A cerimônia de posse oficial dos novos diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aconteceu em Brasília no dia 17 de setembro. O episódio marca um novo capítulo para a saúde no Brasil. Wadih Damous, que até então estava à frente da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) foi empossado como diretor-presidente da ANS. Lenise Secchin assume a Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos (DIPRO).
Em síntese, o evento contou com a presença de várias autoridades, incluindo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

SUS e ANS juntos
Durante seu discurso, o ministro Padilha enfatizou a importância da colaboração entre a saúde suplementar e o Sistema Único de Saúde (SUS). Decerto, ele mencionou que “um não existe sem o outro”. Ademais, ele reforçou a ideia de que a separação entre esses dois sistemas não é viável. Para Padilha, a saúde é um motor crucial para o desenvolvimento do País, e a união entre SUS e saúde suplementar pode não apenas garantir o acesso à saúde, mas também impulsionar a economia nacional.
“Qualquer pensamento que busque separar ou criar antagonismos entre o Sistema Único de Saúde e a saúde suplementar não tem fundamento. Um depende do outro para se desenvolver e crescer”, disse Padilha.
Wadih Damous, em sua fala, expressou seu compromisso em estreitar laços entre os setores. Ele destacou o programa Agora Tem Especialistas.
O programa é uma iniciativa do governo federal, por meio do Ministério da Saúde. Seu objetivo é reduzir o tempo de espera para consultas, exames e cirurgias no SUS. Ele opera ampliando o acesso a especialistas, por meio de parcerias com a rede privada, do uso de mutirões e unidades móveis, da formação e contratação de profissionais em áreas com escassez, e da criação de um painel para monitorar e assegurar a transparência dos atendimentos.
“Quero estar na ANS junto com o ministro Padilha para tocar esse programa, que se traduz em construção de cidadania“, afirmou Damous.
Regulação em prol da ciência e do consumidor
Lenise Secchin, por sua vez, ressaltou a importância de uma regulação que respeite a ciência e também ouça a sociedade. Segundo ela, as decisões da ANS devem ser baseadas em evidências, mas abertas ao diálogo com a população. “Saúde é um direito e precisa ser respeitado“, enfatizou Lenise, ressaltando o papel complementar da saúde suplementar no atendimento às necessidades da população.
Assim, a nova gestão da ANS se propõe a fortalecer a integração entre os sistemas de saúde, buscando garantir um atendimento mais eficiente e acessível para todos os brasileiros.
Wadih Damous
Wadih Nemer Damous Filho, nascido no Rio de Janeiro em 11 de abril de 1956, é uma figura importante no cenário político e jurídico brasileiro. Advogado e membro do Partido dos Trabalhadores (PT), Wadih teve uma carreira marcada por várias atuações significativas. Entre 2023 e 2025, foi Secretário Nacional do Consumidor, onde trabalhou em ações para combater abusos de empresas, como aumentos indevidos de preços e fraudes digitais.
Ele tem uma longa trajetória na advocacia, com 35 anos de experiência, e já foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro em dois mandatos. Durante sua gestão, criou a Comissão da Verdade da OAB, que investigou a atuação da Justiça Militar durante a ditadura. Wadih também foi Deputado Federal de 2015 a 2019, no qual se destacou como defensor dos direitos trabalhistas e dos direitos humanos, sendo autor de 27 projetos de lei.
Formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde também fez mestrado em Direito Constitucional e do Estado pela PUC-RJ, Wadih teve um papel ativo na política estudantil, presidindo o Diretório Central dos Estudantes da UERJ. Ademais, Wadih se destacou na luta contra a reforma trabalhista de 2017 e a PEC que impôs um teto aos gastos públicos.
Lenise Secchin
Lenise Secchin, mestre em Administração Pública, ocupava o cargo de secretária-executiva da ANS. Ela atua na reguladora desde 2009. Ao longo de sua carreira na Agência, ela desempenhou diversas funções estratégicas e ocupou cargos de gestão em quatro das cinco diretorias.
Lenise é servidora pública desde o ano 2000, atuando como especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental no Ministério da Economia. Além disso, sua experiência inclui passagens pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, pelo Ministério da Fazenda e pela Controladoria-Geral da União.
Acesso à saúde: um direito constitucional
A saúde é um direito fundamental e constitucional no Brasil, reconhecido pelo artigo 196 da Constituição Federal. O dispositivo estabelece que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, a ser garantido por meio de políticas sociais e econômicas voltadas para a promoção, proteção e recuperação da saúde, com acesso universal e igualitário.





