A abertura de contas para menores de 18 anos no Brasil atingiu um marco significativo. São aproximadamente dez milhões de jovens já bancarizados, conforme dados da Febraban.
Esse número não só atesta uma profunda mudança comportamental, na qual clientes jovens adotam uma combinação de serviços bancários tradicionais e soluções digitais. Mas também sinaliza o interesse crescente dessa faixa etária por educação financeira e investimentos programados.
À medida que mais jovens entram na vida adulta e formam famílias, esse público traz consigo comportamentos e preferências financeiras únicas. Acostumados à digitalização frequente de serviços, seu comportamento muitas vezes dificulta o envolvimento de cooperativas de crédito.
Habituados com marcas digital-first, essa nova geração de clientes de crédito quer agilidade, personalização e compreensão de suas preferências de forma muto mais efetiva. Nesse cenário como tem sido para uma cooperativa de crédito traduzir seus valores e criar produtos e serviços para um engajamento duradouro com esse público?
CX de excelência e outras oportunidades

Segundo Thiago Jacintho Muller, superintendente de Negócios do Sicredi, este é um público que valoriza o uso do digital, personalização e a experiência. E nos últimos anos, essas são frentes que a Sicredi vem atuando para criar um diferencial de relacionamento humanizado e personalizado para a nova geração de clientes.
Thiago explica que, entre os produtos de crédito, o cartão de crédito com uso de carteiras digitais e pagamentos por aproximação são uma aposta de praticidade na rotina deste público. Já o Pix desponta como um dos serviços mais utilizados por essa parcela da população. “A possibilidade de parcelar os pagamentos nessa modalidade representam uma comodidade adicional, desde que utilizada considerando a saúde financeira de cada indivíduo”, ressalta o executivo.
Para Thiago, lacunas se transformam em oportunidades quando olhamos para o público jovem e a oferta de crédito no Brasil. Ele diz que a aposta é ter uma “experiência digital de excelência”, seja com gamificação ou comunicações personalizadas que se alinhem às qualidades da cooperativa. “Hoje, já dispomos de um gerenciador de gastos em um dos nossos canais digitais, que apoia na gestão das finanças dos associados e pode ajudar a melhorar o comportamento financeiro de quem usa.”
Ainda, no Sicredi, a sustentabilidade – que interessa uma grande parcela dos jovens – transcende a pauta ambiental. “Ela envolve a sustentabilidade econômica das famílias e das comunidades. É um conceito que agrada profundamente a GenZ e os Millennials, que priorizam propósito e impacto social em suas decisões”, explica Thiago.
Desafio: o engajamento no longo prazo
Um levantamento recente da Serasa aponta que apenas 10% dos jovens da Geração Z receberam orientação financeira em casa. Em paralelo, 55% já arcam com seus próprios gastos mensais. Quando buscam informações, 52% recorrem a redes sociais e influenciadores, 44% a cursos especializados e 28% a assessores financeiros.
Sobre os desafios para engajar esse público ativo financeiramente, Thiago aponta o relacionamento no longo prazo como principal. “É um público que costuma se relacionar com várias instituições financeiras, e tem uma característica adicional de estar em início de relacionamento com elas, dificultando uma análise de histórico para recomendação das ofertas. Ou seja, um dos grandes desafios é a necessidade de uma proposta de valor direcionada e com foco em construir relações de longo prazo.”
Em resumo, Thiago afirma que o Sicredi tem muito a contribuir com o bem-estar financeiro dessa parcela da população. Para isso, é importante manter a relevância digital e a excelência em UX (Experiência do Usuário), enquanto reforça o valor da participação e do cooperativismo.





