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Abilio Diniz: Caminhos e escolhas de um dos maiores empresários brasileiros

Abilio Diniz: Caminhos e escolhas de um dos maiores empresários brasileiros

Abilio Diniz faleceu no último dia 18, deixando um legado de construção e crescimento do varejo brasileiro.
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Crédito: Reprodução/Instagram

Não há dúvidas que Abilio Diniz foi um dos maiores responsáveis pela construção do varejo brasileiro. Ao assumir o comando do Pão de Açúcar, fundado por seu pai, Valentim dos Santos Diniz (1913 – 2008), transformou a empresa na maior rede de supermercados do país – posição hoje ocupada pelo Grupo Carrefour. Diniz faleceu no último dia 18, em consequência de uma pneumonite, e deixou um legado para o mercado e para os consumidores do Brasil.

Não só comandou o Pão de Açúcar, como também foi responsável pelas grandes transformações que moldaram a empresa e o mercado varejista brasileiro. Liderou a abertura de capital da organização, formou parcerias que trouxeram investimentos estrangeiros ao negócio, adquiriu e investiu em empresas. Apaixonado por esportes e pelo seu time do coração, o São Paulo Futebol Clube, não deixou o ser humano de lado nos momentos mais desafiadores de sua trajetória.

A trajetória de Abilio Diniz

Nascido em 28 de dezembro de 1936, era o primogênito de seis filhos do empreendedor Valentim. Sua trajetória no Pão de Açúcar teve início em 1959, quando trabalhou com o pai no primeiro supermercado da rede, em 1959, inaugurado na capital paulista mais de dez anos depois da abertura da Doceria Pão de Açúcar, também da família. Abilio Diniz formou-se em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e fez estágios nos Estados Unidos e na França, trabalhando em supermercados.

Em 1993, o Pão de Açúcar criou o chamado ombudsman no varejo brasileiro, o que mais tarde evoluiu para a Casa do Cliente – área dedicada ao atendimento e à solução de demandas de clientes da rede, funcionando como uma representação da voz do consumidor nas diferentes ações da empresa – em 2022.

Em 1989, Abilio Diniz foi vítima de um sequestro que ficou marcado entre o empresariado brasileiro. Depois de 153 horas em cativeiro, foi resgatado e libertado em pleno dia de eleições – as mesmas que elegeriam Fernando Collor como Presidente da República.

Durante a crise gerada pelo Plano Collor na década de 1990, que confiscou as poupanças dos brasileiros, o Pão de Açúcar também sofreu um grave impacto. Além da demissão de mais de 20 mil funcionários, a empresa precisou vender imóveis e fechar pontos de venda.

Foi também na década de 1990 que entrou em um conflito familiar os irmãos e a mãe pelo controle do Pão de Açúcar. O pai, Valentim, distribuiu as ações no negócio entre os filhos em proporções diferentes de acordo com suas contribuições para a empresa. Abilio, que comandava a empresa, seguiu com a maior participação, o que foi contestado pela família. Foi apenas em 1994 que o atrito foi solucionado: três dos irmãos venderam suas frações para Abilio, Lucília, e a caçula, Lucília, permaneceu na empresa.

Liderança sólida

Foi com essa plena liderança que Abilio conseguiu levar suas decisões de negócios à prática. Em 1995, comandou a abertura de capital do Pão de Açúcar. Na sequência, buscou uma sociedade no estrangeiro para impulsionar ainda mais a empresa – ação que teve efeito em 1999, quando a rede francesa Casino adquiriu uma participação de 25% do capital do Pão de Açúcar. Em 2005, Abilio foi além e vendeu o controle acionário para a Casino com o objetivo de levantar mais capital para sanar dívidas do grupo, mas permaneceu no comando.

Em 2009, adquiriu a Casas Bahia e o Ponto Frio, formando o grupo Via Varejo, o maior grupo de distribuição da América Latina. Já em 2011, viu uma oportunidade em um negócio com o Carrefour, um dos principais concorrentes do Pão de Açúcar e da controladora Casino. Assim, tentou romper o acordo com a francesa. Mas acabou assinando um acordo em 2013 no qual abria mão da sua cadeira no Conselho de Administração do Pão de Açúcar, passando o comando tanto do grupo quanto da Via Varejo para a Casino.

Em 2013, ocupou a cadeira de Presidente do Conselho da BRF, além de comprar ações na empresa de proteína animal. No entanto, depois de uma série de prejuízos e da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal – que investigou a venda ilegal de carnes por parte de frigoríficos brasileiros –, deixou a empresa em 2018.

Negócio de família

Mesmo longe das empresas das quais contribuiu com a construção e o crescimento, atuava como presidente do Conselho de Administração da Península Participações, empresa de investimentos da família criada em 2006 pelo próprio Abilio. Foi por meio da gestora que o empresário e empreendedor passou a comprar ações do Carrefour – empresa na qual via grandes oportunidades mesmo nos tempos de GPA. A visão foi tal que Abilio se tornou um dos principais acionistas globais da varejista francesa, ocupando cadeiras nos Conselhos de Administração da operação brasileira e também da matriz.

Abilio Diniz era pai de seis filhos: Ana Maria, Pedro Paulo, João Paulo e Adriana – de seu primeiro casamento, com Maria Auriluce Falleiros – e Rafaela e Miguel – de seu segundo casamento com a economista Geyze Marchesi. Seu filho, João Paulo Diniz, faleceu em 2022 após um mal súbito, aos 58 anos de idade, uma tragédia na família que deixou um profundo pesar no pai. Além dos filhos e da esposa, deixou netos e bisnetos.

Para seus admiradores, não faltam inspirações, reflexões e aprendizados com a vida e os desafios de um dos maiores empresários do Brasil. Abilio Diniz foi não só um gestor – que acertou, errou e conseguiu subir a barra do varejo brasileiro – como também um empreendedor, um esportista apaixonado e um homem que ajudou a pavimentar o mercado do país.

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