Um novo aplicativo acaba de surgir nas lojas digitais: o Divine. Ele promete resgatar a febre dos vídeos de seis segundos que marcaram os anos 2010. Para quem tem boa memória das redes sociais, a referência é imediata: o extinto Vine está de volta – ou quase isso.
O Divine, reúne mais de 100 mil vídeos originais do Vine, restaurados de um backup feito antes do encerramento da plataforma, em 2016. O projeto é financiado pela and Other Stuff, organização sem fins lucrativos criada neste ano por Jack Dorsey, cofundador do Twitter.
O arquivo perdido, reconstruído
A restauração foi liderada por Evan Henshaw-Plath, conhecido como Rabble, ex-integrante da primeira equipe do Twitter. Ele partiu do grande acervo salvo pelo grupo comunitário Archive Team, que preservou o conteúdo do Vine. Após meses decifrando e reconstruindo os arquivos, Rabble recuperou entre 150 mil e 200 mil vídeos, de cerca de 60 mil criadores, incluindo histórico de visualizações e parte dos comentários originais.
Mesmo reconstruídos, o material continua pertencendo aos criadores, que podem solicitar a remoção ou recuperar suas contas ao comprovar que ainda possuem os perfis mencionados na bio do antigo Vine. O processo não é automatizado e pode levar tempo caso haja volume alto de pedidos.
Novo Vine, sem IA

O Divine não é apenas nostalgia. Ele permite criar perfis e publicar novos vídeos, desde que o conteúdo não seja gerado por Inteligência Artificial. O app usa tecnologia da ONG The Guardian Project para verificar se o vídeo foi gravado por uma pessoa real. Arquivos suspeitos são bloqueados antes mesmo da publicação.
A interface lembra outros apps de vídeo: feed de tendências, aba de recentes, busca por perfis e hashtags.
Infraestrutura aberta e descentralizada
Construído sobre o protocolo Nostr (Notes and Other Stuff Transmitted by Relays), o Divine é totalmente open source. Isso permite que desenvolvedores criem aplicativos próprios, rodem servidores, relays e sistemas de mídia de forma independente.
“O Nostr está capacitando desenvolvedores a criar uma nova geração de aplicativos sem a necessidade de financiamento de capital de risco, modelos de negócios tóxicos ou grandes equipes de engenheiros”, destacou Jack Dorsey em comunicado.
Nostalgia como resistência
Enquanto plataformas como TikTok e Instagram mergulham no conteúdo criado por IA, Rabble acredita que há demanda por experiências sociais mais orgânicas e humanas. Para ele, o Divine resgata o espírito da Web 2.0, da época dos blogs e comunidades, quando o feed era moldado por você e não definido por um algoritmo.
O app está disponível para iOS e Android em: divine.video





