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A crise e as oportunidades aos varejistas

A crise e as oportunidades aos varejistas

Mesmo diante das notícias negativas, perspectivas mostram otimismo. Saiba os motivos
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Foto: Shutterstock

Por Julio Takano*

Mesmo diante do turbilhão diário de notícias negativas sobre a economia e política brasileira, a Pesquisa Abiesv realizada e divulgada em maio sobre o desempenho de 2014 e as perspectivas de empresas fornecedoras para o varejo em emprego, faturamento e investimentos mostra otimismo do setor para este ano.

A explicação para essa dicotomia e a realidade é que, primeiro, os varejistas brasileiros estão calejados em crises e em notícias ruins. Sabem que elas são passageiras e aproveitam os momentos de retração no consumo para fortalecer a marca, reformar e ampliar as lojas. Os preços dos imóveis e dos serviços estão menores e com uma margem maior de negociação.

Os períodos de crise podem significar também oportunidades para aumentar as vendas em tempos de alta. São oportunidades também para desenvolver projetos criativos, reestruturar os ativos da empresa, ampliar atuação no mercado ou se fortalecer em um nicho ou segmento ainda não explorado e, até mesmo, aquele projeto de internacionalização da marca, que estava há anos na gaveta.

O Brasil é um ?continente? com diferentes realidades culturais e econômicas. Exemplo disso foi o crescimento de 3,7% do PIB na região Nordeste em 2014 sobre 2013, enquanto o Sudeste amargou uma recessão de 0,8% no mesmo período. É neste momento que os empresários têm que mergulhar em pesquisas para identificar as oportunidades em um país com as dimensões do Brasil.

Os shopping centers estão descobrindo o interior do País. Há uma lógica nisso, visto que o agronegócio brasileiro só cresce. Neste momento, eles descobriram que o interior deseja e necessita mais opções de produtos e, por que não, opções de lazer para a população de cidades menores. Por outro lado, o varejo de rua nessas cidades vai investir para reter seus clientes e competir com as lojas de shopping.

As empresas fornecedoras do varejo têm uma importância ímpar para medir o comportamento e as perspectivas para o crescimento do varejo. Representam uma espécie de termômetro. Se estas empresas hoje estão faturando, é porque os varejistas estão investindo para atender demandas futuras de quando a crise passar. É o caso da relação da indústria de manequins e a abertura e reforma de lojas.

Os resultados da pesquisa da Abiesv, no caso das empresas fornecedoras para o varejo, refletem fielmente o que já está ocorrendo com alguns setores do varejo. É o caso da Hope, que programa, até outubro, 50 novas lojas da marca. Já as Lojas Renner anunciam investir R$ 550 milhões neste ano em inaugurações e reforma de lojas, quase 10% mais que o investido em 2014. A meta é chegar a 2021 com 833 lojas em atividade, frente as 345 atuais.

O GPA inaugurou 20 lojas nos três primeiros meses do ano e pretende ampliar em até 6% a área de vendas em 2015.  No ramo do varejo pet, a rede Petz planeja ampliar a sua rede de 28 para 36 lojas de artigos para animais de estimação em 2015. A rede Di Gaspi com 43 lojas de calçados e roupas em São Paulo, informa que optará pela reforma e ampliação de seus pontos.

No caso do nível de emprego, as empresas estão já calejadas em crises passageiras. A contratação de um empregado envolve altos custos de recrutamento, seleção e treinamento. Por isso, em alguns segmentos, demitir significa jogar todo esse investimento no lixo e investir novamente quando a crise acabar.

Outro fator que os empreendedores do varejo brasileiro se diferenciam é o fato de conhecerem o comportamento dos consumidores. Em épocas de crise econômica, muitos setores trabalham com redução de investimentos diante da perspectiva de queda nas vendas.

Em alguns setores do varejo, o consumo representa uma fuga dos problemas, do estresse e das preocupações do dia a dia. São aqueles minutos de férias a que os consumidores se permitem para retomar as forças.

É claro que esse fenômeno não ocorre em todos os segmentos, mas principalmente nas lojas de roupas e cosméticos, ou seja, no consumo que mexe com a estima dos consumidores. Essas empresas precisam se preparar para oferecer boas experiências de compra, e não apenas produtos.

A onda de pessimismo do começo do ano já está mudando. Se o fornecedor mantém planos para crescer, contratar e investir, é porque está sendo demandado por redes de atuação nacional ou regional. É hora de passar pela tempestade, olhando sempre para frente, com esperança e otimismo.

* Julio Takano é presidente da Associação Brasileira da Indústria, Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv) e sócio da KawaharaTakano Arquitetura para o Varejo

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