No mundo atual, idade não é mais apenas o que está no RG. Termos como “idade biológica”, “idade cronológica” e até “idade metabólica” ganharam relevância, reforçando a ideia de que a forma como cada pessoa se enxerga e vive sua fase de vida é cada vez mais variável. Essa foi uma das principais reflexões trazidas por Marina Roale, sócia e head de insights do Grupo Consumoteca, durante o CONAREC 2025, ao apresentar o estudo Adultopia.
Segundo Marina, os códigos tradicionais de juventude vêm perdendo força. “A sociedade está pautada pela performance. O valor não está mais em parecer jovem, mas em conquistar independência, produtividade e liberdade financeira”, explica.
O estudo aponta que apenas três em cada dez brasileiros dizem levar uma vida considerada jovem, incluindo membros da própria Geração Z, formada por pessoas de 15 a 30 anos. “São jovens que não se reconhecem nesse lugar, porque para eles juventude é sinônimo de ansiedade e impotência. Eles querem performar cedo, comprar casa, pagar contas, sair da casa dos pais”, destaca.
Apenas 3 em cada 10 brasileiros acreditam que possuem um lifestyle jovem.
Adultopia; Consumoteca Brasil 2025
Já os millennials, entre 30 e 45 anos, enfrentam dilemas diferentes: são a geração mais escolarizada, mas que menos alcançou estabilidade financeira. “É uma geração que quebrou muitos tabus, mas hoje convive com a síndrome do impostor da vida adulta, sem saber se está dando conta das responsabilidades”, explica Marina.
A Geração X, por sua vez, entre 45 e 60 anos de idade, surge como protagonista silenciosa. “Eles já cumpriram os cheques da vida adulta e agora se reinventam, especialmente as mulheres, que passaram a ocupar espaços de influência e não aceitam mais ser invisibilizadas”, observa.
Enquanto isso, os boomers (61 e 79 anos) buscam viver o que não viveram. “Eles querem protagonismo, liberdade e novas experiências, mas ainda são pouco considerados pelas marcas.”
Dessa forma, quando a idade do corpo deixa de ser a mesma do RG e a busca contínua por produtividade causa um deslocamento entre número e biografia, a vida adulta ganha um novo significado: é sinônimo de controle, independência – e valores antes vistos como “obrigações” (pagar boletos, trabalhar, etc), ganham tom aspiracional.
Para as marcas, como destaca Marina Roale, o grande desafio é olhar além dos estereótipos e compreender as dores específicas de cada geração. “Cada consumidor vive uma tensão própria. Não dá para falar apenas com um grupo. É preciso criar soluções e experiências que dialoguem com todos eles.” Só assim será possível entregar experiências significativas e conexões genuínas.





