No dia 11 de junho, o mundo parou para a abertura da Copa do Mundo FIFA 2026. Já no dia 12, o Brasil celebra o Dia dos Namorados. Pela primeira vez em anos, duas das datas mais emocionalmente carregadas do calendário brasileiro dividem o mesmo fim de semana.
Essa coincidência revela o espelho cultural dos consumidores quando o assunto é amor e conexão.
“Para o brasileiro, torcer e amar são quase que sinônimos. Por isso, vejo essas datas como complementares, uma síntese do que somos, de como sentimos e nos expressamos”, afirma Maria Fernanda Zanusso, gerente Sênior de Marketing LATAM do Tinder. Maria Fernanda é uma das palestrantes confirmadas no CONAREC 2026, o maior congresso de Customer Experience do mundo.
O Brasil é um dos três maiores mercados do Tinder no mundo e, como a executiva lembra, o único pentacampeão.
O que os dados do app revelam sobre essa coincidência é uma transformação mais profunda e menos óbvia no comportamento afetivo dos brasileiros. Uma geração que cresceu no ghosting, no “deixa no vácuo” e nos sinais eternamente confusos está, coletivamente, virando a página.
Tinder não para na Copa

Na Copa de 2014, realizada no Brasil, o Tinder registrou um aumento de 50% nas atividades no País. Em 2022, quando o Mundial foi sediado no Qatar, o termo “Copa” cresceu 4,4 vezes nas bios dos usuários brasileiros durante o torneio. A expectativa para 2026 é semelhante, especialmente por conta da sobreposição com o Dia dos Namorados.
“Esperamos algum reflexo da sazonalidade, especialmente atrelada ao Dia dos Namorados, quando os solteiros geralmente buscam companhia para a data”, explica Zanusso.
O futebol, aliás, vai além do evento pontual. Segundo o relatório Year in Swipe 2025 do Tinder, o futebol foi o esporte de maior destaque entre os usuários brasileiros do app, seguido pelo basquete. Nos Estados Unidos, golfe liderou o ranking. A diferença ilustra algo que a executiva destaca: a cultura local se manifesta dentro do aplicativo, nos perfis e nas conexões que se formam a partir deles.
“Quanto mais informações um perfil oferece, mais fluida e significativa tende a ser a conexão”, diz Zanusso. E no Brasil, declarar que torce para um time é dado de personalidade, e não apenas um detalhe.
Clear-Coding: intenção vira critério
Se o futebol explica parte do comportamento dos brasileiros no Tinder, a tendência que mais define o momento extrapola os campos. O relatório Year in Swipe 2025 identificou o que batizou de Clear-Coding: uma virada coletiva em direção à clareza emocional, à comunicação direta e ao abandono dos sinais confusos que marcaram o namoro digital da última década.
Segundo o levantamento, 64% dos solteiros consideram a honestidade emocional a qualidade mais importante num encontro. Outros 56% apontam conversas honestas como o elemento central de uma conexão. E 35% dizem buscar um “amor tranquilo”, descontraído e sem dramas. A boa e velha “vibe bacana”.
Para Zanusso, a aparente contradição entre essa demanda por clareza e a histórica ambiguidade da cultura afetiva brasileira é menos real do que parece. “Essa ambiguidade não anula ou diminui a busca por clareza emocional. O que muda é o que se valoriza: menos enrolação e mais intenção nas relações afetivas.”
A executiva observa que a proliferação de termos que nomeiam dinâmicas afetivas – como “ghosting”, “situationship”, “poliamor”, “friendzone” – é um sintoma dessa busca. “No final das contas, estamos apenas tentando dar nome às coisas que sempre existiram, tornar mais claro em que pé estamos. Por isso, talvez essa seja a melhor tradução para o Clear-Coding no Brasil: intenção.”
Sociabilidade como antídoto
A busca por clareza vem acompanhada de outra mudança relevante: os solteiros brasileiros de 2026 estão mais criteriosos em relação aos seus valores – e menos dispostos a abrir mão deles em nome de um relacionamento. “É menos sobre radicalismo e mais sobre valores compartilhados, sobre ser fiel àquilo em que acredita”, afirma Zanusso.
Ainda, há uma maior influência dos amigos na vida amorosa, apontada por 42% dos jovens solteiros. Esse comportamento ganhou uma expressão concreta dentro do próprio Tinder com o lançamento do Double Date. A funcionalidade que permite a duplas navegar e dar match com outras duplas.
Segundo a executiva, os resultados da ferramenta foram além do esperado. Quase 85% dos usuários da função têm menos de 30 anos. Mulheres são três vezes mais propensas a dar like e match por meio do Double Date do que em perfis individuais. E os usuários da funcionalidade trocam, em média, 25% mais mensagens do que em chats convencionais. “Quase metade das usuárias da Geração Z entrevistadas pelo Tinder afirma que esse recurso é a única razão para usar o app“, revela Zanusso.
A sociabilidade como antídoto à ansiedade do encontro individual. O coletivo como espaço mais seguro para o risco afetivo. É uma leitura que dialoga diretamente com a cultura brasileira – — e que chega, inevitavelmente, num momento em que o país inteiro vai se reunir em torno de telas para torcer junto.
Novas formas de conexão
Diante de um usuário mais exigente, mais intencional e mais social, o Tinder tem respondido com uma aposta em recursos que facilitem conexões autênticas. Isso sem tentar simular o que só a interação humana pode oferecer.
Nos últimos meses, o app lançou o Modo Música. O recurso usa gostos musicais como gancho de conversa. Já o Modo Astrologia incorpora signos e compatibilidades como quebra-gelo. Ambos já estão disponíveis no Brasil. Os resultados iniciais do Modo Astrologia apontam um aumento de quase 20% nos likes enviados por mulheres em perfis cadastrados na funcionalidade. O Modo Música foi adotado por 1 em cada 10 usuários com menos de 22 anos nos testes iniciais.
“Estamos sempre atentos ao comportamento dos nossos usuários para oferecer experiências alinhadas às suas expectativas”, diz Zanusso. “Sabemos que as intenções mudaram e que somos hoje um espaço legítimo na busca por conexões reais.”
Agora, a aposta para a Copa é literal também ganha novos contornos. O Tinder estreia como apoiador do Village Superbet, no Rio de Janeiro, com um espaço físico voltado para estimular conexões durante o torneio. A lógica é a mesma que atravessa toda a estratégia da plataforma, segundo a executiva. “Seja na arquibancada, num show ou no app, todo evento é uma chance para um novo match.”
Torcer e amar: a síntese para 2026
Junho de 2026 coloca frente a frente dois rituais que o brasileiro leva muito a sério: o futebol e o amor. O que os dados do Tinder sugerem é que, no fundo, eles operam pela mesma lógica emocional, com intensidade, coletividade e uma entrega que beira o irracional.
A diferença é que, desta vez, os solteiros chegam ao Dia dos Namorados com uma clareza que não tinham antes. Sabem melhor o que querem. Estão menos dispostos a fingir que não querem. E preferem a companhia de um amigo do lado enquanto dão o primeiro passo.
Se torcer e amar são mesmo sinônimos no Brasil, talvez 2026 seja o ano em que os brasileiros aprenderam a fazer os dois sem medo de se posicionar.





