Hodgkin (US$ 114 mil).
O ginecologista Dr. Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, destaca que a adesão a consultas e exames regulares é o principal fator de redução de mortalidade. “Muitos tumores têm evolução silenciosa. A rotina de consultas é decisiva para identificar alterações em estágio inicial”, afirma.
Segundo o Dr. Alexandre Rossi “o tumor se desenvolve a partir de alterações no colo do útero, chamadas de lesões precursoras, que são totalmente curáveis se diagnosticadas e tratadas precocemente. Se não houver o tratamento, as lesões podem se transformar em câncer”.
Assistente de IA amplia acesso à informação
O projeto da JUH também será alvo de um estudo científico da UECE. Pesquisadores irão comparar os resultados do treinamento presencial com o suporte fornecido pela assistente virtual, medindo indicadores como retenção de conhecimento e capacidade de replicação de informações pelas multiplicadoras. Os dados apoiarão um artigo acadêmico conduzido por uma aluna de doutorado da universidade.
Outro dado interessante, é que todo o desenvolvimento e operação da JUH pela Tactium foram realizados de forma voluntária.
Em sua primeira fase, a JUH será usada pelas multiplicadoras já capacitadas no projeto Juntos Contra o HPV. De acordo com Josie Picanço, a meta, porém, é ampliar o acesso ao público geral. Fortalecendo, assim, a conscientização sobre vacinação e prevenção do câncer de colo do útero em todo o País. “Estamos orgulhosos dessa parceria com o Grupo Mulheres do Brasil e do papel que a JUH desempenhará na erradicação do câncer de colo do útero”, conclui Picanço.





