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“A experiência do pagamento hoje é um diferencial competitivo para o varejo”

“A experiência do pagamento hoje é um diferencial competitivo para o varejo”

Vice-presidente da ACI Wordwide Pagamentos destaca o novo momento da gestão dos pagamentos no varejo, que, se no passado era considerado um 'mal necessário', hoje passa a ser estratégica, especialmente em tempos de ominicalidade e de abertura do mercado

Marco Bravo, vice-presidente da ACI Worldwide para América Latina é enfático ao destacar os termos-chave quando se fala em pagamentos: plataforma aberta e integração. A ACI fornece pagamentos eletrônicos para mais de cinco mil organizações em todo o mundo, o que envolve mais de mil instituições financeiras, intermediários e milhares de comerciantes movimentando, por dia, cerca de US$ 14 trilhões em pagamentos e títulos. Recentemente a empresa anunciou novos recursos para tecnologias baseadas em nuvem e na omnicalidade para pagamentos.

A ideia principal da plataforma aberta e da integração, ele destaca, é que o varejista tenha cada vez menos envolvimento com a burocracia das operações de pagamento e claro, cada vez menos custo em um cenário de margens apertadas. “É um momento fascinante para o varejo. O varejo como nunca vai ter que olhar com mais critério para soluções de pagamento, para o checkout da loja”. Para o executivo, o setor de pagamentos deve passar pela mesma transformação que passou a telefonia no País e pelo que passa o setor de energia: todo mundo fala com todo mundo a partir de uma matriz única, o que ele chama de payment grid. Confira a entrevista completa e exclusiva de Marco Bravo para a NOVAREJO.

 

NOVAREJO: Em que momento estamos quando falamos em pagamento no varejo?
MARCO BRAVO: Antigamente, quando a gente falava de pagamento no Brasil, era sempre associado às instituições financeiras. Para o varejista, o momento [do pagamento] era quase como um mal necessário, mas a experiência do pagamento nunca foi vista como um diferencial competitivo pro varejista no Brasil. Só que no momento que a gente está passando no varejo, com a modernização do setor, a margem mais apertada, a pressão no mercado financeiro pra reduzir os custos etc. isso também está mudando.

Se você comparar as últimas NRFs, 10 anos atrás nem se falava em experiência de pagamento, era só sobre lojas, como organizar, coisas ligadas ao varejo, fornecedores, mas isso agora começa a ser olhado com cada vez mais interesse no Brasil porque é o momento de você proporcionar essa experiência, integrar todas as experiências dentro da loja. O pagamento tem que ser cada vez mais transparente pro usuário, independentemente do canal que ele está.

O que está acontecendo nesse momento que o varejo está passando, até pelo aumento da competitividade, pela internacionalização e pela integração de canais, a área de pagamentos vira algo que pode fazer a diferença pro varejo. É um momento fascinante para o varejo. O varejo como nunca vai ter que olhar com mais critério para soluções de pagamento, para o checkout da loja.

NV: Especialmente em tempos em que se fala tanto de omnicalidade…
MB: Hoje, omnicalidade é a palavra do jogo. Na NRF nem se fala mais em fim da loja física. Não tem mais essa história. O que tem que acontece é, por exemplo, você começar sua compra na televisão, adicionar produtos no carrinho usando o celular e fechar a compra num totem dentro da loja, por exemplo. Com o mesmo tipo de experiência em todos esses canais. Dado isso tudo, o que a gente enxerga, é que o pagamento vai ser parte dessa experiência.

NV: E de que forma a experiência do cliente com o pagamento para fazer a diferença para o varejista?
MB: Temos tanta informação e tanta ferramenta pra manipular um grande volume de dados, que a informação de pagamento hoje pode ser usada para tirar inteligência pro negócio. Seja loja física ou e-commerce. Por exemplos, via pagamentos, podemos ter noção do que vende mais ou menos, se trocar o preço, como se comporta o carrinho de compra. Você não vê o comportamento de compra, analisando o consumidor na frente da prateleira, da gôndola, mas com tecnologia hoje você tem muita informação pra mexer no seu negócio no varejo por meio das informações de pagamento.

NV: E qual a atuação da ACI neste cenário?
MB: O que a gente acredita, e o que está acontecendo em qualquer lugar do mundo, é que seja uma operação [pagamentos] em que todo mundo fale com todo mundo. Cada vez mais, todos os meios de pagamento, desde o cartão de crédito tradicional, pagamento em débito, boleto, ApplePay e similares, todas elas, tem que estar mais integrada por alguma plataforma que consiga fazer todo mundo falar com todo mundo. Isso que a gente tem feito e propõe. Oferecer uma experiência única, onde qualquer forma de pagamento esteja disponível pro varejista independente do canal que ele usa.

NV: E como vê o papel das fintechs neste momento?
MB: O varejista o que ele quer cada vez mais é inovação. A gente não acredita que toda essa inovação disponível na hora do checkout – pagar com cartão da loja, com milhagem, com cashback etc – API ou qualquer empresa sozinha não vai conseguir oferecer isso. E aí que entram as fintechs. As empresas menores estão cada vez mais trazendo inovação pro mercado. Você tendo uma plataforma em que todo mundo fala com todo mundo, você consegue facilmente trazer as fintechs. Pra que as fintechs possam agregar serviços financeiros em cima dessa plataforma de pagamentos e oferecer isso pro mercado. Seja diretamente pro varejista, seja pra instituições financeiras que estão oferecendo isso pro varejista. Então, a palavra do jogo, no pagamento, é integração.

Por exemplo, o QR Code, que todo mundo tá falando, todo mundo quer ter o QR Code na sua plataforma, mas não faz sentido criar sua própria plataforma de QR Code. Então a gente acredita que a gente pode oferecer isso de uma maneira muito mais simplificada.

Outra parte dessa equação, é a dificuldade da instalação das soluções pro varejista. Como ele atualiza isso, integração dos meios, é complicado, tem que ter um hardware, um software, nenhum varejista quer se preocupar com essa tecnologia, seja no e-commerce, seja na loja física. E aí tem o passo adicional a isso que é a disponibilização de todas essas soluções através da nuvem. Isso já é uma realidade em várias partes do mundo. Mas, de novo, o que vem acontecendo é que algumas dessas plataformas tem esse serviço quase que de forma proprietária. Ou seja, só pode usar aquele QR Code na plataforma X, ou aquele hardware, que está ligado ao software. E a ideia é que se faça aquisições de maneira agnóstica ao hardware. Integração independente do hardware do cliente.

NV: E as instituições de pagamentos tradicionais, como ficam?
MB: Acho que está bem claro que os bancos continuarão existindo, mas com um papel diferente. O papel das fintechs é inovar. Já perceberam que é impossível gerar inovação na velocidade do que 400 empresas geram, mesmo que pequenas. Ao mesmo tempo em que essas mesmas empresas não conseguem chegar, com velocidade, a 10 milhões de clientes, como os bancos conseguem. Então está muito claro o movimento do mercado de que as fintechs sejam agentes de inovação conectadas ao banco e conectadas aos varejistas. Gerando inovação de pagamento pro varejista e inovação financeira para o banco.

Mas como que isso acontece? Nossa visão pra isso, precisamos da plataforma aberta para, mais uma vez, todo mundo falar com todo mundo. O mercado de pagamentos hoje, seja para o banco, seja para o varejista, está em momento muito parecido com o que o mercado de telecomunicações ou de tecnologia passou há uns anos. Ou seja, não existe mais falar apenas com a mesma operadora. O mercado de energia também, sua energia pode estar vindo do vizinho. Esse conceito da matriz de que todo mundo está conectado com todo mundo, quem se conecta a isso ganha velocidade e diferencial competitivo. Esse mesmo conceito de matriz, para o setor de pagamentos, é o pulo do gato. O varejista não tem mais tempo pra ficar falando se ele quer que pague com Dinners, com Credicard, com boleto etc.. ele tem que se conectar com a matriz e quanto mais formas de pagamento tiver, melhor.

NV: Como os consumidores têm visto esse momento de uma nova experiência em relação aos pagamentos?
MB: Do mesmo jeito que a gente pega um Uber hoje que quando pega um táxi você sai e esquece de pagar, você vai preferir hoje uma loja que te oferece facilidades pro pagamento, sem fila.

Na NRF foi impressionante como tinha várias soluções de checkout mais independente, que competem com o Amazon Go, mas de novo, experiências proprietárias. Por isso, reforço que a solução de pagamento tem que ser uma experiência aberta. Isso tem sido o padrão em quase todas as áreas de tecnologia.

NV: Quando se fala em inovação, os varejistas se preocupam com o investimento em novidades. Com os novos meios de pagamentos, esse custo tende a diminuir, certo?
MB: Só vai [diminuir]. O termo utilizado em outras áreas, como power grid pra energia, usamos o payment grids. Só vai baratear. Todo o movimento é pra baixar o custo para os varejistas. Hoje esse custo no Brasil é um dos maiores do mundo. 2% ou 3% do PIB do varejo é para a área de pagamentos e pode ser mais alto pra varejistas menores. Para um varejista com margem apertada, é complicado. A pressão toda que o Banco Central está fazendo nisso está associada a reduzir o custo financeiro do varejo.

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