O cargo de CFO vive uma transformação profunda. Antes associado majoritariamente ao controle financeiro e à preservação de margens, hoje o executivo à frente da área ocupa uma posição estratégica, conectado dados, operação, governança, tecnologia e sustentabilidade. Na Sodexo, multinacional francesa líder global em alimentação e facilities, essa visão se traduz em uma atuação financeira cada vez mais próxima do negócio.
“A função deixa de ser restrita a áreas específicas e passa a ter um papel mais amplo para apoiar decisões estratégicas e impulsionar a geração de valor no curto, médio e longo prazos”, afirma Angélica Bastarrica, CFO da operação brasileira.
A executiva, que recentemente assumiu o cargo, frisa que sua prioridade é fortalecer ainda mais a integração entre a estratégia financeira e as decisões operacionais. Desse modo, é possível garantir o crescimento contínuo da companhia, de forma consistente e sustentável.
Finanças conectadas à operação
Um dos pilares dessa abordagem está na integração entre estratégia financeira e decisões operacionais. Para Angélica, não é possível falar em eficiência ou crescimento sem compreender a realidade do dia a dia da operação. Sua trajetória antes de assumir funções financeiras ampliou essa visão.
“Ter passado por áreas operacionais me dá uma leitura muito mais completa do negócio. Isso faz com que eu tome decisões financeiras considerando o impacto real nas equipes, na operação e nos clientes”, explica.
Essa vivência contribui para estratégias mais pragmáticas, eficientes e conectadas à execução, equilibrando disciplina financeira com crescimento sustentável.
A experiência de Angélica no segmento de Energia e Recursos trouxe aprendizados importantes. Afinal, setores altamente regulados e complexos exigem rigor na gestão de riscos, decisões baseadas em dados e capacidade de adaptação contínua.
Para ela, o grande desafio está em equilibrar eficiência, resiliência e crescimento, mantendo a estratégia financeira alinhada às necessidades do negócio e dos clientes.
Decisões financeiras em setores essenciais
Atuando em segmentos essenciais como alimentação e facilities, a Sodexo sente de forma direta os impactos do cenário econômico. Custos de insumos, inflação e câmbio são variáveis que exigem monitoramento constante e respostas rápidas.
Nesse cenário, a empresa monitora de perto inflação, custos e câmbio para ganhar eficiência operacional e preservar margens.
“Ao mesmo tempo, seguimos investindo em tecnologia, produtividade e soluções integradas, sempre com disciplina financeira e foco em crescimento sustentável no Brasil”, complementa Angélica.
Eficiência e experiência caminham juntas
Na estratégia da Sodexo, eficiência operacional e experiência do cliente não competem entre si. Pelo contrário: são dimensões complementares.
“A eficiência nos permite liberar recursos para investir de forma consistente em qualidade, inovação e experiência”, afirma Angélica. Em contrapartida, uma boa experiência fortalece relações de longo prazo e sustenta a saúde financeira do negócio.
O papel do financeiro, nesse contexto, é direcionar investimentos com disciplina, visão estratégica e foco em geração de valor para clientes, parceiros e colaboradores.
Nesse sentido, a transformação do CFO também passa pelo uso intensivo de tecnologia e dados. Segundo Angélica, esses elementos são pilares da atuação financeira da Sodexo. “Eles nos dão mais agilidade, previsibilidade e qualidade na tomada de decisão, permitindo análises mais profundas de custos, performance e riscos”, afirma.
Com dados mais confiáveis e em tempo real, a área financeira deixa de ser apenas reativa e passa a antecipar cenários, apoiando o negócio de forma mais estratégica.
Liderança financeira e cultura
Formar times financeiros conectados ao negócio exige mais do que conhecimento técnico. Para Angélica, valores como comunicação, transparência, colaboração e senso de responsabilidade são fundamentais.
“A área financeira precisa ir além dos números e entender o negócio na prática”, pontua.
A executiva também destaca a importância do desenvolvimento contínuo, da autonomia e da tomada de decisão orientada por dados, sempre com ética e visão de longo prazo.
Além dos desafios corporativos, Angélica reforça o papel da diversidade na construção de organizações mais fortes. Para as mulheres que desejam ocupar posições de liderança, a mensagem é clara: “Liderar não é seguir um modelo único, mas agir com autenticidade, propósito e coragem”.
Segundo ela, investir na própria trajetória, buscar aprendizado contínuo e ocupar espaços de decisão é essencial. “Organizações mais diversas são mais fortes, inovadoras e humanas, e cada mulher que avança abre caminho para que outras avancem também”, finaliza.





