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Quando a IA deve chamar um humano? Na Bradesco Seguros, a resposta está no contexto

Quando a IA deve chamar um humano? Na Bradesco Seguros, a resposta está no contexto

Seguradora usa análise de sentimentos e de voz para reconhecer potenciais sinais de insatisfação e orientar a continuidade das interações
Bradesco Seguros usa análise de sentimentos e de voz para reconhecer potenciais sinais de insatisfação e orientar a continuidade das interações
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Shutterstock
A Inteligência Artificial amplia a automação do atendimento, mas há situações em que insistir no robô pode piorar a experiência. O desafio passa a ser reconhecer os sinais de que chegou a hora da intervenção humana. Na Bradesco Seguros, análise de sentimentos e de voz ajudam a identificar potenciais gatilhos de insatisfação. Mais de um milhão de contatos mensais nas centrais podem ser avaliados individualmente pela tecnologia. Como equilibrar escala, agilidade e sensibilidade sem automatizar por automatizar? A estratégia mostra como IA e atendimento humano podem atuar de forma complementar na jornada do cliente.

Você explica o problema ao robô. Repete a informação. Tenta formular a pergunta de outra maneira. A conversa continua, mas a solução não chega. Em um atendimento automatizado, reconhecer que a tecnologia deixou de ser o melhor caminho pode ser tão importante quanto saber utilizá-la.

Com o avanço da Inteligência Artificial nos canais de relacionamento, essa fronteira entre automação e intervenção humana ganha relevância. Afinal, não basta ampliar a capacidade de resposta dos assistentes virtuais. É preciso identificar sinais presentes na própria interação que indiquem quando o atendimento demanda outro tipo de abordagem.

Na Bradesco Seguros, recursos de linguagem natural e análise de sentimentos são utilizados nos canais digitais para tornar as interações mais fluidas, direcionadas e resolutivas. A escala ajuda a dimensionar o desafio: WhatsApp, aplicativo e outros canais digitais da companhia somam cerca de 4 milhões de acessos únicos por mês.

Quando a conversa dá sinais

A análise de sentimentos permite extrair da interação indícios que ajudam a orientar as etapas seguintes do atendimento. Isso significa que, além de compreender aquilo que o consumidor solicita, a tecnologia pode fornecer elementos para avaliar como aquela conversa está se desenvolvendo.

O recurso não significa, necessariamente, que todo sinal identificado provoque uma transferência automática para uma pessoa. A estratégia descrita pela companhia considera o contexto para orientar a continuidade da jornada e definir a experiência mais adequada para cada situação.

Essa distinção é importante porque automação e atendimento humano não precisam funcionar como alternativas excludentes. Há demandas nas quais autonomia e rapidez atendem à necessidade do consumidor. Outras exigem interpretação, orientação, empatia ou decisões mais sensíveis.

Mais de 1 milhão de contatos sob análise

Nas centrais de atendimento, a companhia acrescenta outra camada a essa leitura por meio da análise de voz. Atualmente, mais de um milhão de contatos mensais podem ser avaliados individualmente.

A ferramenta identifica potenciais gatilhos de insatisfação e gera alertas. Com essas informações, a supervisão pode acompanhar o atendimento, orientar o operador ou intervir quando necessário. Dessa forma, a tecnologia não atua apenas na conversa com o consumidor: também fornece elementos para apoiar quem está do outro lado da operação.

A capacidade de observar sinais em uma quantidade tão grande de contatos ajuda a deslocar parte da análise de qualidade de uma lógica exclusivamente posterior para uma atuação que pode ocorrer durante o próprio atendimento.

Quando entra o humano

Para José Loureiro, diretor de Inovação & Digital & Dados no Grupo Bradesco Seguros, a tecnologia deve ser utilizada de acordo com a necessidade apresentada em cada situação.

“O objetivo não é digitalizar por digitalizar, mas direcionar cada cliente para a melhor experiência possível em cada contexto”, afirma.

José Loureiro, diretor de Inovação & Digital & Dados no Grupo Bradesco Seguros. Foto: Divulgação

Na prática, a companhia busca automatizar interações nas quais a tecnologia pode proporcionar conveniência e agilidade, preservando a atuação das pessoas em situações que demandam características como empatia, interpretação, orientação ou uma tomada de decisão mais sensível.

No setor de seguros, essa distinção ganha peso adicional. O contato com a empresa pode ocorrer justamente em circunstâncias nas quais o consumidor enfrenta uma situação delicada e procura não apenas uma resposta, mas orientação para resolver uma demanda.

Por isso, a evolução da IA no atendimento traz uma questão que vai além de quanto uma empresa consegue automatizar. Em operações cada vez mais digitais, a qualidade da experiência também pode depender da capacidade de interpretar os sinais da conversa e reconhecer quando insistir na automação deixou de ser a melhor resposta.

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