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Sobre culpas e desculpas

Sobre culpas e desculpas

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No artigo, Marina Pechlivanis critica a tendência de evitar responsabilidades e culpar os outros pelos próprios erros. Defende que assumir falhas, pedir desculpas e agir com responsabilidade é sinal de maturidade e essencial no mundo dos negócios, onde não há espaço para desculpas, apenas para atitudes éticas e conscientes.

A única maneira de evitar a culpa é não fazer nada, não ser nada, não significar nada.” – Elbert Hubbard, EUA (1856-1915)

A culpa é uma palavra que vem do latim culpa, e significa “falha”. Alguns falham consecutivamente e se apegam à desculpa “errar é humano”. Outros, para não ter que resolver pessoalmente, perdem muito mais tempo achando culpados do que tentando encontrar soluções.

Certa vez, ouvi em uma reunião de negócios a máxima (que está mais para uma “mínima”): “Errei, mas sou cliente, estou pagando, então vou colocar a culpa em vocês”. Não é de hoje que sumir ou transferir a culpa é bem mais fácil do que assumir o que se fez ou o que se deixou de fazer, ainda mais em uma sociedade que promove (ou ao menos tenta promover) pautas como inclusão, respeito mútuo e senso colaborativo. Por isso gosto da citação: “Quem quer fazer, dá um jeito; quem não quer, arranja desculpas ou encontra alguém para colocar a culpa.”

Na verdade, por mais inconcebível que possa parecer, além dos acomodados de plantão, que assumem que erraram e não estão muito preocupados com as consequências disso, existem os especialistas em transferir suas incompetências para os outros, e isso é uma habilidade e tanto. Essas pessoas nunca erram e nunca se confundem, logo, nunca são responsáveis por nada, especialmente por aquilo que deu errado.

O fato é que tem muita gente que ainda não percebeu que:

  • Errar de propósito para prejudicar alguém ou se livrar do erro com o propósito de prejudicar outrém são atitudes que nem sempre acabam bem (o crime não compensa).
  • Assumir o que se fez ou o que se deixou de fazer é muito mais prático e menos constrangedor (a falsa acusação, assim como a mentira, uma hora vem à tona).
  • Pedir desculpas, repensar as atitudes, oferecer soluções alternativas e prestar amparo pode ser um bom sinal de maturidade (sempre é tempo de se conscientizar, rever as suas atitudes e aprimorar as suas virtudes).

Em uma sociedade com tanta intolerância, violência, relações tóxicas, assédio moral e saúde mental prejudicada de forma generalizada, como você lida com este tipo de situação? Sabe ceder ou acha que tem sempre razão?

Essa temática sempre me inquieta. Afinal, tudo o que falamos ou fazemos, ou não falamos e deixamos de fazer, gera impactos e, especialmente, memórias junto às pessoas com quem nos relacionamos, que podem construir ou destruir perspectivas e possibilidades.

Por isso, muita atenção: no mundo do empreendimento ou dos negócios, não tem desculpa – não adianta colocar a culpabilidade onde falta bom senso e responsabilidade.

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