/
/
Tire o cliente da bolha

Tire o cliente da bolha

As bolhas cognitivas criadas pelos algoritmos das redes sociais atingem o varejo. Empresas precisam criar ambientes que valorizem a tolerância e o respeito
Legenda da foto

Uma das tendências mais recentes – e mais preocupantes – que observamos é o crescente pendor de pessoas, consumidores, cidadãos por viverem em “bolhas cognitivas”. Por trás dessa expressão, que nos induz a pensar em teses psicológicas, está o efeito danoso, e ainda pouco explorado e estudado, do alinhamento por afinidade, derivado de nossa ainda infante experiência nas redes sociais.

Construídas com a promessa de aproximar os seres humanos e de permitir a publicação de impressões, ideias, momentos e reflexões, as redes sociais são hoje o império comandado pelo algoritmo. A premissa é de aproximar pessoas por pensamentos e gostos afins. Essa escolha, elaborada para facilitar a inserção de publicidade nas timelines, ou seja, nos históricos de publicações, fez com que as pessoas em geral, membros das diferentes redes, vivessem no conforto de se expor e de compartilhar apenas ideias que obtivessem concordância, “likes” ou “curtidas” dos “amigos” devidamente aceitos. Essa ideia de mundo regido por afinidades de pensamento criou cápsulas, bolhas, nas quais todos os envolvidos se dedicaram, então, a aceitar candidamente as mesmas ideias, os mesmos comportamentos, com pouco espaço para o contraditório, para o debate, para a troca.

A revista NOVAREJO digital está com conteúdo novo. Acesse agora!

Esse fenômeno, aliado (e potencializador) à insatisfação com a atividade política e à explosão de informações de natureza duvidosa – fake news –, provocou uma onda de polarização e intolerância. Em resumo: ou concordamos ou discordamos de pessoas, de partidos, de políticos, de causas, do que for. A consequência, para além da aniquilação do espaço saudável de debates, na criação de meios-tons e na busca por soluções mais criativas para os problemas que enfrentamos, é a de estarmos quase todos confortavelmente instalados em nossas “bolhas cognitivas”, pregando e falando para os convertidos e soltando em conjunto impropérios para os “não convertidos”. Um mundo em preto e branco, sem espaço para os matizes, e uma vida jogada ao sabor do Fla-Flu diário.

E então, na luta diária pela conquista do consumidor, oxigênio que faz respirar negócios e o mercado, empresas e executivos estão diante de uma nova dificuldade: lidar com consumidores que pensam de acordo com a bolha que os envolve. Parece lógico acreditar que entre os clientes de uma empresa haverá clientes alinhados com um extremo ou outro. Mas até que ponto o elemento polarizador não pode transbordar e afetar negócios, vendas e campanhas de uma rede varejista?

Há pouco tempo, uma grande rede de cosméticos lançou uma campanha publicitária enfocando uma família afro-americana. A ideia era promover e valorizar não só a igualdade como também a inclusão e a diversidade. Em tese, uma iniciativa digna de aplauso, certo? Pois a patrulha do outro extremo não se dedicou a infestar as redes sociais – sempre elas! – para criticar a campanha, ressaltando um ridículo “racismo às avessas”, pela ausência de pessoas de cor branca? A atitude da varejista, corajosa, nesses tempos encapsulados, foi justamente celebrar a diversidade, e a capacidade de ser uma loja para todos. Não é possível que em pleno século 21 tenhamos de acreditar que uma campanha bem-feita e plural possa gerar polêmica e comentários nauseantes.

Nesse sentido, as empresas em geral, e as varejistas, precisam funcionar como agentes capazes de mostrar o valor da convivência, reagir aos estereótipos, oferecer ambientes nos quais a tolerância e o respeito ao próximo, seja como for o próximo, sejam valores indiscutíveis. Claro, é necessário começar de dentro, reduzindo as barreiras – sobretudo as mentais – que inibem a diversidade no âmbito interno, para que os clientes possam saber que são bem recebidos, respeitados e valorizados. Uma loja deve ser sempre um espaço que impele as pessoas para fora de suas bolhas, onde percebam que conviver com pessoas que pensam diferente só tende a fazer bem. A liberdade de escolha que todos exercemos antes de uma decisão de consumo é uma ponte formidável para unir extremos e promover conversas e trocas de ideias.

A loja, o local onde consumimos, escolhemos e realizamos sonhos, pode ser sempre um espaço de convivência, onde podemos ser um pouco mais e melhores humanos.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

O fim dos excessos no varejo alimentar
Como o enxugamento do mix de produtos e a aposta em marcas consolidadas estão impulsionando a produtividade por metro quadrado no setor
Varejo cresce pelo terceiro mês seguido, mas já não acelera como antes
Vendas do comércio sobem 0,5% em agosto e 7% na comparação anual, segundo o Índice do Varejo Stone; crédito caro e endividamento das famílias impedem retomada mais uniforme
As engrenagens de uma máquina de vendas, segundo Ricardo Nunes
No CONAREC 2026, o fundador da Ricardo Eletro detalha os pilares para escalar negócios, da formação de equipes ao marketing, planejamento, tributação e à política de não perder vendas
IA e dados contra o "achismo" do varejo
Executiva do Compra Agora explica como tecnologia e personalização estão melhorando e simplificando a reposição de estoque e o acesso a crédito para os pequenos lojistas

Webstories

SUMÁRIO – Edição 298

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Vice-Presidente Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadora
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Keds volta ao Brasil após 22 anos e aposta na nostalgia para crescer Prime Video aposta em vídeos curtos e amplia funções do streaming Do clique ao dano: quem responde nas novas relações de consumo? Menos estímulos, mais experiência?