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Da Ypê à Crystal: o que os recalls revelam sobre confiança, atendimento e experiência do consumidor

Da Ypê à Crystal: o que os recalls revelam sobre confiança, atendimento e experiência do consumidor

Enquanto a Anvisa amplia a fiscalização sobre produtos de grande circulação, especialistas discutem os direitos dos consumidores e o papel do atendimento na preservação da confiança nas marcas.
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Após o recall de produtos da Ypê, a Anvisa determinou o recolhimento de um lote da água mineral Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em análises laboratoriais. Especialistas explicam que consumidores têm direito à troca ou reembolso mesmo sem terem consumido o produto ou sofrido danos à saúde. A reportagem também discute as obrigações das empresas durante um recall, o acompanhamento dos órgãos reguladores e o impacto desses episódios na confiança dos consumidores.

Poucos dias após o recall de diversos produtos da Ypê determinado pela Anvisa, um novo caso de recolhimento volta a colocar em evidência a segurança dos itens de consumo, os direitos dos consumidores e a forma como as empresas lidam com situações de risco.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote da água mineral sem gás Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em análises laboratoriais. A medida foi oficializada pela autarquia por meio da Resolução nº 2.247/2026, publicada nesta quarta-feira (3).

Segundo informações da empresa, foram distribuídas 374,4 mil garrafas de 500 ml do produto nos seguintes locais: Distrito Federal, cidades vizinhas de Goiás, Tocantins e interior de São Paulo. Até o momento, não há registros de intoxicação.

A interdição do lote foi determinada após um laudo do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) detectar a presença de bactéria em uma amostra coletada durante fiscalização de rotina da Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa-DF). A contraprova confirmou o resultado positivo, o que levou a Divisa-DF a interditar imediatamente o lote e comunicar o caso à Anvisa.

O consumidor tem direito à troca ou reembolso?

A resposta é sim.

De acordo com Fernando Moreira, advogado especializado em Direito Empresarial e do Consumidor, o consumidor não precisa ter feito uso do produto nem sofrido qualquer dano à saúde para exigir uma solução da empresa.

“O Código de Defesa do Consumidor protege contra riscos à saúde e segurança e considera impróprio o produto que não atende às normas sanitárias. Troca ou reembolso decorrem do risco e da inadequação do produto. Se houver dano concreto, pode gerar indenização”, explica.

O especialista ressalta que, nesse tipo de caso, o recall não é uma ação facultativa das empresas, mas uma obrigação legal. “A empresa deve retirar o produto da venda, comunicar autoridades, informar consumidores de forma clara, indicar lote, risco, canais de atendimento. Tudo isso sem gerar custo. Também deve organizar devolução, troca ou reembolso e prestar relatórios aos órgãos fiscalizadores”, afirma.

Após a determinação do recolhimento, órgãos como Anvisa e Procons acompanham a efetividade das ações adotadas.

“Os órgãos acompanham por notificações, relatórios, fiscalização e avaliação da efetividade do recolhimento. Se a empresa falhar, pode sofrer multa, apreensão, interdição, suspensão de venda, responsabilização civil e, em casos graves, sanções penais. É importante destacar que o recall não é cortesia empresarial. É obrigação legal”, destaca.

A relação entre o recall e a confiança do consumidor

Embora episódios como esse costumem gerar forte repercussão inicial, o impacto real na confiança dos consumidores tende a ser menor e mais passageiro do que se imagina.

Na análise de Jacques Meir, diretor-executivo de conhecimento e mentor da CX Brain, casos isolados raramente provocam danos permanentes à reputação de uma marca.

Ele explica que a confiança começa a ser afetada quando o consumidor percebe repetição de falhas ou negligência sistemática. “Consumidor quer preço justo, forma de pagamento, qualidade assegurada, a entrega do que é prometido e atendimento ágil. Na dimensão de qualidade, é possível que um produto apontado como contaminado gere um ruído momentâneo, mas ele tende a ser passageiro.”

Para Jacques Meir, a percepção pública não se constrói prioritariamente pela comunicação oficial das empresas, mas sim pelo boca a boca entre os próprios consumidores. “Os consumidores estão sempre atentos a essas questões, desde que sejam vocalizadas por outros consumidores. A opinião do colega, do conhecido, do influenciador ou do familiar pesa muito mais do que matérias de jornal ou posts institucionais das empresas”, afirma.

Atendimento pode definir a experiência durante a crise

Se o problema nem sempre afeta a confiança em marcas duradouras, a forma como a empresa atende os consumidores pode ser decisiva para reduzir desgastes.

Dados do estudo da CX Brain Skill Tech de inteligência de dados ligada ao Grupo Padrão – em parceria com a Seu Cliente Oculto, mostram que quando o assunto é reclamação:

  • 96% dos clientes insatisfeitos não reclamam; simplesmente deixam de comprar;
  • 74% acreditam que o atendimento piorou no último ano;
  • 65% tendem a abandonar uma marca após uma única experiência ruim.

Consumidor Moderno testa o atendimento

Em contato com a Coca-Cola, responsável pela marca Crystal, a reportagem foi direcionada para a Brasal, fabricante do lote afetado. O primeiro atendimento foi ágil, mas o processo completo – entre explicações, cadastros e checagem de informações – levou cerca de 16 minutos.

Durante o atendimento, foram solicitados dados como número do lote, data de validade, local de compra e quantidade de garrafas. A orientação repassada é que, comprovado o pertencimento ao lote interditado, o consumidor envie fotos do produto e os demais dados para análise e definição da solução.

A reportagem também procurou a Coca-Cola para obter posicionamento adicional sobre o recolhimento e os procedimentos de atendimento ao consumidor. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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